O Ponto de encontro dos Verdadeiros!

2003/12/23

Só peço a Deus que me dê um Bom Natal

Só peço a Deus que me dê um Bom Natal
Só peço a Deus que me dê Natal Feliz
Só peço a Deus que para a próxima que eu possa,
Passar o Natal, passar o Natal no meu país.


Artista popular português desconhecido

2003/12/22

Um Verdadeiro na Lapónia!

É de mais um Verdadeiro a história que vos venho contar.
Verdadeiro porquê? - podeis perguntar. E eu digo-vos porquê:
  • Tem uma barriga que impõe respeito! Muita isca e muita broa com chouriço estarão alojadas naquela pança!
  • Mais do que bigode, tem barba! Isso traduz-se em muito mais sítio para deixar o molho das moelas ou as migalhas do pão
  • Anda sempre com a mesma roupa (a côr é que deixa um bocado a desejar... ou é de um clube de segunda e da 2ª... circular, ou é amigo do "camarada" Cassete Cunhal)
  • Anda sempre de um lado para o outro, procurando tascas onde possa saciar a fome e a sede
  • Carrega sempre a merenda no seu saco. Imagino... deve estar cheio de sandes de presunto, bola de carne, queijo e torresmos
  • Consta que o nome dele vem de "Nicolau" e diga-se que "Nico" é um nome "à Verdadeiro"
  • Finalmente, "a cereja no topo", tem nariz de pinga, ninguém pode negar. Aquele nariz grande e vermelho (algumas semelhanças com Rodolfo - a rena gay - são pura coincidência) não engana! É de pinga! Conheço muitos assim!
Há quem o chame de renófilo, porque é conhecida desde há muito tempo a relação sombria que mantém com as renas que o trazem daqui para "acoli"... mas eu acredito que seja tudo com boa intenção. As renas sentem-se sozinhas naquele frio imenso e é bem verdade que todos eles precisam de aquecer.
Estamos numa época em que se costumam dar coisas. Por isso, Quinquilhas, vê lá se ofereces uns copos à malta!
Boas festas para todos, regadas com tinto!

PS: Só ainda não percebo porque é que as pessoas gostam tanto do Pai Natal por ele deixar prendas... O meu cão deixa-me presentes todos os dias no quintal e eu não gosto mais dele por isso...

2003/12/16

Poema de Inverno (encore)

Aaooooouuuuuuu

Neste dia de Inverno
Queria escrever um "pouste"
Mas o Tóne feito esperto
"Antecipouste"

Agora para matar o frio
Bebo um copito do vinho
E deixo as ideias de lado
Ali...naquele cantinho.

Da-se lá pro frio
Não para de aparecer
Oh Neca, ajuda a malta
E peida-te para aquecer!

E tu Nando das Pitas
Bais levar uma "abada"
Quando te meteres na lerpa
Aqui com o resto da cambada

Oh Nel das Fisgas
Meu ganda caralho,
'Cando é que me trazes o garrafão
Pra eu levar pró trabalho?

Do frio não reza a história
Se o Tó se embebedar
Pois a tasca fica bem quente
Com o bafo que deixa no ar

Cheira a vinho no ar
Esse cheiro tão chique
Brruuup...ai que não posso
Tou bêbado....hic...

Corro lá pra fora
Faço uma mijinha num carro
Hic...entro e peço
Brruuppp...mais vinho no jarro.

Despeço-me com amizade
E prometo cá voltar
Pra mandar mais uns bitaites
Ou uns poemas declarar

Meus amigos....até mais "bere"

Hermenegildo Baptista - poeta popular, reconhecido em terras do Cambojda, Vietname e Estados Unidos, onde foi missionário do vinho verde. Congregado neste último país, com a gran rolha do Texas, em 2003, sucedendo ao Tri Campeão Mundial do vinho - George W. Bush, herdeiro de um tradição de pais. Segundo prémio para a "Bochecha mais corada", atrás do GWB, no festival do tintol em Monte Guateu de Cima, Biseu. Medalha de Prata nos Jogos Olimpicos do Gargalo de 2002, na prova do vinho a martelo, atrás também do GWB. Da-se pró gajo!!!

Um Verdadeiro no Iraque

Anda nas bocas do Mundo!
Não falo do pão com bifana e molho picante, mas sim do Sá Dáme Ússeine.
Falo também da perseguição que foi preparada pelos amaricanos (que de "bom" - relativo - têm o vinho, e pouco mais)!
Eles, que pretendem inundar o Mundo com comidas do Demo, aquelas a que chamam fáste-fude (o nome é adequado - aquilo "fude" mesmo o estomâgo a um gaijo)! Eles que andam a encher o nosso Planeta com cadeias dessas comidas modernas, que só provocaram cáries ao miúdos (sai mais um prato de miúdos, Quinquilhas!) e úlceras aos adultos.
Passo a explicar: o Bush e os seus camaradas armaram uma cilada ao Sá para o apanharem. Desculpa utilizada: armas químicas. Método: Apanhada. Motivo real: Enfiarem-lhe um hamburguer do McDonáldes pela goela abaixo.
Não estavam a contar é que a comunidade de Verdadeiros não se deixa intimidar (ficar intímo) por esses fachonos que se dizem sobrinhos de um tal Sam. Ora esse Tio Sam não podia ter tantos sobrinhos, por isso isto não passa tudo de uma cegada!
Voltando ao Iraque... Os amaricanos apanham o Sá. Ele que como verdadeiro Verdadeiro tinha o seu bigode bem "montado", nariz de "pinga" e frequentava as melhores tascas ("Quinquilhas Oil" e tantas outras). Para ver se ele tinha estado na tasca puseram-se logo a inspeccionar-lhe a boca, com lanterna e tudo, procurando restos de coirato, pataniscas ou polvo com molho verde! - Todo o Mundo viu, que eles fizeram questão de transmitir em tudo o que era televisão!
Perante isto, eu digo: "Sá! Se precisares de alguma coisa, avisa pá! A malta do PP já tratou de te enviar um contentor cheio de pataniscas, moelas e chamuças! Que te façam bom proveito!!!".
Amaricanos, começa aqui o nosso embargo aos vossos "alimentos"!
Uma patanisca ressentida para todos.

PS1: Até o nome dele é de verdadeiro. SA dáme Ússeine. SAÚ - fazendo lembrar esse portento da música popular portuguesa que é o pequeno SAÚL.
PS2: Ele armas químicas tem, de facto. Mas depois de malhar cinco malgas de tinto e comer um feijoada "à moda do Quinqas" quem é que não se transforma numa verdadeira arma química. O Nando e o Neca que o digam. Da-se!

2003/12/11

Poema de Natal

Aaoooouuuuuuu

Nesta época de Natal
Gosto de receber prendas
Como garrafões de vinho
Pra levar para as merendas.

P.S. Se pretendes ler os poemas da série "Poema de Inverno" tens ler os posts antigos.
P.S.1. Também posso enviar-te um fascículo com os mesmos....

Profissões do meu país - Corretor

Ora pois, cá estamos de volta com mais uma profissão popular portuguesa e desta vez para falar dos corretores. Não, não são essas importações americanas abichanadas de fato e gravata que compram e vendem papéis na bolsa mas sim outro tipo completamente diferente de corretor.
É com grande prazer que registo que os dicionários de português ainda definem "corretor" com o significado da profissão popular a si associada:
corretor do Lat. curatore (?) s. m. [...] aquele que angaria fregueses para hotéis, à chegada dos comboios, dos navios ou outros meios de transporte; [...]
E é exactamente de um desses que vos venho falar hoje: José Lamegal, 49 anos, corretor no centro da Guarda desde o Verão de 1969. O "Lamegal", como é popularmente conhecido, é uma figura emblemática da Praça Velha onde angaria clientes para vários estabelecimentos turísticos da cidade. É muitas vezes confundido com taxista, cauteleiro ou até mesmo arrumador de carros. Não se incomoda e assume a sua profissão com orgulho, afinco e educação.
Mas os tempos são outros e os visitantes na Guarda diminuem todos os anos. Muitos dos estabelecimentos para os quais o Lamegal encaminhava os visitantes já despareceram e com eles deseparecerá em breve o último corretor da Guarda. Com ele cairá também no esquecimento a sua frase que lança como isco: "Precisa de um restaurante para almoçar?"

2003/12/04

Vamos mudar, carago!

Pessoal! Já temos uma tasca nova. Agora já podeis ir até ao novo Popular Português em www.popularportugues.com. Enquanto ainda fazemos as obras no nosso novo establecimento as postas de bacalhau continuam a sair regularmente aqui. Quando sairmos de vez a gente deixa um aviso na porta.

Obrigados.

2003/12/03

Cheirinho a lenha queimada...

O inverno tem destas coisas... Mal chega o frio, começamos a vestir as ceroulas, três meias dentro das botas de biqueira de aço.. .e começamos a sentir o cheirinho da lenha queimada. As chaminés fumegam, queima-se eucalipto, carvalho, castanheiro, contas da luz, da água, do gás, etc. Por cada ruela, beco e estrada sem saída, lá está uma chaminé a fumegar o aroma... que faz também lembrar o Natal. Ora aí, vem outro assunto a minha massa cinzenta... Natal! Esta época magnifica, em que sentimos a tesura que vai na carteira do Popular Português (PP). É um acto de inteligência conseguir com o mísero orçamento de meia dúzia de €'s oferecer uma prendinha para o sapatinho. Acham que mais algum país da Comunidade Europeia oferece meias e cuecas como nós?!? Nada disso... e não, pelo facto de sermos um país de cagões (Tóne e Nando, ah pois é! Porque estes nem mudam muito de cuecas), é sim que as cuecas/ezslipis e meias compradas ao Lelo, na feira dos 28...são 3 a 5 €. Essa é que é.

Voltando, aos cagões (Tóne e Nando, ah pois é! Os que não mudam muito de ezslipis) não existe nada melhor do que coçar as partes baixas, em frente da lareira...com a castanhinha a assar, e a caneca de jeropiga atestada.

Bem é melhor, parar por aqui...que já parou de chover e vou voltar para a massa, para o viaduto. Está um frio de rachar, e o co$% do encarregado (o Arrebitado) já está a pressionar de novo.

É verdade, a próxima posta de pescada é sobre o Arrebitado, e o poder do encarregado nas obras!

Papas de sarrabulho e tinto maduro da casa, para todos...
Neca

2003/11/29

Poema de Inverno 5

(7) Aaooooouuuuuuuuuuu

Neste dia de Inverno
Vou-vos ser muito franco
Prá aquecer bebo um copo
Seja tinto ou seja branco.

(7) "O Poeta Popular" - em Nadorenguês

2003/11/28

Poema de Inverno 4

(6) Aaoooouuuuuuuuu

Neste dia de Inverno
Tou com frio nos colhões
Ninguém me manda sair à rua
De t'shirt e calções

(6) ...

Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão II

Hoje voltei lá mais uma vez para um arroz de polvo. Só mais um pormenor de classe que não podia deixar passar em branco. Enquanto passava os olhos pelo tintol em exposição lá estava ela: uma garrafa de tinto engarrafada pelo próprio popular (o da unhaca!) com a marca do establecimento. É classe!

2003/11/27

Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão

Não amigos, não é de uma receita que vos vou falar hoje mas de outra coisa que ainda vos vai deixar a salivar mais da boca. Até porque salivar de outro sítio qualquer que não a boca é mais difícil. E daí... bem, adiante!
Se há coisa que eu não dispenso é um bom almoço regado por uma boa pinga servida à taça. E não vou cá nessas rotices de sandezinhas, saladinhas e nectarzinhos a fazer de conta que são refeições. Foi por isso com grande alegria que descobri cá em Braga um novo tasco para almoçar. Apesar de ficar num centro comercial e do aspecto abichanado percebi logo que se tratava de uma verdadeira casa de pasto à paisana.
A ementa típica é sempre composta por pratos bem populares portugueses:
  • Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão;
  • Dourada na brasa com arroz de grelos;
  • Robalo grelhado com batata cozida e grelos;
  • Petinga frita com feijão frade e arroz;
E mais delícias por aí fora que todos os dias me surpreendem sempre acompanhadas pela pinga de branco ou tinto servido à taça. Mas os pormenores de classe popular não ficam por aqui.
Como bem popular que é, esta casa de pasto é uma operação familiar: o homem atende e socializa com a freguesia e a mulher trata da cozinha. E ora imaginem lá o aspecto da figura do popular. Se estão a pensar que tem farta bigodaça, fio de ouro ao pescoço, unhas encardidadas e unhaca do dedo mindinho só vos digo uma coisa: "Estão completamente certos!" Carago, há lá coisa melhor!
Quando, já depois do café com cheirinho, pagamos e ouvimos o inevitável "Obrigados." então aí, e se dúvidas ainda houvesse, ficamos definitivamente a saber que estamos mesmo no sítio certo.

Poema de Inverno III

(5) Aaoooouuuuuu

Neste dia de Inverno
Está um frio de morrer
Bebo um copo de vinho
Nem que seja, prá aquecer

(5) Já sabem para que serve....

2003/11/26

Poema de Inverno 2

(5) Aaoooouuuuuuuu

Bebo um copo de vinho
Antes de ir para o trabalho
Neste dia de Inverno
Com um frio do caralho

(5) Forma de cumprimentar a malta

2003/11/25

"Azul e verde, escarro na parede."

Lembrei-me hoje deste enigmático provérbio. Nunca percebi muito bem (nem muito mal, não percebo é nada!) o que porra quer dizer mas o facto de ter "escarro" faz dele um concerteza um provérbio popular português. Há lá coisa mais popular do que ir pela rua fora, puxar meio pulmão e alguns brônquios de arrasto até ao nariz, mistura-los com a substância ranhosa nasal, envolver a garganta no complicado mas bem dominado exercício de passar o produto combinado até a boca e, depois de puxar bem a cabeça atrás, projectar tudo no chão do passeio com violência, precisão e de preferência a mais de 5 metros. Pontuação extra para o popular que depois de examinar o produto de tão intrincado exercício solta um sonoro: "DA-SE!!".
E lembrei-me eu disto a propósito de quê? Ia eu hoje pela rua fora, a pé, diga-se, que o motor do Fiat 128 voltou a berrar, quando vejo passar por mim um dos novos táxis portugueses da cor dos velhos! Então não é que os nossos táxis voltaram a ser verde escarro em cima de preto alcatrão?
"Ora aí está uma bela homenagem aos nossos nossos homens do volante!", pensei eu. A associação lógia é por demais evidente. Portugal/Taxi - Escarro/Alcatrão! Porque é que alguma vez mudamos sequer a cor, pergunto-me eu. É que... carago! Quem foi o abichanado que se lembrou de pintar os nossos taxis pilotados por bons pais de família, portadores de bigode e unhaca do mindinho de meter respeito de bege? Bege! Isso lá é cor sequer? E se é, é cor de José Castelo Branco, porra!
Hoje até vou a Flor dos Congregados beber uma malga em honra do iluminado que voltou a repor a dignidade aos nossos taxis.

Poema de Inverno

(4) Aaaoooouuuuuuuuuuu

Neste dia de Inverno
Está um frio de rachar
Vou beber um copo de tinto
Antes de começar a trabalhar.

(4) Forma de cumprimentar a malta

2003/11/18

Lendas do Nosso Portugal Popular - III

Constituindo nome ímpar, Carrapichana, freguesia de Celourico da Beira, conta a tradição que deve o seu nome a uma senhora, chamada Ana, figura típica e conhecida pela Carrapichana e lugares circunvizinhos.
Conhecida pela sua voz aguda e forte de corpo, não se ficava atrás no que toca a beber. Sendo grande apreciadora de vinho, devorava de uma vez só, qualquer copo de vinho que lhe oferecessem.
Ao darem-lhe um copo de vinho a beber, os homens incentivavam-na dizendo:
- Escorropicha esse copo, Ana! (Escorropicha designa o acto de beber).
Com o correr do tempo a terra passou a designar-se Carrapichana, por via erudita de "Escarrapicha, Ana!", para designar a terra onde " Escarrapicha Ana!" um copo de vinho sem parar.
Num prédio da rua da Amoreira, encontra-se uma figura de pedra, que o povo chama Carrapichana, mulher que deu o nome à sua terra.

Escorropichadelas a todos!

PS: Pergunto-me qual a origem desta palavra... seria alguma dama (com problemas de dicção) em apuros a gritar: "Es'corro! Es'corro! Picha!"

2003/11/16

Quem eu encontrei???

(3) Aaaoooouuuuuuuuuuuuuu

Imaginem quem eu encontrei!?!?!?!? O Ti Bairros!!!!...eheheheh é verdade.
Ônte fui ao Porto a uma consulta no hospital, por causa de umas hemorroidas e gases que me atormentam nesta época de castanha e vinho. Atão eram praí sete e pico...da tarde quando vou a passar naquela rua grande....os Alinhados, onde se fazem as festas de S. João no Porto. Umas vezes em Maio, outras em Junho e já vi em Julho.
Bom...ia a passar, como ia dizendo, e há lá um local com muitas camionetas. Tou eu a percorrer o paralelo da calçada, quando encostado a uma camioneta, está o Ti Bairros. Mão colada à viatura, boné na cabeça, gabardine pelos ombros e pernas semi-abertas. Dei por ela porque ele puxou uma daquelas suas "verdes" (que o tornaram penta campeão do atiranço da bisga, lá na Tasca do Nunes) e com o barulho do costume amanda-a pró chão. Paro. E qual é o meu espanto, vejo o Ti Bairros agarrado à mangueira pessoal, e a tentar lavar a camioneta, pela zona das rodas traseiras. Que quadro!
Por momentos não soube o que fazer, mas decidi apertar-lhe o bacalhau e aproveitei (que ainda tinha tempo para a carreira das sete e meia), para também eu, dar uma regadela na camioneta dos STCP, que ia partir naquele instante rumo à Avenida daquele clube de camisolas esquisitas.

E pronto...era só para saberem que, enquando libertávamos líquido e embelezávamos a calçada de verde, conversamos um bocado e fiquei a saber que está tudo bem com ele e com os seus.

Um bem haja pró Ti Bairros. Se me estiveres a ouvir, vai a um posto de Net e lê o que acabei de escrever.

Bisgas a todos!!!

(3) Foi como cumprimentei o Ti Bairros assim que o encontrei....

2003/11/12

"O saber é como a dobrada, ocupa lugar mas não é nada que uma malga de vinho não resolva."

Todos nós sabemos que a verdadeira cultura popular está a desaparecer a cada dia que passa... É verdade hoje em dia dá-se muito mais importância às coisas etéreas e superficiais do que ao saber dos anos feito e passado de avós para pais e de pais para filhos ao longo de muitas gerações.
Foi por isso que fiquei tão contente quando descobri a existência da Universidade Popular do Porto. E mais contente ainda fiquei quando descobri que eles tinham seminários como este. No entanto não posso deixar de reparar que esta oficina (muito má designação, oficina lembra trabalho e trabalho não tem nada a ver com cultura popular) aborda principalmente a teoria e a discussão de ideias e opiniões, o que, apesar de ser legítimo e necessário, não abrange os temas realmente importantes, como por exemplo:
  1. Do bacalhau até à patanisca - ciclo de vida
  2. Cozido à Portuguesa - confecção e deglutição
  3. A vinha e o vinho - castas, história e enfardanço
  4. Lendas e tradições do nosso Portugal Popular
  5. Vestimentas, estilo e teoria comportamental
  6. A casa e a tasca - diferenças e semelhanças
  7. Futebol, sueca e restantes jogos e entretenimentos
  8. O insulto e o piropo - diferenças estilísticas e casos práticos
Deixo aqui o repto à Universidade Popular para organizar uma continuação para este curso, que aborde questões mais práticas, como as que eu acabei de referir. Já agora, convidarem-nos a nós Populares Portugueses para leccionar alguns destes temas também não era nada mal visto. Quanto a honorários escusam de se preocupar... A malta resolve o assunto com uns pipos do nosso bom vinho português e algumas valentes petiscadas pelas tascas do nosso querido Portugal.

E se mais ninguém pegar nestas ideias, não há problema. São temas que já ficam alinhavados para quando abrirmos a Universidade Popular Portuguesa !!!

2003/11/11

11 de Novembro, Dia de S. Martinho

Ora aqui está um daqueles dias que é mesmo popular português! Há lá coisa melhor do que um dia especialmente dedicado a uma actividade destas. Comer umas castanhas assadas empurradas pela goela abaixo pelo tinto da pipa (escondida, claro! que os nossos burocratas emproados já ilegalizaram mais esta prática saudável) da tasca dos Peões.
Mas há um significado mais profundo e religioso por trás deste dia. E não estou a falar do concurso de farpas depois das castanhas, considerado por alguns uma verdadeira experiência religiosa! Este até já perdeu o verdadeiro significado de competição desportiva desde que o Neca e o Nando sistematicamente ganham por desistência devido a intoxicação do resto do pessoal lá da tasca.
Do que eu estou a falar é da lenda de S. Martinho. Pois concerteza que já a deveis conhecer mas aqui fica este pequeno texto que encontrei no jornal "O Perdigoto" da Escola EB 2-3 de Castelo Branco:
Antes de baptizado e convertido ao Cristianismo, S. Martinho foi na mocidade soldado das legiões do Imperador Juliano. Certo dia, sob o vendaval e a neve, equipado e armado, montado a cavalo, S. Martinho viu um mendigo seminu, tiritando de frio, estendendo para ele a sua pobre mão ossuda e congelada.
O Santo parou o cavalo, tomou com caridade a mão desse abandonado e, em seguida, tomou da espada, cortou pelo meio a sua capa de agasalho, deu metade dela a esse miserável peregrino e, envolto na outra metade, sacudiu a rédea e prosseguiu através da tormenta, do vento e da neve.
Subitamente, porém, no caminho do soldado, a tempestade desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu descobriu instantaneamente, como por encanto, a sua profundi-dade límpida e azul, e um sol acariciante e resplandecente inundou a terra de alegria e vestiu de luz e calor esse cavaleiro caridoso.
Deus, reconhecido, para que não se apagasse da memória dos homens a notícia deste acto de bondade, praticado por um dos seus eleitos, dispôs que em cada ano, na mesma época em que S. Martinho se desfez da metade da capa, por alguns dias se interrompesse o Inverno, cessasse o frio, sorrisse o céu e a terra, e um calor saudasse a natureza, sempre insensível à vontade dos homens, em memória daquele que, em certo dia, humilde soldado, trotando a sós por um caminho, desafiou e venceu a fúria insuperável dos elementos.
Como não podia deixar de ser também encontrei uns provérbios de S. Martinho. Ora aqui vão uns bem populares portugueses.
  • "No S. Martinho assam-se as castanhas e prova-se o vinho." (Ou noutro dia qualquer, o que interessa é meter pró bucho!)
  • "Depois do S. Martinho bebe o vinho e deixa a água para o moinho." (Ora nem mais, água é para levar os pés e os dentes, e mesmo para os dentes eu uso cerveja que faz mais espuma!)
  • "Pelo S. Martinho mata o porco e semeia o cebolinho." (Ou planta o nabo!)
  • "No S. Martinho vai-se à adega e fura-se o pipinho. Mas quem for honrado já deve ter furado." (Ah, pois! Isto quem sabe já anda a furar há muito tempo!)
  • "Queres espantar o vizinho? Lavra e estruma no S. Martinho." (Carago! Se me viessem cagar à porta até eu ficava espantado!)
Muitas castanhas e jeropiga para todos!