O Ponto de encontro dos Verdadeiros!

2003/12/04

Vamos mudar, carago!

Pessoal! Já temos uma tasca nova. Agora já podeis ir até ao novo Popular Português em www.popularportugues.com. Enquanto ainda fazemos as obras no nosso novo establecimento as postas de bacalhau continuam a sair regularmente aqui. Quando sairmos de vez a gente deixa um aviso na porta.

Obrigados.

2003/12/03

Cheirinho a lenha queimada...

O inverno tem destas coisas... Mal chega o frio, começamos a vestir as ceroulas, três meias dentro das botas de biqueira de aço.. .e começamos a sentir o cheirinho da lenha queimada. As chaminés fumegam, queima-se eucalipto, carvalho, castanheiro, contas da luz, da água, do gás, etc. Por cada ruela, beco e estrada sem saída, lá está uma chaminé a fumegar o aroma... que faz também lembrar o Natal. Ora aí, vem outro assunto a minha massa cinzenta... Natal! Esta época magnifica, em que sentimos a tesura que vai na carteira do Popular Português (PP). É um acto de inteligência conseguir com o mísero orçamento de meia dúzia de €'s oferecer uma prendinha para o sapatinho. Acham que mais algum país da Comunidade Europeia oferece meias e cuecas como nós?!? Nada disso... e não, pelo facto de sermos um país de cagões (Tóne e Nando, ah pois é! Porque estes nem mudam muito de cuecas), é sim que as cuecas/ezslipis e meias compradas ao Lelo, na feira dos 28...são 3 a 5 €. Essa é que é.

Voltando, aos cagões (Tóne e Nando, ah pois é! Os que não mudam muito de ezslipis) não existe nada melhor do que coçar as partes baixas, em frente da lareira...com a castanhinha a assar, e a caneca de jeropiga atestada.

Bem é melhor, parar por aqui...que já parou de chover e vou voltar para a massa, para o viaduto. Está um frio de rachar, e o co$% do encarregado (o Arrebitado) já está a pressionar de novo.

É verdade, a próxima posta de pescada é sobre o Arrebitado, e o poder do encarregado nas obras!

Papas de sarrabulho e tinto maduro da casa, para todos...
Neca

2003/11/29

Poema de Inverno 5

(7) Aaooooouuuuuuuuuuu

Neste dia de Inverno
Vou-vos ser muito franco
Prá aquecer bebo um copo
Seja tinto ou seja branco.

(7) "O Poeta Popular" - em Nadorenguês

2003/11/28

Poema de Inverno 4

(6) Aaoooouuuuuuuuu

Neste dia de Inverno
Tou com frio nos colhões
Ninguém me manda sair à rua
De t'shirt e calções

(6) ...

Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão II

Hoje voltei lá mais uma vez para um arroz de polvo. Só mais um pormenor de classe que não podia deixar passar em branco. Enquanto passava os olhos pelo tintol em exposição lá estava ela: uma garrafa de tinto engarrafada pelo próprio popular (o da unhaca!) com a marca do establecimento. É classe!

2003/11/27

Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão

Não amigos, não é de uma receita que vos vou falar hoje mas de outra coisa que ainda vos vai deixar a salivar mais da boca. Até porque salivar de outro sítio qualquer que não a boca é mais difícil. E daí... bem, adiante!
Se há coisa que eu não dispenso é um bom almoço regado por uma boa pinga servida à taça. E não vou cá nessas rotices de sandezinhas, saladinhas e nectarzinhos a fazer de conta que são refeições. Foi por isso com grande alegria que descobri cá em Braga um novo tasco para almoçar. Apesar de ficar num centro comercial e do aspecto abichanado percebi logo que se tratava de uma verdadeira casa de pasto à paisana.
A ementa típica é sempre composta por pratos bem populares portugueses:
  • Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão;
  • Dourada na brasa com arroz de grelos;
  • Robalo grelhado com batata cozida e grelos;
  • Petinga frita com feijão frade e arroz;
E mais delícias por aí fora que todos os dias me surpreendem sempre acompanhadas pela pinga de branco ou tinto servido à taça. Mas os pormenores de classe popular não ficam por aqui.
Como bem popular que é, esta casa de pasto é uma operação familiar: o homem atende e socializa com a freguesia e a mulher trata da cozinha. E ora imaginem lá o aspecto da figura do popular. Se estão a pensar que tem farta bigodaça, fio de ouro ao pescoço, unhas encardidadas e unhaca do dedo mindinho só vos digo uma coisa: "Estão completamente certos!" Carago, há lá coisa melhor!
Quando, já depois do café com cheirinho, pagamos e ouvimos o inevitável "Obrigados." então aí, e se dúvidas ainda houvesse, ficamos definitivamente a saber que estamos mesmo no sítio certo.

Poema de Inverno III

(5) Aaoooouuuuuu

Neste dia de Inverno
Está um frio de morrer
Bebo um copo de vinho
Nem que seja, prá aquecer

(5) Já sabem para que serve....

2003/11/26

Poema de Inverno 2

(5) Aaoooouuuuuuuu

Bebo um copo de vinho
Antes de ir para o trabalho
Neste dia de Inverno
Com um frio do caralho

(5) Forma de cumprimentar a malta

2003/11/25

"Azul e verde, escarro na parede."

Lembrei-me hoje deste enigmático provérbio. Nunca percebi muito bem (nem muito mal, não percebo é nada!) o que porra quer dizer mas o facto de ter "escarro" faz dele um concerteza um provérbio popular português. Há lá coisa mais popular do que ir pela rua fora, puxar meio pulmão e alguns brônquios de arrasto até ao nariz, mistura-los com a substância ranhosa nasal, envolver a garganta no complicado mas bem dominado exercício de passar o produto combinado até a boca e, depois de puxar bem a cabeça atrás, projectar tudo no chão do passeio com violência, precisão e de preferência a mais de 5 metros. Pontuação extra para o popular que depois de examinar o produto de tão intrincado exercício solta um sonoro: "DA-SE!!".
E lembrei-me eu disto a propósito de quê? Ia eu hoje pela rua fora, a pé, diga-se, que o motor do Fiat 128 voltou a berrar, quando vejo passar por mim um dos novos táxis portugueses da cor dos velhos! Então não é que os nossos táxis voltaram a ser verde escarro em cima de preto alcatrão?
"Ora aí está uma bela homenagem aos nossos nossos homens do volante!", pensei eu. A associação lógia é por demais evidente. Portugal/Taxi - Escarro/Alcatrão! Porque é que alguma vez mudamos sequer a cor, pergunto-me eu. É que... carago! Quem foi o abichanado que se lembrou de pintar os nossos taxis pilotados por bons pais de família, portadores de bigode e unhaca do mindinho de meter respeito de bege? Bege! Isso lá é cor sequer? E se é, é cor de José Castelo Branco, porra!
Hoje até vou a Flor dos Congregados beber uma malga em honra do iluminado que voltou a repor a dignidade aos nossos taxis.

Poema de Inverno

(4) Aaaoooouuuuuuuuuuu

Neste dia de Inverno
Está um frio de rachar
Vou beber um copo de tinto
Antes de começar a trabalhar.

(4) Forma de cumprimentar a malta

2003/11/18

Lendas do Nosso Portugal Popular - III

Constituindo nome ímpar, Carrapichana, freguesia de Celourico da Beira, conta a tradição que deve o seu nome a uma senhora, chamada Ana, figura típica e conhecida pela Carrapichana e lugares circunvizinhos.
Conhecida pela sua voz aguda e forte de corpo, não se ficava atrás no que toca a beber. Sendo grande apreciadora de vinho, devorava de uma vez só, qualquer copo de vinho que lhe oferecessem.
Ao darem-lhe um copo de vinho a beber, os homens incentivavam-na dizendo:
- Escorropicha esse copo, Ana! (Escorropicha designa o acto de beber).
Com o correr do tempo a terra passou a designar-se Carrapichana, por via erudita de "Escarrapicha, Ana!", para designar a terra onde " Escarrapicha Ana!" um copo de vinho sem parar.
Num prédio da rua da Amoreira, encontra-se uma figura de pedra, que o povo chama Carrapichana, mulher que deu o nome à sua terra.

Escorropichadelas a todos!

PS: Pergunto-me qual a origem desta palavra... seria alguma dama (com problemas de dicção) em apuros a gritar: "Es'corro! Es'corro! Picha!"

2003/11/16

Quem eu encontrei???

(3) Aaaoooouuuuuuuuuuuuuu

Imaginem quem eu encontrei!?!?!?!? O Ti Bairros!!!!...eheheheh é verdade.
Ônte fui ao Porto a uma consulta no hospital, por causa de umas hemorroidas e gases que me atormentam nesta época de castanha e vinho. Atão eram praí sete e pico...da tarde quando vou a passar naquela rua grande....os Alinhados, onde se fazem as festas de S. João no Porto. Umas vezes em Maio, outras em Junho e já vi em Julho.
Bom...ia a passar, como ia dizendo, e há lá um local com muitas camionetas. Tou eu a percorrer o paralelo da calçada, quando encostado a uma camioneta, está o Ti Bairros. Mão colada à viatura, boné na cabeça, gabardine pelos ombros e pernas semi-abertas. Dei por ela porque ele puxou uma daquelas suas "verdes" (que o tornaram penta campeão do atiranço da bisga, lá na Tasca do Nunes) e com o barulho do costume amanda-a pró chão. Paro. E qual é o meu espanto, vejo o Ti Bairros agarrado à mangueira pessoal, e a tentar lavar a camioneta, pela zona das rodas traseiras. Que quadro!
Por momentos não soube o que fazer, mas decidi apertar-lhe o bacalhau e aproveitei (que ainda tinha tempo para a carreira das sete e meia), para também eu, dar uma regadela na camioneta dos STCP, que ia partir naquele instante rumo à Avenida daquele clube de camisolas esquisitas.

E pronto...era só para saberem que, enquando libertávamos líquido e embelezávamos a calçada de verde, conversamos um bocado e fiquei a saber que está tudo bem com ele e com os seus.

Um bem haja pró Ti Bairros. Se me estiveres a ouvir, vai a um posto de Net e lê o que acabei de escrever.

Bisgas a todos!!!

(3) Foi como cumprimentei o Ti Bairros assim que o encontrei....

2003/11/12

"O saber é como a dobrada, ocupa lugar mas não é nada que uma malga de vinho não resolva."

Todos nós sabemos que a verdadeira cultura popular está a desaparecer a cada dia que passa... É verdade hoje em dia dá-se muito mais importância às coisas etéreas e superficiais do que ao saber dos anos feito e passado de avós para pais e de pais para filhos ao longo de muitas gerações.
Foi por isso que fiquei tão contente quando descobri a existência da Universidade Popular do Porto. E mais contente ainda fiquei quando descobri que eles tinham seminários como este. No entanto não posso deixar de reparar que esta oficina (muito má designação, oficina lembra trabalho e trabalho não tem nada a ver com cultura popular) aborda principalmente a teoria e a discussão de ideias e opiniões, o que, apesar de ser legítimo e necessário, não abrange os temas realmente importantes, como por exemplo:
  1. Do bacalhau até à patanisca - ciclo de vida
  2. Cozido à Portuguesa - confecção e deglutição
  3. A vinha e o vinho - castas, história e enfardanço
  4. Lendas e tradições do nosso Portugal Popular
  5. Vestimentas, estilo e teoria comportamental
  6. A casa e a tasca - diferenças e semelhanças
  7. Futebol, sueca e restantes jogos e entretenimentos
  8. O insulto e o piropo - diferenças estilísticas e casos práticos
Deixo aqui o repto à Universidade Popular para organizar uma continuação para este curso, que aborde questões mais práticas, como as que eu acabei de referir. Já agora, convidarem-nos a nós Populares Portugueses para leccionar alguns destes temas também não era nada mal visto. Quanto a honorários escusam de se preocupar... A malta resolve o assunto com uns pipos do nosso bom vinho português e algumas valentes petiscadas pelas tascas do nosso querido Portugal.

E se mais ninguém pegar nestas ideias, não há problema. São temas que já ficam alinhavados para quando abrirmos a Universidade Popular Portuguesa !!!

2003/11/11

11 de Novembro, Dia de S. Martinho

Ora aqui está um daqueles dias que é mesmo popular português! Há lá coisa melhor do que um dia especialmente dedicado a uma actividade destas. Comer umas castanhas assadas empurradas pela goela abaixo pelo tinto da pipa (escondida, claro! que os nossos burocratas emproados já ilegalizaram mais esta prática saudável) da tasca dos Peões.
Mas há um significado mais profundo e religioso por trás deste dia. E não estou a falar do concurso de farpas depois das castanhas, considerado por alguns uma verdadeira experiência religiosa! Este até já perdeu o verdadeiro significado de competição desportiva desde que o Neca e o Nando sistematicamente ganham por desistência devido a intoxicação do resto do pessoal lá da tasca.
Do que eu estou a falar é da lenda de S. Martinho. Pois concerteza que já a deveis conhecer mas aqui fica este pequeno texto que encontrei no jornal "O Perdigoto" da Escola EB 2-3 de Castelo Branco:
Antes de baptizado e convertido ao Cristianismo, S. Martinho foi na mocidade soldado das legiões do Imperador Juliano. Certo dia, sob o vendaval e a neve, equipado e armado, montado a cavalo, S. Martinho viu um mendigo seminu, tiritando de frio, estendendo para ele a sua pobre mão ossuda e congelada.
O Santo parou o cavalo, tomou com caridade a mão desse abandonado e, em seguida, tomou da espada, cortou pelo meio a sua capa de agasalho, deu metade dela a esse miserável peregrino e, envolto na outra metade, sacudiu a rédea e prosseguiu através da tormenta, do vento e da neve.
Subitamente, porém, no caminho do soldado, a tempestade desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu descobriu instantaneamente, como por encanto, a sua profundi-dade límpida e azul, e um sol acariciante e resplandecente inundou a terra de alegria e vestiu de luz e calor esse cavaleiro caridoso.
Deus, reconhecido, para que não se apagasse da memória dos homens a notícia deste acto de bondade, praticado por um dos seus eleitos, dispôs que em cada ano, na mesma época em que S. Martinho se desfez da metade da capa, por alguns dias se interrompesse o Inverno, cessasse o frio, sorrisse o céu e a terra, e um calor saudasse a natureza, sempre insensível à vontade dos homens, em memória daquele que, em certo dia, humilde soldado, trotando a sós por um caminho, desafiou e venceu a fúria insuperável dos elementos.
Como não podia deixar de ser também encontrei uns provérbios de S. Martinho. Ora aqui vão uns bem populares portugueses.
  • "No S. Martinho assam-se as castanhas e prova-se o vinho." (Ou noutro dia qualquer, o que interessa é meter pró bucho!)
  • "Depois do S. Martinho bebe o vinho e deixa a água para o moinho." (Ora nem mais, água é para levar os pés e os dentes, e mesmo para os dentes eu uso cerveja que faz mais espuma!)
  • "Pelo S. Martinho mata o porco e semeia o cebolinho." (Ou planta o nabo!)
  • "No S. Martinho vai-se à adega e fura-se o pipinho. Mas quem for honrado já deve ter furado." (Ah, pois! Isto quem sabe já anda a furar há muito tempo!)
  • "Queres espantar o vizinho? Lavra e estruma no S. Martinho." (Carago! Se me viessem cagar à porta até eu ficava espantado!)
Muitas castanhas e jeropiga para todos!

2003/11/10

É tão bom... tão bom, que até dá para cozinhar.

Durante o intervalo da manhã aqui nas obras do novo estádio de Aveiro, após mais uns baldes de cimento e de areia terem atravessado o costado paramos como sempre para beber umas bejecas (só duas, é que no inverno não apetece tanto) e para comer um bife de cebolada no pão da avó. Demos por nós na futura sala de imprensa onde tem dois PC's com acesso à Neti (acho que é assim que se diz!), estava eu e os meus manos africanos (O Zulu, de Cabo Verde e o Jimbra de Luanda, Angola) e o Boris (da Moldávia). E encontramos um daqueles sitios na Internet muito interessantes (Não, por acaso não é tipo GANG BANG, nem Bocetinha Quente!), mas sim é um sitio educativo.

Aqui fica a referência:
http://www.beercook.com

Meus colegas de tinto, a cerveja...é tão boa que até dá para cozinhar! É como dizer, aquela freira é tão boa... que até dá para pinar! É o chamado dois em um!

Puta que.... lá ia eu soltar a língua... olha, soltei antes uma bufa!

Fiquei satisfeto de saber que agora posso comer cozido à portuguesa (o meu prato favorito), com a bejeca no copo e a bejeca no tacho!

O único senão é que a página está em amaricano, mas o Boris arranha umas coisas de amaricano.

Amigos, só mais uma coisa... já sabem a inauguração do estádio de Aveiro... é sábado. Eu, o Zulu, o Jimbra e o Boris.... lá estaremos a chamar filho da... Ai, que eu soltar a língua... olha, soltei antes mais uma bufa. Encontramo-nos na praça, depois de almoço para nos embubadarmos!!!

Um abraço,
Neca

Lendas do Nosso Portugal Popular - II

Há muitos, muitos anos atrás houve uma batalha chamada Alcácer-Quibir (que parece o nome de uma música da Maria João e do Mário Laginha).
Nesse tempo havia um Rei chamado D.Sebastião que reinava em Portugal (e que comia muito - daí o "Sebastião come tudo, tudo, tudo...").
O D. Sebastião não se podia negar de ir a essa batalha (senão poderiam pensar que ele era rôto).
Juntou a sua tropa preparada para tudo (para *quase* tudo...).
O Rei D. Sebastião deu o sinal de fogo e os soldados correram (a ver quem chegava primeiro).
Sangue derramava nas suas espadas, caiam no chão cobertos de sangue (e gritavam "Ai Jasus Senhor... que não volto a ver a tasca do Quinquilhas!").
Era uma manhã coberta de nevoeiro, a tropa de Portugal venceu mas o Rei D. Sebastião tinha desaparecido (mal eles sabiam onde ele andava).
As pessoas sabiam que ele tinha desaparecido mas não sabiam como ele desapareceu (mas eu sei, tinha ficado com sede e decidiu ir ao Quinquilhas malhar um copo de três).
Pensaram que como essa manhã estava nevoeiro que ele voltava a aparecer um dia (só que o bebedeirão foi tamanho que quando acordou estava deitado na cama com um "tráveque" espanhol... a vergonha foi tanta que teve de saltar a fronteira para Espanha, onde junto com o "trávéque" viveu feliz para sempre...).
Torresmos com tinto a todos!

2003/11/06

DesNORTE...

Estava no outro dia agarrado a um prato de presunto e a beber um jarro de tinto, enquanto via o Boavista-FCP, quando assisti a uma cena lamentável:
Na mesa ao lado da minha estava um casal com o filhote, acompanhados de dois amigos. Discutiam futebol (falavam mal do Boavista e do Porto - foi no Centro-Sul de Portugal), quando um dos ditos "amigos" se virou para o miúdo e perguntou:
"Olha lá, tu és do Benfica ou do Sporting?", que é como quem pergunta "Queres levar um murro na cara ou um pontapé no cú?!?". Da-se! E as outras opções?
Um dia destes entro na tasca do Quinquilhas e perguntam-me: "Queres torresmos com bolor ou dois rissóis de moscardo?". Rais parta a ignorância!

PS: Pelo menos eu perguntaria "És do Porto, não és?" (enquanto segurava numa faca). Assim sempre reduzia o leque de respostas...

2003/11/02

O Elevador do Tio Mene

Aouuuuuuuuuuuuuu (2)

Meus Amigos!

Já lá vai algum tempo que não vos escrevinho qualquer coisita. A labuta diária impede-me de juntar dois dos meus neurónios a trabalhar para o Popular.
Mas a alegria que me invade a alma e os acontecimentos recentes fizeram com que me libertasse desta prisão e me fizesse deslocar à tasca para passar um bom tempo junto desta televisão à minha frente e carregar numas letras.
Isto não está relacionado com o facto de finalmente durante esta semana se ter anunciado que este é ano de bom Vinho!!! Naaaaaa... Melhor do que isso! Esta semana, após horas de esforço, dores incríveis e exercícios de respiração....fui TIO.
Uma moçoila de 3,450 kg de peso bruto passou a fazer parte da minha vida. Já marquei a boda do baptizado na Tasca do Nunes, com binhaça à descrição pró pessoal.
Mas falando da rapariga, tenho a anunciar que já começa a perceber as coisas da vida. Para além de ter dado a sua primeira cagada após lhe ter dito a palavra Benfica, viu na sexta-feira passada o primeiro golo do seu clube do coração, enquanto, de boca aberta (deslumbrada com o sucedido), procurava a torneirinha do nectar branco da mãe. Pode-se dizer que é Portista desde pequenina .......... e mamona.
Fui vê-la no outro dia. Sexto andar do hospital, lá fui eu com duas garrafas de vinho, uma broa e um tacho de rojões para a mãe, dentro de um saco. Chego perto do elevador e chamei por ele: "Oh Elevador???". Um homem ao meu lado ficou pasmado, mas o que é certo é que ele apareceu. Entrei. A meio da viajem, entram dois casais de Verdadeiros. Com uma média de idades entre os 40 anos, começaram a carregar nos números. Eu ia para o sexto, um dos casais para o 8º e o outro para o rés-do-chão, ou seja, 0.
-"Estranho - diz uma das mulheres - Atão eu carreguei aqui neste e isto está a ir pra cima??.
Pensei:"Está a bricar com a gente, tipo... desbloqueador de conversa".
-"És burra - responde o marido - tu carregaste no -3 e queres ir pra baixo? Não percebes nada disto. Eu carrego - e carregou no zero.
-" Não, mas ele vai pra cima e depois vem para baixo" - respondeu a outra senhora.
- "Atão se eu carreguei para baixo como é que ele vai para cima?"
- Cala-te, pôssa (que palavra gira que eu nunca soube como se escrevia). Isto vai lá dar" - respondeu o marido - Segura-te ai de lado que isto está a andar.
Passados 5 minutos (pelo menos pareceu) chegamos ao sexto andar. As portas abriram. Os casais à minha frente de plantão a tapar a porta. Eu a pedir licença pra sair e vira-se a ignorante: "Ai vai sair aqui??"
" Não, sua besta quadrada, eu nem quero sair. Tenho um fetiche por elevadores, sabia: cima, baixo, baixo, cima. Ohhhh..... Eu moro num elevador sabia? Até vim com comida e bebida para passar aqui um bom bocado. Aliás até escolhi o 6 porque me pareceu ser um bom número para carregar. Além disso eu já fiz muitos amigos num sito como este. Ou então sou o empregdo do hospital para levar as pessoas para os andares e dizer: Piso 6 - Obstetricia e Pediatria", Piso 3 - Psiquiatria para pessoas que não sabem andar de elevador! DA-SE!!!!!" - pensei eu com uma vontade de ter dito. Mas não disse.
Saí.
No caminho para o quarto, consegui perceber que, por momentos, dentro daquele elevador, senti-me um primata superior.

Inté!!!

(2) - Forma para cumprimentar o pessoal quando se chega à Tasca do Nunes.

2003/10/31

Profissões do meu país II

Tal como prometido aqui já há uns tempos, esta secção de "Profissões do meu país" veio mesmo para ficar. Hoje vou dedicar mais algumas linhas a duas delas que espero não fazerem ainda apenas parte da memória de alguns de nós.
Já há algum tempo que não me desloco com frequência ao centro da cidade de Braga onde moro. A transformação de todo o centro histórico (e não só) numa zona pedonal aqui há uns anos atrás veio tirar parte do buliço característico dessa zona da cidade. Há uns dias atrás, numa das agora raras ocasiões em que posso andar a passear pelo centro durante a manhã, tive uma agradável surpresa. Ali perto da Arcada, entre a Casa da Sorte e o Banco de Portugal, ouvi um pregão que já me tinha desabituado de ouvir: "Olha a Lotaria Popular! Anda hoje à roda!". Uns metros mais ao lado, já debaixo da Arcada, um outro: "Olha a lotaria! É pra hoje!". Ali, no coração da cidade de Braga, a menos de dez metros um do outro, em pleno século XXI, e onde sempre me lembrara de os ver, lá estavam um cauteleiro e um ardina, duas profissões que sempre se misturaram e confundiram ao longo dos tempos.
Claro que tanto um como o outro estavam um pouco longe da imagem do ardina e do cauteleiro clássico. O cauteleiro clássico com a sua farda e chapéu distintos e apenas com a sua "fazenda" na mão já há muito desapareceu. Ainda bem que para prazer da memória colectiva de todos a sua figura tradicional tenha para sempre sido preservada numa estátua em (Cruzes credo canhoto!) Lisboa (Benze! Benze!) defronte da Santa Casa da Misericórdia.
Os ardinas da Arcada em Braga lá estavam, tal como sempre os conheci, nas suas esquinas com a mesa desdobrável que montavam ao início da manhã e onde tinham sempre os jornais diários e umas cautelas de lotaria para acompanhar. Aquele ardina de jornal na mão e sacola ao ombro já não me lembro ver. A última vez que me recordo de ver um foi há muitos anos atrás - era eu ainda um petiz espigadote - nos semáforos da Circunvalação no Porto. Felizmente, e para a memória das gerações futuras, esta figura tão característica foi imortalizada numa estátua na Praça da Liberdade, ao fundo dos Aliados no Porto.
Para o próximo "Profissões do meu país" fica prometida a história do último corretor português.

2003/10/29

Taxi! Taxi!

É com um bife panado dentro de um pada de Vale de Ílhavo (ou Baldeilhavo), com uma malga de tinto na frente e com os olhos postos nos escândalos no noticiário da TVI que dou por mim a pensar numa nobre profissão recheado de "Berdadeiros". Como já devem ter deduzido, estou a falar dos Taxistas. Esses Airtonis Cenas do asfalto, buracos com alcatrão e estradas de terra lusas. Os Taxistas são do melhor que existe na sociedade portuguesa, passo a inumerar o porquê:
  • Aldrabões - Quem nunca sentiu ao viajar num Táxi, que estava a andar à volta do sitio para onde pretendia ir... e mesmo assim, o Snr. Joaquim lá continuava com um sorriso nos lábios e falar do tempo. Na realidade, estes senhores são embaixadores de Portugal e servem de guias turísticos nacionais, dos melhores que temos. Uma vez aqui o Neca, foi à moirama e não é que o Sr. Taxista tinha um pano por cima do táximetro. Quando lhe perguntei pelo mesmo e lhe tirei o pano, disse que não estava a trabalhar. Ele devia pensar que na província não existiam Taxis. Estes homens são uma referencia na Arte da Aldrabice e Corrupção.
  • Connoisseurs de Alternadeiras - Não existe nenhum Sr. Dos Carros Amarelos (quem é que escolheu a cor dos táxis?) que não domine onde se passa toda a acção a partir das 4h da madrugada. Eles sabem os locais, as maroscas, os preços, o que de melhor existe de carne para consumo, importada desde o Nordeste Brasileiro às planícies geladas da Ucrânia.
  • Conhecimentos Futebolísticos - Quem não teve conversas com estas enciclopédias de 4 rodas sobre os grandes clubes nacionais. Eles lembram-se do plantel do SLB de 65/66, do SCP de 73/74 e do FCP de Pedroto. E alguns, até sabem onde é que o Jardel se portava mal! :)
  • Golpistas Natos - Quantas vezes vemos manobras radicais (360º, Passa em forth fila, halp pipe em túneis, Grand Ultrapassagem, Semáforos à la RED a bombar, e por aí fora...) feitas por estes peritos do alcatrão. Por de trás dos 120 kilos de taxista, eles são uns Ganda Malucos amantes de actividades radicais.
  • Pilotos por excelência - Quem nunca andou 15 minutos dentro de um Taxi, e o dito piloto só usou 2 mudanças: a segunda e a quarta. É que usar a caixa de velocidades dá trabalho como o caraças!

Enfim, a todos os senhores dos Taxis, um bem haja! Continuai a insultar os outros condutores na estrada, sempre com dois copitos de tinto no bucho para conservar a calma no inferno das estradas lusas.

E como diria o Tóne....Boas Viagens, que o táximetro não para!

O "Verdadeiro" ataca de novo

È com uma pinga de tinto no canto da boca que vos "falo". Assisti no outro dia a uma daquelas cenas que são capazes de mexer com um homem (não estou a falar de terramotos, nem dos filmes da Angelina Jolinda). Fiquei mesmo emocionado...
Esta eu a atestar o depósito do meu veículo (Fiat 127 Turbo) com gota, quando a cena ocorreu. Acabei de verter a gota, dei uma sacudidela ao tubo (tá pago, tá pago!! A gota que está no tubo já foi contabilizada!) - os homens fazem isto muito melhor que as mulheres, ainda não entendi porquê, mas tenho as minhas suspeitas. Um dia destes debruço-me sobre este assunto - quando me dirijo ao caixa para pagar. De repente, reparo na porta de acesso à loja da estação de serviço - nesse preciso momento, um raio de sol iluminou a porta e assim que ela abriu (é uma daquelas modernas, que se abrem sozinhas - dizem "eles", cá para mim, está lá um gajo escondido a abrir e a fechar a porta) eis que se vejo um Verdadeiro. Camisola interior de alças, uma camisa aberta a esvoaçar (estava vento - não sei se era disso ou de algum descuido do homem), uma bigodaça de fazer inveja a muitos, uma calças sujas de óleo e uma cabeleira despenteada, como deve ser.
Esta visão já de si agradável, uma vez que gosto sempre de encontrar Verdadeiros pelo país fora (este episódio passou-se em Ceide), melhorou quando de repente o homem - que parou por breves instantes na porta - "sacou" de uma botelha de Martini (daquelas pequenas) e a "mandou abaixo" de golada! Ah valente! Fiquei logo com sede!
A seguir, atirou a garrafa vazia para o lixo (isso da reciclagem é para os fanchonos), meteu-se dentro camião que conduzia e seguiu viagem.
Bonito, pensei.
É bom saber que "eles andem aí".
Fiquei tão entusiasmado com a cena, que acelerei o passo, paguei a gota, e com o resto do dinheiro comprei também umas garrafitas de Martini. Dão sempre jeito. Às vezes apanha-se muito trânsito, temos de parar, e beber uma garrafita sempre ajuda a passar o tempo. Também comprei uma embalagem de torresmos. Não são a mesma coisa que os do Quinquilhas, mas dão para enganar o bucho!
Boas viagens!

2003/10/24

QUATRO VÍRGULA CINQUENTA E CINCO !!!!!!!!!

Foi este fim-de-semana apanhado, em Oliveira do Hospital um incauto condutor, que calmamente conduzia a sua viatura enquanto carregava uma carga etílica de precisamente 4,55 gramas de álcool por litro de sangue...
Quatro Vírgula Cinquenta e Cinco !!!!!!!!!!!!! Até a nós Populares Portugueses, habituados ao convívio com a garrafa e com a máquina de tirar finos este número impressiona, pois não é todos os dias que se vêm prestações deste calibre... É um valor que se aproximou perigosamente do recorde oficial registrado nas estradas portuguesas, e que pertence actualmente ao intrépido Serpense (???) Nuno Leocádio, que atingiu uns brilhantes 4,97 g/l de álcool no sangue, e é também uma marca que já não fica assim tão longe dos estratosféricos 6,27 g/l conseguidos pelo Tó Mané há algum tempo atrás mas que infelizmente não é uma marca oficial, pois o Tó enganou-se e em vez de bufar ao balão bufou para a cara do polícia responsável pela homologação da marca, instantaneamente tombando-o ao chão.

Quanto a este amigo de Oliveira-do-Hospital, infelizmente a GNR da Lousã, talvez com ciúmes de não conseguirem chegar ao nível deste verdadeiro Popular Português, demonstraram uma total incompreensão pelo seu estatuto de atleta de alta competição e em vez de o congratularem pelos seus brilhantes resultados, puseram-no na prisão... Que fique já registrado o nosso protesto formal contra esta forma de actuar por parte das nossas autoridades... Isto não é forma de tratar gente que tanto dá ao nosso país !!!

Queria por fim deixar uma palavra de apreço pela proeza deste "Verdadeiro"... São pessoas destas que nos incentivam a melhorar cada vez mais !!!

2003/10/21

Estou convocado!

Pronto, eu confesso! Eu não gosto do Scolari! Ou melhor, eu não gostava do Scolari. Rais'ma parta se eu me lembro de alguma vez a selecção ter andado a jogar tão mal como tem jogado ultimamente. Assim de repente só me lembro do Mundial da Coreia... e dos tempos do poeta Jorge Artur... e é melhor ficar por aqui!
Mas perguntam vocês porque eu agora comecei a gostar do Scolari: "Ó Nel, mas porque caralho é que tu agora já gostas do begueiro do Scolari?" E eu digo-vos: "É que eu já percebi qual é a táctica do homem para ganharmos o Euro!" E que grande táctica é esta! Só ao alcance de alguns iluminados. Eu passo a explicar.
O homem anda a fazer estes jogos de preparação com Figos, Ruis Costas, Ricardos e outros cepos do género para enganar a estrangeirada que vem jogar contra nós. A verdade é que a lista dos convocados para o Euro 2004 é outra! Ah, pois é! Posso-vos anunciar aqui em primeira mão que eu sou um dos convocados! Duvidais? Olhem que eu tenho o autocolante colado no vidro de trás do meu Fiat 128 para provar! E o Nando, o Tóne, o Mene, o Neca e o Tó Mané também vão! Já começais a perceber a táctica do homem? Não? Carago! É assim:
  1. A estrangeirada vê aqueles trepos todos a jogar e julga que isto cá vai ser favas contadas contra Portugal.
  2. O Scolari, em vez de os convocar a eles, convocou-me a mim e ao resto dos Populares Portugueses. E também sei que mais malta lá do café do bairro que joga connosco à bola ao sábado a tarde também vai.
  3. Depois no Euro, antes de cada jogo, vamos conviver com as equipas adversárias. Já nos estou a imaginar "Ó camone, anda aqui to eat umas moeles com jeropig!" ou "Ó franciu, vien ici prover este vinho tinto avec presunto!" ou até "Comie mias iuma patianisca, espanhiol. Riega a goelia com um vierde brianco!"
  4. Pomos os gajos a comer tanto petisco e beber tanto vinho que no dia seguinte só conseguem cagar de esguicho!
  5. Como nós somos uns gajos muito mais rijos nisto da petiscada e vinhaça, no dia seguinte só precisamos de aparecer no jogo depois de malhar mais uns finos que até com a pança marcamos golos à estrangeirada que nem arrastar-se pelo campo consegue.
Estais a ver agora como o Scolari percebe mesmo de bola? Por isso já sabeis! Se estiveres convocados aparecei, carago! Isto há petiscos e finaços que cheguem para nós todos.

2003/10/18

Um homem, uma carreira !!!

Ora viva caros amigos !!!
É verdade, estou de volta após uma ausência (demasiado) prolongada...
A verdade é que estive ausente na Alemanha a trabalhar na construção civil. No entanto as saudades do nosso Portugal foram maiores e tive de voltar antes de acabar a minha comissão de serviço. Para além disso toda aquela cerveja que eles lá têm, e que em parte foi um dos motivos que me levou até lá, foi uma grande desilusão... Valeram-me os amigos portugueses que por lá encontrei que através de artimanhas e estratagemas vários (afinal de contas são portugueses) me foram abastecendo o bucho de Super Bock e sandes de orelha de porco e de coiratos.
Pois é, apesar de tudo as saudades bateram mais forte e ainda para mais sabendo dos próximos acontecimentos que se vão realizar por cá (como o campeonato de sueca que se vai realizar na tasca do Quinquilhas e outro grande acontecimento que é o que me leva a escrever este post) não poderia tomar outra atitude...Ainda assim queria aqui deixar a todos os emigrantes um grande abraço de agradecimento e fica já a promessa de um dia aqui aparecer um textozito de homenagem a todos os nossos amigos que andam a ganhar a vida por esse mundo fora...

No entanto o que me leva a escrever hoje não são as peripécias que me aconteceram na Alemanha, mas sim outro acontecimento de grande dimensão que se realiza cá no burgo (mais precisamente nas terras mais a sul). Como é óbvio estou a referir-me ao grande concerto que o enorme Emanuel vai dar amanhã à tarde no Coliseu dos Recreios em Lisboa.
Realizado sobre o tema "Ontem, hoje e sempre", este concerto promete encher o Coliseu e revisitar 10 anos de carreira (e de sucessos) deste nosso amigo e espera-se que seja em todos os aspectos superior ao concerto, já aqui referido num post anterior, que o Emanuel deu em Famalicão e que compreende-se agora, terá servido de preparação para o dia de amanhã.

Sendo assim deixo-vos com esta sugestão para uma tarde de domigo muito bem passada.
Encontramo-nos a partir das 17 horas no Coliseu dos Recreios para este concerto que promete perdurar nas nossas memórias...
Até amanhã e um abraço deste vosso amigo !!!

P.S.: Para todos aqueles que queiram saber ou pouco mais sobre o Emanuel, sobre as suas actividades e tudo o que lhe diga respeito aconselho a visita ao site oficial do artista, que podem encontrar aqui.

O cheiro inconfundível a castanhas (e não só) no ar...

É Outono!
O frio começa a dar mostras de si. Com ele chega meia dúzia de coisas boas que tornam esta estação tão especial. Ainda assim não tão especial como a estação... de serviço da Mealhada (aquelas sandochas de leitão...).
Uma das coisas boas são as castanhas. Vamos na rua em direcção à tasca e sentimos aquele cheiro fantástico no ar. Mandamos vir uma dúzia, que nos são entregues num cone de papel de jornal da semana anterior... Tomando atenção ainda conseguimos distinguir entre as letras o número de telefone da "mulatinha peito 44... muito gostosa". Anota-se o número. As mãos enfarruscadas da velhinha que nos entrega as castanhas mostram também as gretas causadas pelo sal. São a prova de anos e anos passados na assada das castanhas (para todas elas, o meu "muito obrigado").
Comemos as castanhas. Sabem a Outono. Fazem-nos reviver Outonos passados... e histórias que a seu tempo serão aqui contadas. Mais que tudo, vão-nos fazer ganhar o dia! Porquê? Por vários motivos. Passo a citar:
- As mãos enfarruscadas permitem que se pinte a cara alguém lá da tasca sem que dê por isso - risota geral (ou quase - o "enfarruscado" nunca acha muita piada);
- Os gases que as castanhas produzem vão fazer com que se ganhe uns pontos preciosos no concurso "cu arrotador" - o Neca vai à frente, logo seguido do Nando;
- Os putos que levam as cascas das castanhas no capucho dos casacos. Só gostava de ver as caras deles (e das mães) quando chegam a casa e atiram o casaco para o sofá...
- Como toda a gente sabe, com castanhas marcha muito bem a bela da jeropiga! Pois bem, eu gosto muito de castanhas, logo como muitas, logo bebo muita jeropiga (sim, sim... também tenho muitos gases - vou em terceiro no "ranking")!

São Martinho é quando um homem quiser... é que agora já hà castanhas congeladas.
Da-se! Um dia destes inventam torresmos em pó (daqueles que é só juntar água - ainda se fosse vinho). "Óh moço, traz-me aí meio quilo de torresmos em pó, um litro de água, uma colher para mexer, dois pães e um quartilho de tinto!"

PS: Voltar a ler o título...

2003/10/17

A matança, a febra e o chouriço! - Parte I

Cozida manhã de Outono... No horizonte, o fumo da neblina daquele raiar do galo matinal.
A velha, com meias pretas, que suavemente lhe tocam as partes reservadas, temperadas com a astúcia secular de invernos passados no recôndito da sua lareira, deambula graciosamente, em manobras rotineiras, com balde de lavagem na mão direita, couves na esquerda...

Nos currais, os coelhos - recebem com graciosidade a frescura verde... Mais à frente, por entre as portinholas seguidas, o abruto chocalhar dos pitos de feira, já despertos, que se agitam ainda mais, na sua sinfonia irritante de sons anímicos, com o aproximar da comida que parece sempre tardar...

Na última porta, sentença final de um grande calvário, mora a personagem desta prosa.

Nesse dia, passa por abstinência, que assim obriga a matança... É o porco de animal, cozedura ou assado, que motivo melhor para encher de gordura o bom bigode farfalhudo....

Horas passadas, e com sol por nascente, parece surgir alguns suspensórios no meio da vegetação... São os senhores que se preparam. Trazem, debaixo de braços, cuidadosamente enroladas em pano manchado, as várias facas de um ofício de artistas.

Preparam com rigor, o banco de deleite, manchado de carvão preto, fruto de usos passados... Na cozinha, as meninas de avental, cozem panelas de água, sobre o lume de lenha, no chão consumido...

De fora chegam grupos de gente, de idades várias, entre putos curiosos, aos reservados familiares, que nas suas palhotas de cesto, fazem transportar a broa de cozedura fresca, e o melhor das colheitas de vinho do Setembro recente.

Depois do trocar de comprimentos, tempo para anedotas várias... Riso generalizado, enquanto se forma a comitiva. Junta-se o melhor da frescura em cinco homens de corpo avantajado... O mais novo ainda carrega borbulhas várias, que de outra experiência parece necessitar...

Seguem trajecto pelo quintal vasto, por entre couves e tomatais devidamente estacados, carreiros corridos e alinhados, que no bagaço do pequeno almoço, serve de orientação à porta do aido.

Mais duas de treta corrida, enquanto se agrupam na porta... Combinam uma estratégia decorada. Dois entram com cordas em punho... No foucinho o fazem segurar... O animal parece ter muita genica... Talvez tenha passado num mês, a sua altura de matança...

No lombo de presunto, dois são o que o empurram, enquanto os restantes, pelas duas pontas da corda, o tentam encaminhar para o banco.

Coices em seco, o carreiro não os parece enganar, que de perdidos no quintal, só da força do bicho, o parece transmitir...

Chegam por fim ao alinhamento do banco, que sobre ele, o tentam deitar, por força de braços, o animal quase extasiado...

Força nas cordas, que de excesso de confiança, fica remetida a dois homens... Na retaguarda, outros dois abraçam as pernas, que em sofrido movimento lutam para o erguer...

Lá ao perto, as mulheres vão chegando com as panelas quentes e alguidares vários, em fila organizada, na sua ordem combinada...

O ancestral, desvenda, por entre o desenrolar dos panos vários, a faca da matança, que ajuíza a afinidade, e com ela tempera o gume e afia o desejo.

Suados de raiva pelos movimentos do animal, os jovens fazem descair os suspensórios, aglutinam raivas passadas, e juram vencer a batalha... Mas, para o cenário montado, a palha amontoada a um canto, faz escorregar um dos obreiros... A sua penca enfia-se sem hesitação por entre o rabo contorcido do animal.

Enquanto pestaneja a maleita, as cordas ficam pendentes com o espanto, e o animal sai desvairado do cenário... que de adivinha parecia premeditar o seu fado... Corre pela quinteira, derruba a comitiva de senhoras, e enche de pânico as restantes, que no seu desespero largam salpicos de água e louça, pela passagem rápida...

No trote dos cascos, corre pelo quintal, desvairado, levando o alinhamento, e a tomatada, que sem regras, parece o animal possuído... galga meio muro, e segue a destruição...

Lá longe, um dos homens lava a cara em água escaldada na tentativa de tirar o cheiro da ponta da penca... Queima-se, e mais inchado fica, que muita luxação já tinha da bebida...

Os restantes quatro seguem como necas a abanar, para o tentar desviar das plantações organizadas...

Já o bicho se encontrava mais calmo, regalando-se com os nabos que arranca em série do fundo da terra quando, com ares extasiados, chegam os heróis em banda dispersa. Tentam-no cercar... mas os olhos miúdos não se deixam consumir, e de arena se faz o recinto, pois de séries seguidas de fintas, os fazem todos aterrar por terra...

Enraivecidos, os homens reorganizam-se... Sentam-se numa sombra e contemplam o porco à distância. É servida meia côdea a cada um dos presentes, dois pasteis de bacalhau, e uma vintena de malgas de vinho - sob a forma de dois garrafões de tinto.

No cruzar de olhares, a relação criada entre quem não manda, e quem não quer ser mandado...

O sol curtia meia distância entre o amanhecer e o meio-dia. O grupo de valentes interrogava-se sobre a hora, que por altura, já devia ser de limpeza... E sonham com os chispes e dobradas bem cozidas... Pois, se de força era a besta capaz, bom paladar teria de trazer à mesa, por certeza!...

Nova meia hora passou até que, possuídos por uma sorna invulgar, a trupe de matadores se deixa adormecer na sobra da macieira seca...

Nem o gizado do barulho ensurdecedor da matilha de putos que se devertiam em redor do porco os fez acordar...

Na Eira, as mulheres preparam o almoço, enquanto trespassam novamente os paus de marmeleiro, ou "vira-tripas", pela água fresca, que de pó já se fazia notar as suas pontas...

No pasto longícuo, o chefe acorda, com a faca da matança cruzada sobre o peito, com o barulho de mais uma passagem do porco que chiava aguçado, pelo facto de transportar no lombo, um dos miúdos divertidos...

É o alerta geral, que na missão se fazem todos despertar...

Sem regra, seguem o encalço... mas rapidamente se cansam, pois longo parece ser o caminho que, nesta perseguição sem rumo, os fazem abandonar novamente o destino do dia...

Enlameados e humilhados, seguem afiando os bigodes, de reencontro ás mulheres...

Sentam-se refastelados nos bancos de madeira, enquanto são servidas couves e batatas cozidas, que de guarnição parecem eles contentes, pois de mais nada fora o preparo da refeição, a não ser do Porco que não fora morto, juz de carne que falta...

Mas a boa pinga depressa os remeteu ao esquecimento, e à sonolência... E depressa se sentaram em jogos de sueca seguidos por intervalos de sesta animada...

No fim a promessa, de que no termo da semana que começa, a vingança seria realizada... e de tripa lavada se iriam regalar as mulheres, e de rojões quentes se iriam saciar os homens...

2003/10/16

Contrafacção algo realmente interessante.

Ora biba, chegado aqui à obra (Estádio para o euro 2004, em Aveiro) depois de um almoçito na tasca da TiMaria em Mataduços. Depois das belas das fanecas fritas, do arroz de feijão e dos três copos de tinto. Não se pode ingerir bebidas alcoólicas em demasia, os andaimes são altos para ca#$"#$. Dei por mim a pensar em algo Português*, e o principal motor da economia nacional ...

A Contrafacção.

A contrafacção, consistindo na reprodução ou imitação de forma fraudulenta de um bem, com prejuízo do autor ou inventor e também com prejuízos evidentes para o Estado, vem justificando uma acção sistemática por parte desta Inspecção-Geral.

Não existe nada mais bonito do que um gajo ao domingo à tarde, pegar na cachopa, e ir por exemplo, à Tocha ver as calcinhas Lewi's Fashiun. O Polozinho Rafael Louren (ou Lourenço), o cinto de couro dos marroquinos, as sapatilhas Retruck (que são contrafeitas por uma marca Amaricana a Reebok!)...etc.

Eu pessoalmente tenho a dizer-vos que sou totalmente a favor da legalização da contrafacção. Não existe nada mais triste do que um Neca estar na feira, e aparecer uma comitiva de policias, e ver os vendedores (gente boa e trabalhadora) a fugir pela feira afora.
Mesmo quando um tipo estava a regatear a camisinha Saccur por 15 Euros. E o coitado do vendedor (gente boa e trabalhadora) desata a correr em frente do GNR Barrigudo! É motivo para um gajo dizer:

Dasse!

* Existem outros países que contrafactuam (palavra bonita), mas meto as minhas unhacas pretas no lume em como os Portugas, foram os primeiros.

Quem paga a próxima rodada??? Nando???

2003/10/14

Lendas do Nosso Portugal Popular - I

Inicio aqui uma nova rubrica do Popular Português. Baptizei-a de "Lendas do Nosso Portugal Popular". Para começar, nada melhor do que escolher um simbolo que representa quase como nenhum a faceta popular deste país à beira-mar plantado: O Galo de Barcelos.

Segundo a lenda do Galo de Barcelos, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.

Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.
Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz.
Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a São Tiago.


PS: Será que não estava toda a gente com um bebedeirão danado e julgaram ouvir o galo cantar, quando na realidade era um puto a dizer que tinha sujado as calças: "cóco.. (fiz) cócó"?

Da casa de quem?

Ando confuso. Das várias tascas que fazem parte do meu curriculo, cerca de três (dúzias) delas têm como "oferta" o "famoso" (ou não) VINHO DA CASA.
Isto cria-me alguma confusão...
Primeiro: O vinho é da casa de quem? É o dono da casa que estabelece o preço do tinto?
Segundo: Se o vinho é da casa, ninguém devia poder "ficar" com ele, certo?
Terceiro: Vinho da casa? Mas o vinho não é das uvas?
Quarto: Porque é que o vinho da casa é diferentes de tasca para tasca? O "Teobar Tinto" é igual em todo o lado, carago!
Quinto: Normalmente é mais barato que os outros, ainda que nem sempre seja pior. (?)
Sexto: Porque é que às vezes é apresentado em garrafas sem rótulo, com uma "rolha" de plástico e vem a pingar água? Será vinho em pó ao qual se adiciona água? Ou será vinho "líquido" ao qual se adiciona água?
...
Oitavo (lugar da Superliga): SLB >:)

São estas dúvidas que atormentam por agora a minha mente... bem, que se lixe! Vou ao Quinquilhas beber mais um copo três.

2003/10/13

A Ressaca durou uma semana...

Caro Povo de Portugal, é com muito orgulho que passo a frequentar A TASCA mais popular e portuguesa do universo. Desde há algum tempo que passo em frente deste estabelecimento comercial e sinto o cheiro a suor misturado com o tinto carrascão das malgas que nunca viram nem Super Pop, nem outro detergente qualquer. Estava ansiosamente à espera de conseguir entrar... mas depois de entrar e da entornização foi tal a bubadeira que durou uma semana para curar. Ainda sinto o sabor na goela do "Casa de Santar", que nos acompanhou neste evento.
Como qualquer homem (ou foneticamente falando, ômme) que se preze, ao entrar numa tasca de elevado nível, a primeira coisa que faz é pagar uma rodada à malta. A meu pedido saíram alguns traçadinhos de ponche para o pessoal. Passo então a apresentar-me:

Nome: António Meireles Pompeu (Meireles do lado pai, e Pompeu do lado da mãe), isto porque o meu pai Inácio Joaquim Meireles, apanhou tamanha bubadeira que quando me foi registrar trocou a ordem.
Profissão: Já tive várias: aos 12 anos era Ardina em Coimbra, aos 18 tocava concertina no banda filarmónica do Entroncamento, já fui empregado de mesa (mais conhecido por OOOOHhhfaxeAvor, fui despedido por coçar os tomates em frente da clientela) e actualmente sou pedreiro a trabalhar no estádio do Euro 2004, em Aveiro. Digamos que sou um jogador polivalente.
Clube de Futebol: Tigres do Zêzere

Um grande abraço,
E até à próxima rodada.

António Meireles Pompeu - "Neca"

Ouvido de passagem

Agora que o Outono já se mostra nas suas verdadeiras cores e que parece que os dias frios chegaram para durar lembrei-me de uma pequena história que já passou há uns anos. Foi daqueles episódios que só no nosso país de coloridos populares portugueses poderia acontecer. Estava um dia de Outono frio e um casal de idosos seguia à minha frente pela rua fora.

Ele: Foda-se! Tá um frio do caralho!
Ela: Tá, tá! Cum filha-da-puta!

Este momento de doce candura trouxe-me uma lágrima ao canto do olho. Ah grandes e populares avós deste país!

2003/10/10

As imagens da Primeira Entornização

Amigos populares, já estão disponíveis as imagens da primeira cerimónia de entornização! Agora já podem ver ao vivo e a cores todo o ritual e beleza que envolve esta cerimónia: a "entornização" do vinho tinto na camisola oficial, o molho dos rojões e a entrega do palito.

Entornização do Hermenegildo Baptista
Entornização do "Popular Português Ainda Sem Nome"
Entornização do António Meireles Pompeu
A foto de grupo

O resto da reportagem fotográfica estará nas bancas no número deste mês da revista "Begueiros & Carroceiros"

2003/10/08

Afinal eles também são tugas, carago!

Eu sabia! Eu sabia! Debaixo daquele exterior intelectual de amante apaneleirado dos ingleses, bem lá no fundo, eu sabia que havia um pequeno tuga há espera de soltar o seu grito de revolta. E finalmente hoje aconteceu!
Então não há que o país está todo em polvorosa porque o Rio Ferdinand não foi convocado para a selecção? E tudo isto só porque se "esqueceu" de comparecer a um controlo anti-dopping? E que os coleguinhas também estão todos solidários e querem boicotar o próximo jogo da selecção?
Ah pois é! Não se fala de outra coisa nos jornais e televisão. Quais Guerra do Iraque, quais David Kelly, quais quê! Um cientista inglês ganhou o Prémio Nobel da Física? Eles querem lá saber! O que os ingleses querem saber é porque é que não abrem um excepção (daquelas que só mesmo à tuga!) e deixam o moço ir na mesma ao jogo que ainda por cima é decisivo!
Isto agora, para ser melhor do que cá, só faltava mesmo haver umas pegas à mistura ou um jogador aos murros com o seleccionador. Era perfeito!

2003/10/06

Os "inhos" de Portugal

Aouuuuuuuuuuu! (1)

Há uma coisa que me incomoda neste Portugal: colocamos diminuitivos em quase todas as expressões que utilizamos - "inhos".
O Portuga nunca emprega uma palavra simples quando pode utilizar um diminuitivo. À mesa é o arrozinho, o bifinho com batatinhas, a saladita de pimentos. Vamos a um restaurante mais chique e pôe-se o empregado gay a dizer: "Ora...a especialidade da casa é a vitelinha assada no forno, regada com um molhinho de cogumelos, com umas batatinhas alouradas e uma folhinha de louro para dar aquele soborzinho especial. Ah....para sobremesa uma moussezinha de chocolate, pode ser???" Pode ser o car..... lá pró pane.... Da-se!
Bom!!! Em férias, são as casinhas, o solinho (ou mais para Norte o solzinho), uma suequinha, uma sonecazinha na praia e sobretudo, meus amigos, o tradicional: FININHO. Ahhhhhhhhh (hic). Já agora para os lados de Lisboa dizem Imperialzinha???
Esta bela característica do chamado patriotismo do Portuguesinho consiste em supor convictamente que tudo o que há nos outros países é pior do que em Portugal, ou - sempre na maior das boas intenções e das ignorâncias - melhor, mas pior. O melhor, mas pior é a maneira do Tuga contestar as evidências estrangeiras com o argumento de que está bem, pode ser melhor, mas no fundo o que é isso, sem o nosso tintinho, o nosso calorzinho e a nossa gentinha?
Mas uma coisa é certa.... não há nenhum país no mundo que tenha uma cultura como a nossa!

(1) - Expressão, termo, forma, mania, estupidez do Tuga saudar ou chamar outro Tuga quando o encontra na "bola".

Um novo TUGA!

Ora viva!

É ainda bastante emocionado que passo a fazer parte desta comunidade lusitana, que tem vindo a recriar uma cultura e um espirito nacional próprio.
Ainda está fresco na minha memória, o momento, as palavras ditas, a cara de espanto dos presentes, o cheiro ao vinho (boa pinga por sinal), a côr gordurosa dos rojões e o palito partido ao meio, que fizeram parte dos 5 minutos mais deslumbrantes da minha vida....ou não!! Agora faço parte desta trupe e por vossa sorte (ou azar) irei começar a partir de hoje a mandar os meus bitaites e caralhadas.
Ser portuga é ter a qualidade inegável de poder dizer seja o que for, em qualquer local e de preferência em voz alta para que todos os que se encontram à volta possam ouvir. Se estiver um sociologo por perto irá pensar: “Curioso! Este personagem parece ter um caracter e uma personalidade forte. É extrovertido e parece ser uma pessoa muito confiante. E bla..bla..bla”. Se houver um Tuga dirá para si: “Foda-se pró gajo. Num se cala!! Um gajo aqui a tentar ouvir o relato da bola com um mini-aparelho com auscultadores, com as pilhas nas últimas e ainda tem que levar com este? Se bem que lhe dou um pouco de razão. A mulher num tem nada que lhe dizer que tem que ir ao “marchê” na hora em que o FCP tá a jogar nas Antas uma partida importante para a SuperLiga. Há limites!!”
Seja como for, só tenho a agradecer a minha promoção e prometer ser fiel e ser...Tuga.

Até breve!

Hermenegildo Baptista - “Mene”

Primeira Entornização!

Foi com muito orgulho e com uns pratos de pataniscas e copos de tinto à mistura que o Popular Português acolheu no seu seio três novos membros.
A Entornização consistiu no baptismo com vinho tinto e na entrega do palito oficial.
A todos e a eles em especial um grande abraço e uma malga de tinto carrascão.
Que os posts deles contribuam para a divulgação da cultura popular portuguesa (e para umas risotas à mistura).

2003/10/01

Atentado à moral e bons costumes...

O castigo imposto pela Comissão de Disciplina da Liga ao Costinha atenta contra a moral e os bons costumes do povo português!
Meus amigos, é um BLOGUISTA ultrajado que vos fala.
Então não querem lá ver que agora um gaijo já não pode acomodar ou dar uma coçadela na "fruta" quando bem quer e lhe apetece?!?
O rapaz marca um golo - como alguns artistas da bola dizem: "marcar um golo dá uma tusa do caraças!" - logo, é natural que ele sinta a vontade de dar uma aconchegadela no escroto!
Toda a gente (excluem-se do significado desta palavras alguns "ligueiros") sabe o bem que sabe dar um jeitito ao material. Sendo assim, porque castigar um homem que tem a coragem de o fazer em público, evocando assim uma das mais antigas tradições do macho português?
Qualquer dia um gaijo é multado por coçar o rabo, ou passa a pagar imposto proporcional à quantidade de cera que saia na unhaca depois duma limpadela ao pavilhão auricular. Da-se!... Tou que não posso! Mas compreende-se, os gaijos não têm tomates, logo não sabem o bem que sabe!
Que logo o Costinha possa coçar a fruta ao pé da claque do Real.

Pataniscas a todos.

PS: Pelo menos ficamos a saber que o homem "os" tem no sítio.

2003/09/30

Profissões do meu paí­s

Hoje espero aqui inaugurar uma nova secção no Popular Português dedicada às profissões populares do nosso país e que, por força do inevitável "progresso", foram desaparecendo. São agora profissões consideradas extintas e estão remetidas a alguns livros ou meros registos e ao imaginário de alguns mais saudosistas.
Nas minhas pesquisas por aí fora descobri esta referência interessante (no Minho pois, claro!) a algumas profissões já extintas do nosso país e que, infelizmente, também para mim já só fazem parte do meu imaginário literário. É, no entanto, com muito prazer que ainda temos entre nós algumas pessoas que recordam e contam histórias na primeira pessoa de cada uma destas artes: o guarda-soleiro, o latoeiro, o molhelheiro, o colmador e o soqueiro.
E vem esta história toda a propósito de quê? Pois bem, hoje de manhã tive uma pequena surpresa. Cá no meu burgo bracarense ainda continuam a existir guarda-soleiros! Bem, já não são daqueles à antiga com a carroça do burro mas uns mais modernos (os únicos que conheci) com a sua Zundapp ou Famel e com o amolador de facas atrás. Andava eu ainda de olhos entreabertos pela casa quando tive o prazer de ouvir ao longe esse som inconfundível da gaita de beiços de um guarda-soleiro. Quando saí já não o consegui ver mas o som lá continuava ao longe enquanto se afastava para outras paragens.
Todos os anos é assim. Chegam as primeiras chuvas e lá vai ecoando pelas ruas do bairro a música do guarda-soleiro que já ouço desde que me conheço. Quando deixar de a ouvir a minha pequena perda pessoal será grande mas a do país e da cultura e identidade nacional será maior. Enfim, coisas do "progresso".

2003/09/29

Caralhadas e mais caralhadas!

Tenho uma grande alegria para partilhar convosco! Ainda há homens de barba rija que sabem que o uso do calão (vulgo caralhada) é uma das maiores riquezas do nosso léxico. Ainda por cima, e como obviamente não podia deixar de ser, são homens de Braga.
Aqui, no "Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas" podemos ler:

"Acreditamos que as expressões idiomáticas e o calão são uma parte nobre e rica da lí­ngua Portuguesa. Ao mesmo tempo que inclui verdadeiros tesouros, este domíno é frágil e muitas vezes os termos têm um tempo de vida curto."

Ora e o Popular Português não podia concordar mais! É sempre um bom exercício recordar algumas daquelas palavras que tanta cor dão ao nosso carroceiro discurso e que fomos esquecendo com o tempo.
Respondendo ao apelo do Dicionário para a colaboração de todos, o Popular Português não podia deixar de dar uma mãozinha a tão nobre esforço e promete já aqui uma colaboração regular. Para começar, e porque não somos homens de promessas vãs, iniciámos já a nossa modesta contribuição, com o mais bracarense de todos os insultos: "begueiro".

Ó meus gandas begueiros! Tão à espera de quê? Vão até e contribuam com mais umas caralhadas!

2003/09/23

Já temos tabuleta!

Pois é, meus amigos. Finalmente chegou a nova tabuleta da nossa tasca. Já cá fazia falta! E o que é havia de representar melhor cá a casa do que a mais popular de todas as imagens portuguesas? Pois só podia ser mesmo o Zé Povinho, essa criação de Rafael Bordalo Pinheiro, um dos mais nobres artistas lusos e que representa o tuga que há em cada um de nós.

TOMA!

"O" Almanaque!

A "posta" de hoje é dedicada ao Verdadeiro Almanaque (é assim que a editora o intitula - e bem).
O Borda D'Água tem um reportório útil a toda a gente e contém todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral.
A Editorial Minerva disponibiliza-o pela módica quantia de 1,1€ - lá vai o tempo em que custava 10 tostões.
O Borda D'Água apareceu como a primeira (e talvez única) "revista" que se pode permitir que um homem leia. Tudo o resto são hinos à rabichice e aos bons costumes (exclui-se do lote de revistas referidas a Playboy, Penthouse, Gina, Tânia, etc...).
Curioso é o facto do Borda D'Água manter desde que me lembro a mesma capa. Na realidade, as únicas mudanças são o ano de publicação, o calendário e o preço (infelizmente).
Apesar da sua impressão a preto-e-braco, este almanaque continua a ser um sucesso, principalmente graças aqueles que como os membros do Popular Português se empenham em manter vivas as antigas tradições portuguesas e as malgas de vinho ora cheias ora vazias.
Sai mais um quartilho em honra do Borda D'Água!

Borda D'Água 2004

2003/09/17

São homens do norte, carago!

Hoje li uma notícia no jornal (no JN, pois claro, que é cá do norte!) que muito me alegrou. Finalmente o nosso país vai prestar a homenagem merecida a esses grandes popular portugueses que são os tocadores de concertina. Não resisto a citar este recorte da notícia:

Tocador de concertina que toca com paixão, nem que tenha fome ou sede... não se importa!" Uma máxima seguida à risca em casa da família "Cachadinha", que sempre viveu de roda do instrumento. "Nem que deva dinheiro, porque isto é uma felicidade", garante José, filho de Joaquim Cachadinha, um dos mais emblemáticos tocadores de concertina de que há memória no Alto Minho. Em casa não havia fartura e, "para alimentar os onze filhos, o meu pai pegava na concertina, cantávamos todos e a fome passava", conta, sorrindo.

Onze filhos! Ah, grande homem!

Felizmente para nós, esta grande tradição nortenha vai ser agora imortalizada pela autarquia de Ponte de Lima e pela Comissão de Festas das "Feiras Novas" num monumento em granito, a inaugurar hoje à noite no Largo de S. José, no centro da vila.

O Popular Português não pode também deixar passar em branco o nome de Artur Fernandes, mentor do grupo "Danças Ocultas". Este quinteto de concertinas reconhecido internacionalmente tem levado o som do Alto Minho um pouco por todo o mundo. É de homens destes que se faz a cultura popular do nosso país.

2003/09/16

Minis e rotices do género...

De algum tempo a esta parte que o nosso país (Norte de Portugal) vem sendo inundado com cartazes alusivos áquela que pode ser considerada a nona merdabilha do Mundo.
Obviamente, falo das tão afamadas-no-Sul "Minis". E o que são estas Minis?
Hipótese A:
Trata-se de uma miniatura que pode ser coleccionada. (coisa de rôto)
Hipótese B:
Quantidade de alcoól máximo que um Mouro pode beber sem levar uma carga de porrada da mulher. (se bem que acaba sempre por apanhar)
Hipótese C:
Amostra de mijo de burro para análise. (com gáz)
Hipótese D:
Todas as anteriores.

Pois bem, eu escolho a última hipótese. Para mim Minis são mesmo coisas de rôto. Macho que é macho bebe cerveja! E não incluo a famigerada marca que enche de mijo de burro as Mini-garrafinhas no lote de bebidas-chamadas-de-cerveja... mas adiante! 33cl é que é!

Já estou a ver: entra um estranja (um gaijo de um daqueles bairros de Lisboa) no Tasco do Quinquilhas e pede uma Mini. O Quinquilhas pede para repetir porque não percebeu. O estranja repete e o Quinquilhas também... estão nisto cerca de meia-hora até que o Quinqas manda: "Óh filho da puta, pede o que queres beber ou passa-te ao 'fresco'!".

Isto das Minis (se existisse a Mini Superbock) até tinha piada, mas apenas porque permitia beber mais do que os tradicionais 33 cl de uma vez. Bebendo duas sempre marchavam mais 7 cl do que o costume (é fazer as contas)...

Além do mais não nos podemos que esquecer que a Mini(e) ficou famosa por ser uma rata, de maneira que um gaijo nem tem a certeza de por onde é que as garrafinhas andaram!

Glu... glu... glu... ahhhh!

2003/09/12

Emanuel, és o MAIOR !!!

A emoção ainda me faz tremelicar a mão enquanto escrevo estas linhas... Mas tenho de vos contar os acontecimentos de um dos dias que ficarão para a história do Popular Português !!!
Tudo aconteceu ontem a propósito de um ajuntamento da malta para uma pequena confraternização à volta de um porco bem aviado... Como Populares atentos que somos, chamou-nos a atenção a organização de uma Feira de Artesanato e Gastronomia em Famalicão e resolvemos, por uma vez, sair do Tasco do Quinquilhas e atacar lá para os lados de Famalicão, terra de boas gentes e boas tascas !!!
Após nos reunirmos todos, como é óbvio, junto à primeira bica de cerveja que por lá encontrámos, fomos então à procura de um tasco onde pudéssemos assentar arraiais e desfazer um belo de um porco... Nada melhor que a "Tasca Rasca", que apesar de ostentar este nome, exceptuando o branco e o tinto à jarra (esses sim de acordo com o nome do estabelecimento), realmente era uma tasca de qualidade.
Ora meus amigos, se até aqui a noite já ia bem encaminhada, que dizer então quando começámos a ouvir os primeiros acordes do "Pimba, pimba" desse monstro, dessa figura incontornável da Música Popular Portuguesa que dá pelo nome de Emanuel !!!
Ó meus amigos não tenho palavras para descrever o magnífico e profissionalíssimo concerto dado por este mestre em que revisitou temas tão conhecidos como "Toma, toma", "Vamos a elas", "Romarias de Verão", "Felicidade" e o já referido "Pimba, pimba" entre muitos outros grandes temas...
Mas o melhor (ou como se costuma dizer, a cerveja em cima do bolo) estava reservado para o fim, pois terminado o concerto o grande artista (não o do Sporting que esse é artista é a atirar-se para a piscina) revelou-se uma pessoa acessível e extremamente simpática e esteve bastante tempo a confraternizar e a dar autógrafos aos seus inúmeros fãs. E foi precisamente aí, meus amigos, que EU consegui chegar junto do Homem e dar dois dedos de conversa com ele, enquanto ele me dava um autógrafo DEDICADO AO POPULAR PORTUGUÊS !!!

Ora, depois disto, que mais posso eu dizer, senão louvar este grande Senhor da Música Popular Portuguesa e desejar-lhe as maiores felicidades e sucessos futuros em todos os seus empreendimentos.

Emanuel, obrigado por tudo o que nos tens dado ao longo destes anos e como tu próprio dizes "Felicidade, felicidade" !!!

2003/09/11

Eles andem aí...

Hoje é dia 11 de Setembro! Pois é... este dia ficou para sempre marcado na História devido a um acontecimento que teve repercussões a nível mundial. Poucos esperavam que este acontecimento acontecesse (passo a redundância) neste dia, mas a verdade é que houve um homem capaz de tornar este dia memorável. Falo-vos, obviamente, do Quinito (o nome diz tudo - é dos nossos, carago!). O Quinito "lançou" para a fama no dia 11 de Setembro de 1988 esse grande guardião de seu nome Vitor Baía. Amado por uns (larilas), admirado por outros, tem dados provas de ser um grande jogador e um grande homem (daqueles com "O" grande). Parabéns Vitor!
Mas hoje falo de um outro acontecimento. Falo de algo que me provocou uma revolta imensa. Algo que me virou as tripas do avesso. Que me fez pensar se bebia mais uma bejeca ou se parava nas quinze! Então não é que os gaijos do Chipre agoram estão com a mania que são finos (antes fossem - sempre davam para beber)? Anda aqui um gaijo a divulgar a cultura portuguesa, a querer chamar a atenção dos portugueses para o homem popular que existe dentro de cada um de nós (salvo seja) e chegam-me este cipriotas trólarilas e estragam a vida a um homem? Da-se!
Agora, no Chipre, os taxistas foram "aconselhados" a não mostrar as medalhas que trazem ao peito (sacrilégio), a "tapar" a barriga (sem comentários) e a andar sem calções (querem que andem como? com a fruta à mostra?). Isto requer medidas drásticas! VERDADEIROS, juntem-se a nós nesta luta. Juntos seremos capazes de chamar estes tipos à realidade.
A manifestação terá o seu ponto de partida no Tasco do Quinquilhas. Depois da bejeca e da patanisca, partiremos rumo ao Consulado (gostava de saber quem é que o "consolou"). Lá faremos ouvir a nossa voz. A uma só voz arrotaremos: "Taxistas cipriotas, calem esses idiotas! Mostrem que são populares!".
Companheiros, caralho, juntem-se a nós!

PS: Como é que esta medida é possível? Só mesmo vindo dum país com o nome de Chipre, facilmente confundido com Chifre!

2003/09/10

Voltei, voltei, voltei de lá...

Pois é meus amigos, parafraseando esse nosso grande ídolo da música ligeira portuguesa de cariz popular, ainda ontem estava de férias e hoje já estou cá! Bem... por acaso já cheguei de férias há mais de uma semana mas como o patronato é do caraças pôs logo aqui o proletário a bulir em grande forma! Hoje mandei o trabalho às favas e cá estou eu para vos atirar mais uns bitaites.
De tantos acontecimentos das últimas semanas tinha que escolher só um para falar e tinha que ser um que apelasse ao coração do verdadeiro que habita em todos nós. Algo da maior importância para todos nos populares portugueses. Alguma coisa que nos fizesse parar e ponderar. Foda-se! Tinha que falar da Selecção!
Eu... porra!... Caralho!... Eu nem sei... foda-se! 3-0 dos cabrões dos espanhóis?! Foda-se... mas que... eu ainda nem estou em mim! Chiça! Como se já não bastasse esses caralhos andaram a invadir o nosso Portugal com as Zaras e Cortes Ingleses e mais o caralho a quatro nós ainda os deixámos vir cá, desfalcados e a jogar a feijões, para nos enrabarem. Caralho, eu até sou gajo que nem diz muitas caralhadas mas durante aquele jogo... foda-se lá o caralho, ah puta que os pariu! E andamos nós a pagar 40 mil contos (tou tão atazanado que nem sei quanto é em euros!) aquele pascácio para por a nossa selecção a fazer aquela figurinha! E os pascácios-mor dos nossos jogadores, idem! Ide mas é trabalhar para as obras, malandros! Anda um gajo a moirar toda a semana sabendo que no fim-de-semana vai ter o prazer de poder mandar foder uns espanhóis e vocês fazem-nos uma filhaputice deste calibre? EU ESTOU DOENTE!
Nem sei se hei-de ver hoje mais outro triste espetáculo ou não. Enfim... ser tuga é ter capacidade de sofrimento. Hoje lá estou outra vez em frente à televisão. Vós ganhai, carago! Nem que seja com um golo com a mão como os putos fizeram ontem à Inglaterra... aos 7 minutos de desconto... num lance precedido de falta... e que a bola nem sequer tivesse chegado a entrar mas ganhem carago!

2003/09/02

Rai's Ma Parta

É verdade... rai's ma parta!
Então vai um gajo daqui ao Mónaco ver o clube do coração perder?? Chiça! Porra! Da-se!
Findo o desabafo, resta pensar no que de positivo esta deslocação proporcionou. E passo a citar:

  • Aportuguesámos o Mónaco (arrotos, farpas, bisgas no chão, lixo)
  • Comemos leitão, presunto, queijo e pão em tudo que era estação de serviço de Portugal e do Estrangeiro
  • Bebemos cerveja, vinho branco, vinho tinto e uísque
  • Andámos 3600 kilometros com as mesmas meias e cuecas
  • Deixámos tudo o que era gás espalhado por Espanha, França e Mónaco
  • Vimos belas coisas (mas nada como em Portugal)
  • Tivemos oportunidade de assobiar o Rui Costa
  • <CENSURADO>

Posto isto (e os óculos) que se lixe a bola! O que interessa é que foi um fartote!
E que lindo foi ver o Mónaco "inundado" com "Verdadeiros"... aquilo era migalhas de pão e espuma de cerveja nos bigodes, t-shirts caviadas a cheirar a sebo, gajos vestidos de fato de treino e sapatos... Um outro Mundo... ou o nosso Mundo num Mundo diferente.


PS: Lindo, lindo foi chegar a Portugal e ir comer a uma tasca a sério (que saudades). Mal nos sentámos e pedimos pão, vinho e cerveja as moscas que habitavam naquelas bandas começaram a sobrevoar a mesa, a poisar no pão (que belo sabor deixam) e a cairem dentro das garrafas de tinto.

2003/08/27

Dia de jogo

Sexta-feira, dia 29 de Agosto. Dia de jogo! E que jogo que vai ser...
A “armada” já se organizou e parte já se fez à estrada. Os que ficam partem amanhã rumo à mítica cidade do Mónaco.
Na bagagem segue um presunto, um leitão, pão e duas grades de cerveja. Era só o que faltava um gajo arriscar-se a ter de beber cerveja estrangeira! Até parece mal chamar àquele “mijo de burra” cerveja, mas pronto...
O plano está traçado... a “armada” junta-se a meio da tarde rumo à tasca “monasquina”. Se não houver, abre-se a mala do carro e improvisa-se uma tasca bem à portuguesa mesmo ali.
Depois vem a hora do jogo. Portuga que se preze não deixa que os larilolés dos estranjas se cheguem na hora da fila para entrar para o estádio. Pelo sim pelo não mandam-se dois valentes arrotos (daqueles que cheiram a alho) e uma farpa (com cheiro a couves podres). Posto isto, temos o território marcado!
Começa o jogo. O pessoal espera que o intervalo chegue para beber mais uma buba. Então mas isto nunca mais acaba? Estou a ficar cheio de sede...
Termina o jogo. Espera-se que seja a nossa equipa a ganhar. Se assim for, faz-se grande festarola e bebem-se uns valentes copos... Se não for (toc toc toc) bebe-se para esquecer... ou até esquecer.
Até depois do jogo!

2003/08/25

Agosto

Agosto é o meu mês preferido.
Mais do que nos restantes meses, os encontros com os amigos (leia-se companheiros de copos) são mais frequentes. Há sempre meia dúzia de rapazes do meu tempo que voltam de fora (a maioria de França), o Quinquilhas vem lá do Sul, o Caga-Tacos anda mais animado e aparece mais no jogo e o Grande consegue beber mais ainda que no resto do ano.
Nos ajuntamentos diários o pessoal fala dos tempos passados, discute-se a bola, criticam-se as sogras (raios me partam que não tenho sorte nenhuma na vida), come-se uns ovos cozidos e bebe-se umas cervejolas.
Agosto tem mesmo o seu “quê” de mítico. Todas as grandes músicas dos artistas populares referem este maravilhoso mês. Todo o emigrante tira férias em Agosto. Os grandes Arraiais e festas populares são em Agosto. A praia é melhor em Agosto (praia faz muito bem aos putos... e sempre nos dá a oportunidade de beber uns canecos numa daquelas esplanadas “à beira-mar plantadas”).
No princípio do mês entra Agosto... no fim do mês sai Agosto... Agosto é que se quer! Agosto é quando um homem quiser!

2003/08/19

Férias... Peripécias da viagem !!!

Tenho ainda frescas na memória as imagens que vi nas nossas estradas, este ano, como em qualquer outro e que me deixaram feliz ao perceber que não estou só na tentativa de manter tradições ancestrais que já vêm, pelo menos, desde os tempos dos nossos pais.
Relembro com saudade os meus tempos de meninice e toda a excitação que rodeava o dia da viagem... Hoje sou eu que procuro passar os acontecimentos deste dia tão especial aos meus putos e agora também a todos vocês na esperança de que vos traga as mesmas gratas recordações que a mim me traz.

Tudo começa manhã cedo - de forma não só a fazer-se a viagem pelo "fresquinho" (isso de carros com ar condicionado é para rotos, e mesmo que, por acidente, o tenham instalado é melhor não ligar para não gastar) mas também a partir-se antes dos outros (eu não devia dizer esta parte, pois vocês vão começar a fazer a mesma coisa e fazer-me chegar mais tarde, aliás desconfio que alguns de vocês já o fazem) - com a complicada actividade de fazer caber dentro do carro todo o conteúdo de uma casa de dimensão média, incluíndo, entre outras coisas, televisão, espreguiçadeiras, a cama de rede, um barco de borracha, a cana de pesca e respectivo equipamento, dois ou três putos com demasiadas energias, o cão, o gato, o periquito e o peixinho dourado da miúda mais nova.
Após alguma transpiração e visto que já passa do meio-dia e não queremos cair em fraqueza a meio da viagem nada melhor que fazer uma pausa para descansar um bocadinho, almoçar e seguir viagem (não sem antes ter malhado três ou quatro cervejolas para repôr os líquidos - a desidratação é sempre um perigo a considerar).
Posto isto, fazemo-nos à estrada. É natural que a viagem demore algum tempo, pois os 55 cavalos da viatura terão alguma dificuldade de subir acima dos 160 Km/h devido à carga que deve ser calculada de forma a que o pára-choques traseiro não esteja mais de um palmo acima da estrada, para manter a estabilidade.
Para além deste importante pormenor de segurança faço-vos apenas mais duas recomendações. A primeira é que tapem completamente o vidro traseiro do bólide, de forma a que quem vem atrás não consiga espreitar para dentro do carro e a segunda é que, no caso de apanharem filas, se mantenham sempre bem juntinho ao carro que vai à vossa frente não só para que não percam o vosso lugar na fila para algum espertalhão (claro que sempre que tenham vocês a hipótese de ganhar uma posição não podem hesitar), mas também para que mais rapidamente se apercebam das travagens e acelerações dos restantes pilotos.

Seguindo estas pequenas recomendações acredito que sem dificuldades chegarão ao vosso destino e ficarão também com belas recordações para contar a toda a gente.
Sendo assim, por agora, resta-me apenas desejar-vos Boa Viagem !!!

2003/08/18

Férias...

Ora vivam, caros amigos...
Regressei recentemente de umas pequenas férias e como tal ainda estou um pouco amolecido não só pela canícula (valha-nos a cerveja geladinha) por que temos passado nos últimos dias mas também pela perspectiva de começar de novo a trabalhar no duro, que é algo que nunca se deve exigir a um tuga que se preze depois de um período de férias (por mais breve que seja) ou até de um fim-de-semana ou feriado...

Como ainda estou imbuído pelo espírito da estação resolvi que os proximos posts serão dedicados a descrever algumas das actividades e rituais mais típicos do tuga durante este período mais estival... Mas isso fica para mais logo, porque agora tenho de ir descansar um bocadinho que só de falar em trabalho já fiquei cansado !!!

2003/08/15

Voltou a bola!

É hoje, carago! Começa hoje o nosso campeonato nacional de futebol. Já voltamos a ter motivo para as mais inflamadas discussões na tasca enquanto lemos o jornal e discutimos os resultados da jornada anterior. Para além disso, a bola é sempre uma boa razão para passar a segunda-feira de manhã na treta e não fazer a ponta dum corno no trabalho.
Dêem-nos pão e futebol e somos o povo mais feliz do planeta! Há lá coisa mais popular e portuguesa do que ao domingo pegar na canalhada toda, nas bandeiras e nos cachecóis e rumar ao estádio enquanto a patroa fica em casa a passar a ferro e a preparar um jantar retemperador. Sim, porque isto de ir ao futebol é mesmo coisa só para homem de barba rija.
Tal qual Hércules moderno, o homem português tem que enfrentar duras tarefas numa deslocação domingueira à bola. Senão vejamos:
  • Ir a conduzir até ao estádio com um carro cheio de canalha a berrar aos ouvidos.
  • Achar um lugar para estacionar que não fique a mais de 5Km do estádio.
  • Despachar-se na roulotte das bifanas para comer qualquer coisita e empurrar um fino para o caminho.
  • Ir para fila dos bilhetes. Se a fila for muito grande encontrar o candongueiro mais próximo e regatear o preço dos bilhetes.
  • Ir para fila da porta do estádio.
  • Conforme a antecedência com que se chega ao jogo, passar nunca menos de 90 minutos a relembrar constamente o árbitro e os jogadores da equipa adversária que conhecemos as mães deles e sabemos o que elas fazem na vida.
  • Repetir os pontos anteriores mas por ordem inversa: fila pra sair, mais uma bifana e um fino, confusão para tirar o carro do sítio onde o metemos e viagem de regresso.

Haja homem de ferro para isto tudo!
Bem, só me resta desejar boa sorte à lagartagem e aos lampiões porque se este ano o FÊ-CÊ-PÈ voltar a ganhar tudo isto começa a perder a piada! Eheheh....

Notícia de última hora!
Afinal já não é hoje! Ai c'um carago! Já querem roubar a alegria ao povo! Estes senhores da Liga... valha-nos Deus. Fica aqui já prometido que o Popular Português ainda um dia destes ajusta contas com esses senhores e, claro, também não nos podemos esquecer de falar da nossa Federação!

2003/08/14

Palitinho

De um amigo cá dos Popular Portugueses chegou um texto sobre esse acessório indispensável ao "verdadeiro" que se preze: o palitinho ao canto da boca. Ora sem mais demoras, cá vai disto!

No canto da boca reside este pedaço de madeira sem acabamentos de maior, isento de farpas e sempre de forma variada. Adorno obrigatório para o verdadeiro Popular. Entra no imaginário como momento de descontracção e privacidade relativamente ao mundo. Não raras vezes o verdadeiro Português diz um palavrão carinhoso para a mulher desde que munido do seu palito, que adoça e tempera com a cevada fermentada, pulverizada com odores de uma boa tripinha e amolece com a saliva viciada. Eis pois, um adorno de presença obrigatória num verdadeiro Popular Português!

2003/08/12

A francesinha

A francesinha é invicta.
A francesinha é leal.
A francesinha é do povo.
A francesinha é bairrista. Logo, a francesinha é do Porto
A francesinha é democrática. Portanto, agrada a todos.
O povo respeita a francesinha. Portanto, todos podem ser confrades.

Comida só ou acompanhada, a francesinha é sempre a melhor companhia!

Viva a francesinha!
Viva!

Proclamação, Confraria da Francesinha

Carago... que coisa mais bonita! Estou até com a lágrima no canto do olho. Ou é da emoção ou da porra do molho picante. Vão lá ver a Confraria da Francesinha enquanto eu empurro aqui mais um príncipe para ajudar a acomodar a francesinha.

2003/08/11

Je viens de Paris par l'autoroute...

Ó meus amigos! Em pleno Agosto é imperdoável que ainda não tenhamos abordado o tema do mais popular dos populares portugueses: o «avec». Esse ícone, esse embaixador itinerante do nosso Portugal em terras estrangeiras. E haverá lá «avec» mais famoso do que o verdadeiramente genuíno "importado" directamente de França! É vê-los a chegar nos seus carros de matrículas amarelas ao som do Rancho Folcolórico de Sta. Maria de Três Dias Para Lá do Sol Posto, camisa aberta até a barriga, fio de ouro com o indispensável crucifixo e boné das Construções Nelo Silva e Irmão, Lda.
O que mais me impressiona nesta laboriosa gente é a facilidade com que vêm, e alguns apenas ao fim de um ano, logo a falar francês. Verdade, verdade é que o francês também é muito parecido com a nossa língua. Não raras vezes os ouço a falar em francês e percebo logo o que estão a dizer. Frases do género: "Viens ici Jean-Michel! Vien ici au papa! Anda cá, caralho! Não ouves a falar pra ti meu filha-da-puta?" ou "Arreta Cristine! Arreta Cristine! Cristine... se não arretas vou aí fodo-te já o focinho!"
O que mais me entristece verdadeiramente é que todos os anos vamos perdendo estes nossos compatriotas pelas estradas fora. Assim, emigrantes do meu país, deixo-vos com este lindo pensamento desse grande senhor da música ligeira portuguesa de cariz popular (e motivo concerteza de uma intervenção futura no Popular Português) Graciano Saga:

"Emigrante, vem devagar por favor. Temos muito tempo para lá chegar. E depois... lá diz o velho ditado: mais vale um minuto na vida do que a vida num minuto."
Graciano Saga, Vem devagar emigrante

2003/08/10

A cerveja

Pois é! Com o calor maldito que está não há nada que refresque tão bem a goela como uma cervejinha bem gelada. A origem desta bebida remonta até ao Antigo Egipto e associada a ela encontrei este ditado desse fantástico povo criadores deste néctar tão maravilhoso:

"A boca de um homem perfeitamente feliz está cheia de cerveja."
- Antigo provérbio egípcio, 2200 A.C.

Que eu entorne já aqui o meu fino no chão se os homens que tiveram este pensamento tão profundo não eram já os primeiros popular portugueses! Ora há lá coisa que faça um tuga mais feliz do que a cervejola? Coisa de beber, claro!
Inventivos como só nós os portugueses sabemos ser arranjamos várias maneiras de servir a cerveja. Entre os vários tipos de copos em que se pode ver a cerveja temos:
  • Fino (ou como os murcões lá do sul lhe chamam: imperial) - 20 cl de cerveja num copo alto e fino. Com o calor que está só lá pró quinto é que um homem fica satisfeito e refrescado.
  • Tulipa - Já começamos a chegar a algum lado! 33 cl de cerveja num copo de pé alto e fundo largo.
  • Príncipe - Isto sim é um copo para homem. Meio litro de cerveja num copo alto. Há lá nada melhor do que isto para regar uma francesinha como deve ser!
  • Caneca - É coisa de camone. A caneca quando vai a meio já só lá tenho um líquido quente e choco que mais parece a água de lavar os pratos.

Também nas variedades de misturar a cerveja mais ninguém faz como nós. Ora vamos lá ver... temos então:
  • Panaché - A cervejola misturada com 7UP. Sempre se malha mais uma poucas antes de cair pró lado.
  • Tango - Um clássico em vias de extinção. Já tive muitos olhares preplexos quando pedi um. Para quem não sabe, é uma cerveja com um fundo de groselha.
  • Diesel - Já foi mais popular mas tem vindo a desaparecer. Pudera! Quem foi o artista que achou que misturar Coca-Cola com cerveja era uma boa ideia?

A cerveja é assim mesmo. Aparece-nos desde tenra idade em várias formas e feitios. Sempre fresca, sempre pronta a matar a nossa sede. Posso-vos garantir que a cerveja é, sem dúvida nenhuma, a maior invenção da humanidade. Concordo, é claro, que a roda também foi uma bela invenção mas a roda não marcha tão bem com os tremoços como marcha uma cerveja.

2003/08/07

Que calor!

Está mesmo um daqueles dias em que só se pode sobreviver graças à existência das tascas. Quando digo "tascas" quero mesmo dizer "TASCAS". Obviamente nâo me refiro aos lugares de culto dos (supostos) cultos. Uma tasca é um sítio onde o pessoal porreiraço se encontra, onde se bebe uns copos, se come uma série infindável de petiscos e onde não hà ar condicionado (por outro lado não existe sítio "pipi" que não tenha essa porcaria).
A falta de ar condicionado só traz vantagens. Não temos de levar com mudanças bruscas de temperatura (pretegemos a saúde) e aproveitamos da forma que mais convier a temperatura. Se está calor bebe-se uma ou duas (dúzias) bejecas. Se está frio bebe-se tinto (que se não aquecer mais nada, aquece a alma).
Mas voltando à tasca (que está na hora)... Este calor dá mesmo (ainda mais) vontade de passar pela tasca e dar duas de treta com a rapaziada. Lá para o fim da tarde, depois de passar a tarde na praia com a famelga, vai-se lá, pede-se um príncipe (ou um fino para quem anda a fazer dieta - ainda que dieta não seja coisa de macho), come-se um pratito de tremoços (não esquecer de lamber o sal que sobra no fim), joga-se um dominó ou uma lerpa, discute-se o último jogo da pré-época (é fantástico como os "outros" clubes jogam sempre "que é uma merda") e depois repetimos o ciclo, iniciando-o novamente com o pedido de mais um príncipe (o pessoal da dieta nesta altura já a esqueceu).
Outra vantagem do calor é a possibilidade de utilizar roupas leves. Indumentária do "Verdadeiro" no Verão:
- Óculos de Sol "raibantes" (de preferência com ferrugem nas hastes)
- Chapéu do clube (de uma côr que chame a atenção)
- T-shirt caviada (com uma frase estupida na frente)
- Calções com forro (até aos joelhos)
- Sapatilhas brancas "Mike" ou "Ribuck"
- Meias escuras (ficam sempre bem com as sapatilhas brancas)
- "Volta" de ouro com uma cruz
- Palito (chega um para o Verão inteiro)
- Rádio (Zilips) com auscultadores (para a praia)

Não hà nada melhor que uns calções para dar uma coçadinha na blica ou na plantação tomateira! E bem vistas as coisas aqueles três segundos em que se dá a coçadela sabem melhor do que um prato de iscas de cebolada (quem duvida é porque não sabe coçar como deve ser - também não sou eu que vou ensinar... é pedir ao Eltão Jón)

Boas férias para quem de direito (e de torto).

2003/08/06

O Verdadeiro

De natureza invulgar,
É conhecido no mundo inteiro,
A "bagagem" tem o hábito de coçar,
É conhecido como o "Verdadeiro".

No tasco todos conhecem seu nome,
"Tóne", "Xico", "Cagão" ou "Nando",
Come rojões para matar a fome,
E bebe uns copos... de vez em quando.

Dotado de unhaca e palito,
À cruz ao peito não diz que não,
Diz gostar muito de pito...
Acompanhado de bastante pão.

Seu bigode é indumentária invejada,
E nele guarda o que lhe vai sobrando,
Desde migalhas a restos de dobrada
Cujo molho vai pingando.

Não é um "verdadeiro" vulgar,
Daqueles de quem os "tótós" falam,
Marca o seu espaço ao balcão do bar,
Arrotando alto quando todos calam.

É o "Verdadeiro" verdadeiro,
De casta e pedigree genuíno,
Tem um leve jeito de "begueiro"
E os sovacos cheiram a... suíno.

Bebe tinto carrascão da malga,
Come ovos cozidos e pataniscas,
Se for preciso o balcão galga,
Para apanhar o último prato de iscas.

Tem direito a homenagem sentida
Este ex-libris de Portugal,
Que dedica toda a sua vida
A comer... e coisa e tal...

2003/08/05

O barbeiro

Acabei agora de voltar de uma ida ao barbeiro. Sim, leram bem: do barbeiro! Que me lembre, desde que me conheço que sempre frequentei barbearias para cortar o cabelo. Ir ao barbeiro é coisa de homem. Homem que é homem corta o cabelo, não vai ao cabeleiro.
O barbeiro para alem de ser o sítio por excelência para se falar do tempo, da política e da bola é um sítio exclusivamente frequentado por machos. Todas as conversas e comentários são permitidos enquanto se vai lendo "A Bola" e se espera pela nossa vez. E não há nada melhor que chegar lá, sentar e dizer: "É pra cortar, fachabor!". Não há cá variedades nem merdas apaneleiradas como brushings, lacas ou desfrisagens. É sentar, deixar o barbeiro meter um pente 3 para rapar os lados e o cachaço, lavar o cabelo com sabão rosa e cortar o resto todo à tesourada.
O melhor de tudo é que não há barbeiro nenhum que não seja um respeitado pai de família. São os únicos homens que me podem passar as mãos pelo cabelo. Olha eu deixar que um artista desses dos salões de cabeleireiros me venha fazer festas no cabelo... Dasse!

2003/08/03

Unhaca, sem ti não posso viver...

Já tive unhaca,
De todas as cores,
De várias tonalidades,
Com muitos odores,

Trincadas com dentes,
Que limpam o nariz,
Já estive com elas a coçar o pénis.

Unhacas doentes e todas ratadas,
Unhacas sujas de terra e aguarrás,
Mas nenhuma delas,
Me fez tão feliz,
Como a do mindinho me faz...


Haverá alguma coisa melhor do que “enfiar” a bela da unhaca orelha adentro, naquelas alturas em que a cera começa a dar sinais de si? Sinceramente, considero a unhaca uma das 19 Maravilhas do Mundo (nos próximos posts vou referir as outras 18)!
A unhaca é, meus amigos, um hino à engenharia humana. A sua forma, a sua versatilidade, a sua... beleza! Quem se lembraria de criar um utensílio capaz de penetrar no orifício auditivo com tamanha delicadeza e retirar os quilitos de cera que se vão acumulando? Reparem bem na sua forma... a forma côncava permite que a unhaca funcione com um verdadeiro catrapilo no pavilhão auricular. Entra e sai, entra e sai, entra e sai... e sempre carregada. Lindo!
Claro que a unhaca tem outras funcionalidades que ainda não foram descritas, uma das quais é a que permite ao seu "utilizador" uma snifadela mais eficaz dos cheiros que pululam no corpo do macho. Sim, que unhaca é coisa exclusiva de macho! Como é que funciona? Simples. Depois da coçadela no rabo ou na tomatada é só levar a unhaca ao nariz para efectuar a análise (cheiradela) e ver se está tudo em ordem. Mais uma vez a forma da unhaca é essencial, uma vez que, em vez de ficar às portas do nariz, entra dentro do pavilhão nasal, permitindo um contacto “mais profundo” (e uma cheiradela mais intensa). MEGA vantagem, uma vez que desta forma se pode aproveitar para dar uma limpeza à narigonga...
Ainda falta referir a extrema utilidade da unhaca na limpeza do molho do prato de rojões... aquilo funciona melhor que qualquer colher.
Convencidos? Lembrem-se que ao contrários de outros utensílios é barata! Os acessórios fundamentais já estão incluídos no pacote MACHO e quando se vai estragando é só esperar que volte a crescer. Aviso à malta: qualquer “retoque” deve ser feito com os dentes, porque utilizar corta-unhas (ferramenta malvada) é coisa de rôto!
Tu que és macho, mostra a tua unhaca! Faz dela o simbolo da nova geração!
UNHACADOS VENCEREMOS!

2003/08/02

A tasca

O que haverá de mais português do que a tasca? Aquele sítio mítico do nosso imaginário colectivo onde homens feios de barba rija e pelos no peito acompanham o caldo de feijão, penca e tronchuda com um quartilho de tinto carrascão servido numa malga. Ao canto, e tasca que se preze não os dispensa, a pipa ou tonel de madeira velha e embolorada de onde se tira o vinho à caneca. Isto tudo servido, claro, num balcão de pedra negra e suja atrás do qual se encontra a nossa típica "Maria": uma mulher de meter respeito com um metro e sessenta de altura, um grande par de mamas - que em tamanho até não destoam do resto da figura, buço de fazer inveja a muito jovem imberbe e o avental - que um dia já terá sido branco - atado pela cinta.
Diz-nos o dicionário da língua portuguesa da palavra "tasca": "s.f., casa de pasto ordinária". Mais curioso ainda é o que nos diz de "ordinário": "adj., habitual; que está dentro da ordem natural das coisas". Pois se isto é verdade, o que é feito destes sítios? Se fazem parte da "ordem natural das coisas" porque estão a desaparecer? Pior ainda, juntamente com elas estão a desaparecer estes belos exemplares da raça lusitana!
Homens e mulheres do nosso país, isto é um apelo às armas! Vamos reavivar estes grandes locais, expoentes da nossa cultura popular portuguesa! Vamos exigir aquilo a que temos direito! Vamos deixar de chamar às casas de pasto "snack-bars" (esta violentação da nossa lusa língua-mãe choca-me!) e chamar-lhe aquilo que elas são: TASCAS! Vamos exigir o nosso tinto carrascão na malga, as nossas pataniscas de bacalhau e as nossas sandes de coirato! Vamos exigir as mesas de madeira e os bancos corridos! Vamos exigir o baralho de cartas e os dominós! Vamos exigir as mulher gordas e de buço... bem... pronto, não somos radicais. Também estamos dispostos a fazer algumas concessões numa ou outra coisa.
Tu que te chamas Toino, Zé Manel ou Nelo, tu que tens um filho chamado Nando, Quim ou Toni junta-te a nós! Liberta-te dessa vida que levas! Larga o sofá e a televisão e anda para a tasca com os amigos jogar à sueca e beber um quartilho! Todos não somos demais!

2003/08/01

"Onde bloga um portugues blogam logo dois ou tres"

Meus amigos, sejam muito benvindos a este humilde tasco, que tem como unicos objectivos a vontade de manter vivas e dar a conhecer por esse mundo fora as tradiçoes, habitos e costumes de varias geracoes de portugueses da mais rija tempera...

Como podem ver pelo ditado que da¡ titulo a este post e que passou de geracao em geracao desde os nossos trisavos (que Deus os tenha) ate aos nossos dias, este tasco e frequentado por varios compadres que se foram conhecendo e descobrindo gostos comuns no meio de muitas malgas de tinto carrascaoo e respectivos pratos de moelas... Como acreditamos que nao estamos sozinhos neste imenso Portugal, resolvemos abrir aqui o tasco para divulgar e honrar tudo aquilo que faz de nos Populares Portugueses e para servir de ponto de encontro para todos os outros Populares Portugueses espalhados pelo mundo.

Espero que gostem e que se tornem fregueses habituais... Se nao gostarem tambem nao ha problema... Mais vinho sobra !!!

E agora vou-me embora que a Maria ja deve ter a janta pronta, e o Cozido a Portuguesa frio e uma valente porcaria...

Primeiro Fino...

Este é o primeiro post de muitos que o seguirão...
Se existe coisa mais tradicional do que um Blog, que me caiam já dois pingos de molho de francesinha dos bigodes!
(Caraças... sujei as calças... e logo no único sítio onde estavam "limpas"!)
Apenas serão aceites "bocas" de gajos que provem ter escrito a mensagem com um palito no canto da boca e com a "unhaca" (tema do próximo post) a retirar a cera dos ouvidos.
Aqui as regras fazem-se à sexta... quem está, está! Quem não está...

Bom, vou malhar um finaço e comer uns burriés...