O Ponto de encontro dos Verdadeiros!

2003/11/16

Quem eu encontrei???

(3) Aaaoooouuuuuuuuuuuuuu

Imaginem quem eu encontrei!?!?!?!? O Ti Bairros!!!!...eheheheh é verdade.
Ônte fui ao Porto a uma consulta no hospital, por causa de umas hemorroidas e gases que me atormentam nesta época de castanha e vinho. Atão eram praí sete e pico...da tarde quando vou a passar naquela rua grande....os Alinhados, onde se fazem as festas de S. João no Porto. Umas vezes em Maio, outras em Junho e já vi em Julho.
Bom...ia a passar, como ia dizendo, e há lá um local com muitas camionetas. Tou eu a percorrer o paralelo da calçada, quando encostado a uma camioneta, está o Ti Bairros. Mão colada à viatura, boné na cabeça, gabardine pelos ombros e pernas semi-abertas. Dei por ela porque ele puxou uma daquelas suas "verdes" (que o tornaram penta campeão do atiranço da bisga, lá na Tasca do Nunes) e com o barulho do costume amanda-a pró chão. Paro. E qual é o meu espanto, vejo o Ti Bairros agarrado à mangueira pessoal, e a tentar lavar a camioneta, pela zona das rodas traseiras. Que quadro!
Por momentos não soube o que fazer, mas decidi apertar-lhe o bacalhau e aproveitei (que ainda tinha tempo para a carreira das sete e meia), para também eu, dar uma regadela na camioneta dos STCP, que ia partir naquele instante rumo à Avenida daquele clube de camisolas esquisitas.

E pronto...era só para saberem que, enquando libertávamos líquido e embelezávamos a calçada de verde, conversamos um bocado e fiquei a saber que está tudo bem com ele e com os seus.

Um bem haja pró Ti Bairros. Se me estiveres a ouvir, vai a um posto de Net e lê o que acabei de escrever.

Bisgas a todos!!!

(3) Foi como cumprimentei o Ti Bairros assim que o encontrei....

2003/11/12

"O saber é como a dobrada, ocupa lugar mas não é nada que uma malga de vinho não resolva."

Todos nós sabemos que a verdadeira cultura popular está a desaparecer a cada dia que passa... É verdade hoje em dia dá-se muito mais importância às coisas etéreas e superficiais do que ao saber dos anos feito e passado de avós para pais e de pais para filhos ao longo de muitas gerações.
Foi por isso que fiquei tão contente quando descobri a existência da Universidade Popular do Porto. E mais contente ainda fiquei quando descobri que eles tinham seminários como este. No entanto não posso deixar de reparar que esta oficina (muito má designação, oficina lembra trabalho e trabalho não tem nada a ver com cultura popular) aborda principalmente a teoria e a discussão de ideias e opiniões, o que, apesar de ser legítimo e necessário, não abrange os temas realmente importantes, como por exemplo:
  1. Do bacalhau até à patanisca - ciclo de vida
  2. Cozido à Portuguesa - confecção e deglutição
  3. A vinha e o vinho - castas, história e enfardanço
  4. Lendas e tradições do nosso Portugal Popular
  5. Vestimentas, estilo e teoria comportamental
  6. A casa e a tasca - diferenças e semelhanças
  7. Futebol, sueca e restantes jogos e entretenimentos
  8. O insulto e o piropo - diferenças estilísticas e casos práticos
Deixo aqui o repto à Universidade Popular para organizar uma continuação para este curso, que aborde questões mais práticas, como as que eu acabei de referir. Já agora, convidarem-nos a nós Populares Portugueses para leccionar alguns destes temas também não era nada mal visto. Quanto a honorários escusam de se preocupar... A malta resolve o assunto com uns pipos do nosso bom vinho português e algumas valentes petiscadas pelas tascas do nosso querido Portugal.

E se mais ninguém pegar nestas ideias, não há problema. São temas que já ficam alinhavados para quando abrirmos a Universidade Popular Portuguesa !!!

2003/11/11

11 de Novembro, Dia de S. Martinho

Ora aqui está um daqueles dias que é mesmo popular português! Há lá coisa melhor do que um dia especialmente dedicado a uma actividade destas. Comer umas castanhas assadas empurradas pela goela abaixo pelo tinto da pipa (escondida, claro! que os nossos burocratas emproados já ilegalizaram mais esta prática saudável) da tasca dos Peões.
Mas há um significado mais profundo e religioso por trás deste dia. E não estou a falar do concurso de farpas depois das castanhas, considerado por alguns uma verdadeira experiência religiosa! Este até já perdeu o verdadeiro significado de competição desportiva desde que o Neca e o Nando sistematicamente ganham por desistência devido a intoxicação do resto do pessoal lá da tasca.
Do que eu estou a falar é da lenda de S. Martinho. Pois concerteza que já a deveis conhecer mas aqui fica este pequeno texto que encontrei no jornal "O Perdigoto" da Escola EB 2-3 de Castelo Branco:
Antes de baptizado e convertido ao Cristianismo, S. Martinho foi na mocidade soldado das legiões do Imperador Juliano. Certo dia, sob o vendaval e a neve, equipado e armado, montado a cavalo, S. Martinho viu um mendigo seminu, tiritando de frio, estendendo para ele a sua pobre mão ossuda e congelada.
O Santo parou o cavalo, tomou com caridade a mão desse abandonado e, em seguida, tomou da espada, cortou pelo meio a sua capa de agasalho, deu metade dela a esse miserável peregrino e, envolto na outra metade, sacudiu a rédea e prosseguiu através da tormenta, do vento e da neve.
Subitamente, porém, no caminho do soldado, a tempestade desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu descobriu instantaneamente, como por encanto, a sua profundi-dade límpida e azul, e um sol acariciante e resplandecente inundou a terra de alegria e vestiu de luz e calor esse cavaleiro caridoso.
Deus, reconhecido, para que não se apagasse da memória dos homens a notícia deste acto de bondade, praticado por um dos seus eleitos, dispôs que em cada ano, na mesma época em que S. Martinho se desfez da metade da capa, por alguns dias se interrompesse o Inverno, cessasse o frio, sorrisse o céu e a terra, e um calor saudasse a natureza, sempre insensível à vontade dos homens, em memória daquele que, em certo dia, humilde soldado, trotando a sós por um caminho, desafiou e venceu a fúria insuperável dos elementos.
Como não podia deixar de ser também encontrei uns provérbios de S. Martinho. Ora aqui vão uns bem populares portugueses.
  • "No S. Martinho assam-se as castanhas e prova-se o vinho." (Ou noutro dia qualquer, o que interessa é meter pró bucho!)
  • "Depois do S. Martinho bebe o vinho e deixa a água para o moinho." (Ora nem mais, água é para levar os pés e os dentes, e mesmo para os dentes eu uso cerveja que faz mais espuma!)
  • "Pelo S. Martinho mata o porco e semeia o cebolinho." (Ou planta o nabo!)
  • "No S. Martinho vai-se à adega e fura-se o pipinho. Mas quem for honrado já deve ter furado." (Ah, pois! Isto quem sabe já anda a furar há muito tempo!)
  • "Queres espantar o vizinho? Lavra e estruma no S. Martinho." (Carago! Se me viessem cagar à porta até eu ficava espantado!)
Muitas castanhas e jeropiga para todos!

2003/11/10

É tão bom... tão bom, que até dá para cozinhar.

Durante o intervalo da manhã aqui nas obras do novo estádio de Aveiro, após mais uns baldes de cimento e de areia terem atravessado o costado paramos como sempre para beber umas bejecas (só duas, é que no inverno não apetece tanto) e para comer um bife de cebolada no pão da avó. Demos por nós na futura sala de imprensa onde tem dois PC's com acesso à Neti (acho que é assim que se diz!), estava eu e os meus manos africanos (O Zulu, de Cabo Verde e o Jimbra de Luanda, Angola) e o Boris (da Moldávia). E encontramos um daqueles sitios na Internet muito interessantes (Não, por acaso não é tipo GANG BANG, nem Bocetinha Quente!), mas sim é um sitio educativo.

Aqui fica a referência:
http://www.beercook.com

Meus colegas de tinto, a cerveja...é tão boa que até dá para cozinhar! É como dizer, aquela freira é tão boa... que até dá para pinar! É o chamado dois em um!

Puta que.... lá ia eu soltar a língua... olha, soltei antes uma bufa!

Fiquei satisfeto de saber que agora posso comer cozido à portuguesa (o meu prato favorito), com a bejeca no copo e a bejeca no tacho!

O único senão é que a página está em amaricano, mas o Boris arranha umas coisas de amaricano.

Amigos, só mais uma coisa... já sabem a inauguração do estádio de Aveiro... é sábado. Eu, o Zulu, o Jimbra e o Boris.... lá estaremos a chamar filho da... Ai, que eu soltar a língua... olha, soltei antes mais uma bufa. Encontramo-nos na praça, depois de almoço para nos embubadarmos!!!

Um abraço,
Neca

Lendas do Nosso Portugal Popular - II

Há muitos, muitos anos atrás houve uma batalha chamada Alcácer-Quibir (que parece o nome de uma música da Maria João e do Mário Laginha).
Nesse tempo havia um Rei chamado D.Sebastião que reinava em Portugal (e que comia muito - daí o "Sebastião come tudo, tudo, tudo...").
O D. Sebastião não se podia negar de ir a essa batalha (senão poderiam pensar que ele era rôto).
Juntou a sua tropa preparada para tudo (para *quase* tudo...).
O Rei D. Sebastião deu o sinal de fogo e os soldados correram (a ver quem chegava primeiro).
Sangue derramava nas suas espadas, caiam no chão cobertos de sangue (e gritavam "Ai Jasus Senhor... que não volto a ver a tasca do Quinquilhas!").
Era uma manhã coberta de nevoeiro, a tropa de Portugal venceu mas o Rei D. Sebastião tinha desaparecido (mal eles sabiam onde ele andava).
As pessoas sabiam que ele tinha desaparecido mas não sabiam como ele desapareceu (mas eu sei, tinha ficado com sede e decidiu ir ao Quinquilhas malhar um copo de três).
Pensaram que como essa manhã estava nevoeiro que ele voltava a aparecer um dia (só que o bebedeirão foi tamanho que quando acordou estava deitado na cama com um "tráveque" espanhol... a vergonha foi tanta que teve de saltar a fronteira para Espanha, onde junto com o "trávéque" viveu feliz para sempre...).
Torresmos com tinto a todos!

2003/11/06

DesNORTE...

Estava no outro dia agarrado a um prato de presunto e a beber um jarro de tinto, enquanto via o Boavista-FCP, quando assisti a uma cena lamentável:
Na mesa ao lado da minha estava um casal com o filhote, acompanhados de dois amigos. Discutiam futebol (falavam mal do Boavista e do Porto - foi no Centro-Sul de Portugal), quando um dos ditos "amigos" se virou para o miúdo e perguntou:
"Olha lá, tu és do Benfica ou do Sporting?", que é como quem pergunta "Queres levar um murro na cara ou um pontapé no cú?!?". Da-se! E as outras opções?
Um dia destes entro na tasca do Quinquilhas e perguntam-me: "Queres torresmos com bolor ou dois rissóis de moscardo?". Rais parta a ignorância!

PS: Pelo menos eu perguntaria "És do Porto, não és?" (enquanto segurava numa faca). Assim sempre reduzia o leque de respostas...

2003/11/02

O Elevador do Tio Mene

Aouuuuuuuuuuuuuu (2)

Meus Amigos!

Já lá vai algum tempo que não vos escrevinho qualquer coisita. A labuta diária impede-me de juntar dois dos meus neurónios a trabalhar para o Popular.
Mas a alegria que me invade a alma e os acontecimentos recentes fizeram com que me libertasse desta prisão e me fizesse deslocar à tasca para passar um bom tempo junto desta televisão à minha frente e carregar numas letras.
Isto não está relacionado com o facto de finalmente durante esta semana se ter anunciado que este é ano de bom Vinho!!! Naaaaaa... Melhor do que isso! Esta semana, após horas de esforço, dores incríveis e exercícios de respiração....fui TIO.
Uma moçoila de 3,450 kg de peso bruto passou a fazer parte da minha vida. Já marquei a boda do baptizado na Tasca do Nunes, com binhaça à descrição pró pessoal.
Mas falando da rapariga, tenho a anunciar que já começa a perceber as coisas da vida. Para além de ter dado a sua primeira cagada após lhe ter dito a palavra Benfica, viu na sexta-feira passada o primeiro golo do seu clube do coração, enquanto, de boca aberta (deslumbrada com o sucedido), procurava a torneirinha do nectar branco da mãe. Pode-se dizer que é Portista desde pequenina .......... e mamona.
Fui vê-la no outro dia. Sexto andar do hospital, lá fui eu com duas garrafas de vinho, uma broa e um tacho de rojões para a mãe, dentro de um saco. Chego perto do elevador e chamei por ele: "Oh Elevador???". Um homem ao meu lado ficou pasmado, mas o que é certo é que ele apareceu. Entrei. A meio da viajem, entram dois casais de Verdadeiros. Com uma média de idades entre os 40 anos, começaram a carregar nos números. Eu ia para o sexto, um dos casais para o 8º e o outro para o rés-do-chão, ou seja, 0.
-"Estranho - diz uma das mulheres - Atão eu carreguei aqui neste e isto está a ir pra cima??.
Pensei:"Está a bricar com a gente, tipo... desbloqueador de conversa".
-"És burra - responde o marido - tu carregaste no -3 e queres ir pra baixo? Não percebes nada disto. Eu carrego - e carregou no zero.
-" Não, mas ele vai pra cima e depois vem para baixo" - respondeu a outra senhora.
- "Atão se eu carreguei para baixo como é que ele vai para cima?"
- Cala-te, pôssa (que palavra gira que eu nunca soube como se escrevia). Isto vai lá dar" - respondeu o marido - Segura-te ai de lado que isto está a andar.
Passados 5 minutos (pelo menos pareceu) chegamos ao sexto andar. As portas abriram. Os casais à minha frente de plantão a tapar a porta. Eu a pedir licença pra sair e vira-se a ignorante: "Ai vai sair aqui??"
" Não, sua besta quadrada, eu nem quero sair. Tenho um fetiche por elevadores, sabia: cima, baixo, baixo, cima. Ohhhh..... Eu moro num elevador sabia? Até vim com comida e bebida para passar aqui um bom bocado. Aliás até escolhi o 6 porque me pareceu ser um bom número para carregar. Além disso eu já fiz muitos amigos num sito como este. Ou então sou o empregdo do hospital para levar as pessoas para os andares e dizer: Piso 6 - Obstetricia e Pediatria", Piso 3 - Psiquiatria para pessoas que não sabem andar de elevador! DA-SE!!!!!" - pensei eu com uma vontade de ter dito. Mas não disse.
Saí.
No caminho para o quarto, consegui perceber que, por momentos, dentro daquele elevador, senti-me um primata superior.

Inté!!!

(2) - Forma para cumprimentar o pessoal quando se chega à Tasca do Nunes.

2003/10/31

Profissões do meu país II

Tal como prometido aqui já há uns tempos, esta secção de "Profissões do meu país" veio mesmo para ficar. Hoje vou dedicar mais algumas linhas a duas delas que espero não fazerem ainda apenas parte da memória de alguns de nós.
Já há algum tempo que não me desloco com frequência ao centro da cidade de Braga onde moro. A transformação de todo o centro histórico (e não só) numa zona pedonal aqui há uns anos atrás veio tirar parte do buliço característico dessa zona da cidade. Há uns dias atrás, numa das agora raras ocasiões em que posso andar a passear pelo centro durante a manhã, tive uma agradável surpresa. Ali perto da Arcada, entre a Casa da Sorte e o Banco de Portugal, ouvi um pregão que já me tinha desabituado de ouvir: "Olha a Lotaria Popular! Anda hoje à roda!". Uns metros mais ao lado, já debaixo da Arcada, um outro: "Olha a lotaria! É pra hoje!". Ali, no coração da cidade de Braga, a menos de dez metros um do outro, em pleno século XXI, e onde sempre me lembrara de os ver, lá estavam um cauteleiro e um ardina, duas profissões que sempre se misturaram e confundiram ao longo dos tempos.
Claro que tanto um como o outro estavam um pouco longe da imagem do ardina e do cauteleiro clássico. O cauteleiro clássico com a sua farda e chapéu distintos e apenas com a sua "fazenda" na mão já há muito desapareceu. Ainda bem que para prazer da memória colectiva de todos a sua figura tradicional tenha para sempre sido preservada numa estátua em (Cruzes credo canhoto!) Lisboa (Benze! Benze!) defronte da Santa Casa da Misericórdia.
Os ardinas da Arcada em Braga lá estavam, tal como sempre os conheci, nas suas esquinas com a mesa desdobrável que montavam ao início da manhã e onde tinham sempre os jornais diários e umas cautelas de lotaria para acompanhar. Aquele ardina de jornal na mão e sacola ao ombro já não me lembro ver. A última vez que me recordo de ver um foi há muitos anos atrás - era eu ainda um petiz espigadote - nos semáforos da Circunvalação no Porto. Felizmente, e para a memória das gerações futuras, esta figura tão característica foi imortalizada numa estátua na Praça da Liberdade, ao fundo dos Aliados no Porto.
Para o próximo "Profissões do meu país" fica prometida a história do último corretor português.

2003/10/29

Taxi! Taxi!

É com um bife panado dentro de um pada de Vale de Ílhavo (ou Baldeilhavo), com uma malga de tinto na frente e com os olhos postos nos escândalos no noticiário da TVI que dou por mim a pensar numa nobre profissão recheado de "Berdadeiros". Como já devem ter deduzido, estou a falar dos Taxistas. Esses Airtonis Cenas do asfalto, buracos com alcatrão e estradas de terra lusas. Os Taxistas são do melhor que existe na sociedade portuguesa, passo a inumerar o porquê:
  • Aldrabões - Quem nunca sentiu ao viajar num Táxi, que estava a andar à volta do sitio para onde pretendia ir... e mesmo assim, o Snr. Joaquim lá continuava com um sorriso nos lábios e falar do tempo. Na realidade, estes senhores são embaixadores de Portugal e servem de guias turísticos nacionais, dos melhores que temos. Uma vez aqui o Neca, foi à moirama e não é que o Sr. Taxista tinha um pano por cima do táximetro. Quando lhe perguntei pelo mesmo e lhe tirei o pano, disse que não estava a trabalhar. Ele devia pensar que na província não existiam Taxis. Estes homens são uma referencia na Arte da Aldrabice e Corrupção.
  • Connoisseurs de Alternadeiras - Não existe nenhum Sr. Dos Carros Amarelos (quem é que escolheu a cor dos táxis?) que não domine onde se passa toda a acção a partir das 4h da madrugada. Eles sabem os locais, as maroscas, os preços, o que de melhor existe de carne para consumo, importada desde o Nordeste Brasileiro às planícies geladas da Ucrânia.
  • Conhecimentos Futebolísticos - Quem não teve conversas com estas enciclopédias de 4 rodas sobre os grandes clubes nacionais. Eles lembram-se do plantel do SLB de 65/66, do SCP de 73/74 e do FCP de Pedroto. E alguns, até sabem onde é que o Jardel se portava mal! :)
  • Golpistas Natos - Quantas vezes vemos manobras radicais (360º, Passa em forth fila, halp pipe em túneis, Grand Ultrapassagem, Semáforos à la RED a bombar, e por aí fora...) feitas por estes peritos do alcatrão. Por de trás dos 120 kilos de taxista, eles são uns Ganda Malucos amantes de actividades radicais.
  • Pilotos por excelência - Quem nunca andou 15 minutos dentro de um Taxi, e o dito piloto só usou 2 mudanças: a segunda e a quarta. É que usar a caixa de velocidades dá trabalho como o caraças!

Enfim, a todos os senhores dos Taxis, um bem haja! Continuai a insultar os outros condutores na estrada, sempre com dois copitos de tinto no bucho para conservar a calma no inferno das estradas lusas.

E como diria o Tóne....Boas Viagens, que o táximetro não para!

O "Verdadeiro" ataca de novo

È com uma pinga de tinto no canto da boca que vos "falo". Assisti no outro dia a uma daquelas cenas que são capazes de mexer com um homem (não estou a falar de terramotos, nem dos filmes da Angelina Jolinda). Fiquei mesmo emocionado...
Esta eu a atestar o depósito do meu veículo (Fiat 127 Turbo) com gota, quando a cena ocorreu. Acabei de verter a gota, dei uma sacudidela ao tubo (tá pago, tá pago!! A gota que está no tubo já foi contabilizada!) - os homens fazem isto muito melhor que as mulheres, ainda não entendi porquê, mas tenho as minhas suspeitas. Um dia destes debruço-me sobre este assunto - quando me dirijo ao caixa para pagar. De repente, reparo na porta de acesso à loja da estação de serviço - nesse preciso momento, um raio de sol iluminou a porta e assim que ela abriu (é uma daquelas modernas, que se abrem sozinhas - dizem "eles", cá para mim, está lá um gajo escondido a abrir e a fechar a porta) eis que se vejo um Verdadeiro. Camisola interior de alças, uma camisa aberta a esvoaçar (estava vento - não sei se era disso ou de algum descuido do homem), uma bigodaça de fazer inveja a muitos, uma calças sujas de óleo e uma cabeleira despenteada, como deve ser.
Esta visão já de si agradável, uma vez que gosto sempre de encontrar Verdadeiros pelo país fora (este episódio passou-se em Ceide), melhorou quando de repente o homem - que parou por breves instantes na porta - "sacou" de uma botelha de Martini (daquelas pequenas) e a "mandou abaixo" de golada! Ah valente! Fiquei logo com sede!
A seguir, atirou a garrafa vazia para o lixo (isso da reciclagem é para os fanchonos), meteu-se dentro camião que conduzia e seguiu viagem.
Bonito, pensei.
É bom saber que "eles andem aí".
Fiquei tão entusiasmado com a cena, que acelerei o passo, paguei a gota, e com o resto do dinheiro comprei também umas garrafitas de Martini. Dão sempre jeito. Às vezes apanha-se muito trânsito, temos de parar, e beber uma garrafita sempre ajuda a passar o tempo. Também comprei uma embalagem de torresmos. Não são a mesma coisa que os do Quinquilhas, mas dão para enganar o bucho!
Boas viagens!

2003/10/24

QUATRO VÍRGULA CINQUENTA E CINCO !!!!!!!!!

Foi este fim-de-semana apanhado, em Oliveira do Hospital um incauto condutor, que calmamente conduzia a sua viatura enquanto carregava uma carga etílica de precisamente 4,55 gramas de álcool por litro de sangue...
Quatro Vírgula Cinquenta e Cinco !!!!!!!!!!!!! Até a nós Populares Portugueses, habituados ao convívio com a garrafa e com a máquina de tirar finos este número impressiona, pois não é todos os dias que se vêm prestações deste calibre... É um valor que se aproximou perigosamente do recorde oficial registrado nas estradas portuguesas, e que pertence actualmente ao intrépido Serpense (???) Nuno Leocádio, que atingiu uns brilhantes 4,97 g/l de álcool no sangue, e é também uma marca que já não fica assim tão longe dos estratosféricos 6,27 g/l conseguidos pelo Tó Mané há algum tempo atrás mas que infelizmente não é uma marca oficial, pois o Tó enganou-se e em vez de bufar ao balão bufou para a cara do polícia responsável pela homologação da marca, instantaneamente tombando-o ao chão.

Quanto a este amigo de Oliveira-do-Hospital, infelizmente a GNR da Lousã, talvez com ciúmes de não conseguirem chegar ao nível deste verdadeiro Popular Português, demonstraram uma total incompreensão pelo seu estatuto de atleta de alta competição e em vez de o congratularem pelos seus brilhantes resultados, puseram-no na prisão... Que fique já registrado o nosso protesto formal contra esta forma de actuar por parte das nossas autoridades... Isto não é forma de tratar gente que tanto dá ao nosso país !!!

Queria por fim deixar uma palavra de apreço pela proeza deste "Verdadeiro"... São pessoas destas que nos incentivam a melhorar cada vez mais !!!

2003/10/21

Estou convocado!

Pronto, eu confesso! Eu não gosto do Scolari! Ou melhor, eu não gostava do Scolari. Rais'ma parta se eu me lembro de alguma vez a selecção ter andado a jogar tão mal como tem jogado ultimamente. Assim de repente só me lembro do Mundial da Coreia... e dos tempos do poeta Jorge Artur... e é melhor ficar por aqui!
Mas perguntam vocês porque eu agora comecei a gostar do Scolari: "Ó Nel, mas porque caralho é que tu agora já gostas do begueiro do Scolari?" E eu digo-vos: "É que eu já percebi qual é a táctica do homem para ganharmos o Euro!" E que grande táctica é esta! Só ao alcance de alguns iluminados. Eu passo a explicar.
O homem anda a fazer estes jogos de preparação com Figos, Ruis Costas, Ricardos e outros cepos do género para enganar a estrangeirada que vem jogar contra nós. A verdade é que a lista dos convocados para o Euro 2004 é outra! Ah, pois é! Posso-vos anunciar aqui em primeira mão que eu sou um dos convocados! Duvidais? Olhem que eu tenho o autocolante colado no vidro de trás do meu Fiat 128 para provar! E o Nando, o Tóne, o Mene, o Neca e o Tó Mané também vão! Já começais a perceber a táctica do homem? Não? Carago! É assim:
  1. A estrangeirada vê aqueles trepos todos a jogar e julga que isto cá vai ser favas contadas contra Portugal.
  2. O Scolari, em vez de os convocar a eles, convocou-me a mim e ao resto dos Populares Portugueses. E também sei que mais malta lá do café do bairro que joga connosco à bola ao sábado a tarde também vai.
  3. Depois no Euro, antes de cada jogo, vamos conviver com as equipas adversárias. Já nos estou a imaginar "Ó camone, anda aqui to eat umas moeles com jeropig!" ou "Ó franciu, vien ici prover este vinho tinto avec presunto!" ou até "Comie mias iuma patianisca, espanhiol. Riega a goelia com um vierde brianco!"
  4. Pomos os gajos a comer tanto petisco e beber tanto vinho que no dia seguinte só conseguem cagar de esguicho!
  5. Como nós somos uns gajos muito mais rijos nisto da petiscada e vinhaça, no dia seguinte só precisamos de aparecer no jogo depois de malhar mais uns finos que até com a pança marcamos golos à estrangeirada que nem arrastar-se pelo campo consegue.
Estais a ver agora como o Scolari percebe mesmo de bola? Por isso já sabeis! Se estiveres convocados aparecei, carago! Isto há petiscos e finaços que cheguem para nós todos.

2003/10/18

Um homem, uma carreira !!!

Ora viva caros amigos !!!
É verdade, estou de volta após uma ausência (demasiado) prolongada...
A verdade é que estive ausente na Alemanha a trabalhar na construção civil. No entanto as saudades do nosso Portugal foram maiores e tive de voltar antes de acabar a minha comissão de serviço. Para além disso toda aquela cerveja que eles lá têm, e que em parte foi um dos motivos que me levou até lá, foi uma grande desilusão... Valeram-me os amigos portugueses que por lá encontrei que através de artimanhas e estratagemas vários (afinal de contas são portugueses) me foram abastecendo o bucho de Super Bock e sandes de orelha de porco e de coiratos.
Pois é, apesar de tudo as saudades bateram mais forte e ainda para mais sabendo dos próximos acontecimentos que se vão realizar por cá (como o campeonato de sueca que se vai realizar na tasca do Quinquilhas e outro grande acontecimento que é o que me leva a escrever este post) não poderia tomar outra atitude...Ainda assim queria aqui deixar a todos os emigrantes um grande abraço de agradecimento e fica já a promessa de um dia aqui aparecer um textozito de homenagem a todos os nossos amigos que andam a ganhar a vida por esse mundo fora...

No entanto o que me leva a escrever hoje não são as peripécias que me aconteceram na Alemanha, mas sim outro acontecimento de grande dimensão que se realiza cá no burgo (mais precisamente nas terras mais a sul). Como é óbvio estou a referir-me ao grande concerto que o enorme Emanuel vai dar amanhã à tarde no Coliseu dos Recreios em Lisboa.
Realizado sobre o tema "Ontem, hoje e sempre", este concerto promete encher o Coliseu e revisitar 10 anos de carreira (e de sucessos) deste nosso amigo e espera-se que seja em todos os aspectos superior ao concerto, já aqui referido num post anterior, que o Emanuel deu em Famalicão e que compreende-se agora, terá servido de preparação para o dia de amanhã.

Sendo assim deixo-vos com esta sugestão para uma tarde de domigo muito bem passada.
Encontramo-nos a partir das 17 horas no Coliseu dos Recreios para este concerto que promete perdurar nas nossas memórias...
Até amanhã e um abraço deste vosso amigo !!!

P.S.: Para todos aqueles que queiram saber ou pouco mais sobre o Emanuel, sobre as suas actividades e tudo o que lhe diga respeito aconselho a visita ao site oficial do artista, que podem encontrar aqui.

O cheiro inconfundível a castanhas (e não só) no ar...

É Outono!
O frio começa a dar mostras de si. Com ele chega meia dúzia de coisas boas que tornam esta estação tão especial. Ainda assim não tão especial como a estação... de serviço da Mealhada (aquelas sandochas de leitão...).
Uma das coisas boas são as castanhas. Vamos na rua em direcção à tasca e sentimos aquele cheiro fantástico no ar. Mandamos vir uma dúzia, que nos são entregues num cone de papel de jornal da semana anterior... Tomando atenção ainda conseguimos distinguir entre as letras o número de telefone da "mulatinha peito 44... muito gostosa". Anota-se o número. As mãos enfarruscadas da velhinha que nos entrega as castanhas mostram também as gretas causadas pelo sal. São a prova de anos e anos passados na assada das castanhas (para todas elas, o meu "muito obrigado").
Comemos as castanhas. Sabem a Outono. Fazem-nos reviver Outonos passados... e histórias que a seu tempo serão aqui contadas. Mais que tudo, vão-nos fazer ganhar o dia! Porquê? Por vários motivos. Passo a citar:
- As mãos enfarruscadas permitem que se pinte a cara alguém lá da tasca sem que dê por isso - risota geral (ou quase - o "enfarruscado" nunca acha muita piada);
- Os gases que as castanhas produzem vão fazer com que se ganhe uns pontos preciosos no concurso "cu arrotador" - o Neca vai à frente, logo seguido do Nando;
- Os putos que levam as cascas das castanhas no capucho dos casacos. Só gostava de ver as caras deles (e das mães) quando chegam a casa e atiram o casaco para o sofá...
- Como toda a gente sabe, com castanhas marcha muito bem a bela da jeropiga! Pois bem, eu gosto muito de castanhas, logo como muitas, logo bebo muita jeropiga (sim, sim... também tenho muitos gases - vou em terceiro no "ranking")!

São Martinho é quando um homem quiser... é que agora já hà castanhas congeladas.
Da-se! Um dia destes inventam torresmos em pó (daqueles que é só juntar água - ainda se fosse vinho). "Óh moço, traz-me aí meio quilo de torresmos em pó, um litro de água, uma colher para mexer, dois pães e um quartilho de tinto!"

PS: Voltar a ler o título...

2003/10/17

A matança, a febra e o chouriço! - Parte I

Cozida manhã de Outono... No horizonte, o fumo da neblina daquele raiar do galo matinal.
A velha, com meias pretas, que suavemente lhe tocam as partes reservadas, temperadas com a astúcia secular de invernos passados no recôndito da sua lareira, deambula graciosamente, em manobras rotineiras, com balde de lavagem na mão direita, couves na esquerda...

Nos currais, os coelhos - recebem com graciosidade a frescura verde... Mais à frente, por entre as portinholas seguidas, o abruto chocalhar dos pitos de feira, já despertos, que se agitam ainda mais, na sua sinfonia irritante de sons anímicos, com o aproximar da comida que parece sempre tardar...

Na última porta, sentença final de um grande calvário, mora a personagem desta prosa.

Nesse dia, passa por abstinência, que assim obriga a matança... É o porco de animal, cozedura ou assado, que motivo melhor para encher de gordura o bom bigode farfalhudo....

Horas passadas, e com sol por nascente, parece surgir alguns suspensórios no meio da vegetação... São os senhores que se preparam. Trazem, debaixo de braços, cuidadosamente enroladas em pano manchado, as várias facas de um ofício de artistas.

Preparam com rigor, o banco de deleite, manchado de carvão preto, fruto de usos passados... Na cozinha, as meninas de avental, cozem panelas de água, sobre o lume de lenha, no chão consumido...

De fora chegam grupos de gente, de idades várias, entre putos curiosos, aos reservados familiares, que nas suas palhotas de cesto, fazem transportar a broa de cozedura fresca, e o melhor das colheitas de vinho do Setembro recente.

Depois do trocar de comprimentos, tempo para anedotas várias... Riso generalizado, enquanto se forma a comitiva. Junta-se o melhor da frescura em cinco homens de corpo avantajado... O mais novo ainda carrega borbulhas várias, que de outra experiência parece necessitar...

Seguem trajecto pelo quintal vasto, por entre couves e tomatais devidamente estacados, carreiros corridos e alinhados, que no bagaço do pequeno almoço, serve de orientação à porta do aido.

Mais duas de treta corrida, enquanto se agrupam na porta... Combinam uma estratégia decorada. Dois entram com cordas em punho... No foucinho o fazem segurar... O animal parece ter muita genica... Talvez tenha passado num mês, a sua altura de matança...

No lombo de presunto, dois são o que o empurram, enquanto os restantes, pelas duas pontas da corda, o tentam encaminhar para o banco.

Coices em seco, o carreiro não os parece enganar, que de perdidos no quintal, só da força do bicho, o parece transmitir...

Chegam por fim ao alinhamento do banco, que sobre ele, o tentam deitar, por força de braços, o animal quase extasiado...

Força nas cordas, que de excesso de confiança, fica remetida a dois homens... Na retaguarda, outros dois abraçam as pernas, que em sofrido movimento lutam para o erguer...

Lá ao perto, as mulheres vão chegando com as panelas quentes e alguidares vários, em fila organizada, na sua ordem combinada...

O ancestral, desvenda, por entre o desenrolar dos panos vários, a faca da matança, que ajuíza a afinidade, e com ela tempera o gume e afia o desejo.

Suados de raiva pelos movimentos do animal, os jovens fazem descair os suspensórios, aglutinam raivas passadas, e juram vencer a batalha... Mas, para o cenário montado, a palha amontoada a um canto, faz escorregar um dos obreiros... A sua penca enfia-se sem hesitação por entre o rabo contorcido do animal.

Enquanto pestaneja a maleita, as cordas ficam pendentes com o espanto, e o animal sai desvairado do cenário... que de adivinha parecia premeditar o seu fado... Corre pela quinteira, derruba a comitiva de senhoras, e enche de pânico as restantes, que no seu desespero largam salpicos de água e louça, pela passagem rápida...

No trote dos cascos, corre pelo quintal, desvairado, levando o alinhamento, e a tomatada, que sem regras, parece o animal possuído... galga meio muro, e segue a destruição...

Lá longe, um dos homens lava a cara em água escaldada na tentativa de tirar o cheiro da ponta da penca... Queima-se, e mais inchado fica, que muita luxação já tinha da bebida...

Os restantes quatro seguem como necas a abanar, para o tentar desviar das plantações organizadas...

Já o bicho se encontrava mais calmo, regalando-se com os nabos que arranca em série do fundo da terra quando, com ares extasiados, chegam os heróis em banda dispersa. Tentam-no cercar... mas os olhos miúdos não se deixam consumir, e de arena se faz o recinto, pois de séries seguidas de fintas, os fazem todos aterrar por terra...

Enraivecidos, os homens reorganizam-se... Sentam-se numa sombra e contemplam o porco à distância. É servida meia côdea a cada um dos presentes, dois pasteis de bacalhau, e uma vintena de malgas de vinho - sob a forma de dois garrafões de tinto.

No cruzar de olhares, a relação criada entre quem não manda, e quem não quer ser mandado...

O sol curtia meia distância entre o amanhecer e o meio-dia. O grupo de valentes interrogava-se sobre a hora, que por altura, já devia ser de limpeza... E sonham com os chispes e dobradas bem cozidas... Pois, se de força era a besta capaz, bom paladar teria de trazer à mesa, por certeza!...

Nova meia hora passou até que, possuídos por uma sorna invulgar, a trupe de matadores se deixa adormecer na sobra da macieira seca...

Nem o gizado do barulho ensurdecedor da matilha de putos que se devertiam em redor do porco os fez acordar...

Na Eira, as mulheres preparam o almoço, enquanto trespassam novamente os paus de marmeleiro, ou "vira-tripas", pela água fresca, que de pó já se fazia notar as suas pontas...

No pasto longícuo, o chefe acorda, com a faca da matança cruzada sobre o peito, com o barulho de mais uma passagem do porco que chiava aguçado, pelo facto de transportar no lombo, um dos miúdos divertidos...

É o alerta geral, que na missão se fazem todos despertar...

Sem regra, seguem o encalço... mas rapidamente se cansam, pois longo parece ser o caminho que, nesta perseguição sem rumo, os fazem abandonar novamente o destino do dia...

Enlameados e humilhados, seguem afiando os bigodes, de reencontro ás mulheres...

Sentam-se refastelados nos bancos de madeira, enquanto são servidas couves e batatas cozidas, que de guarnição parecem eles contentes, pois de mais nada fora o preparo da refeição, a não ser do Porco que não fora morto, juz de carne que falta...

Mas a boa pinga depressa os remeteu ao esquecimento, e à sonolência... E depressa se sentaram em jogos de sueca seguidos por intervalos de sesta animada...

No fim a promessa, de que no termo da semana que começa, a vingança seria realizada... e de tripa lavada se iriam regalar as mulheres, e de rojões quentes se iriam saciar os homens...

2003/10/16

Contrafacção algo realmente interessante.

Ora biba, chegado aqui à obra (Estádio para o euro 2004, em Aveiro) depois de um almoçito na tasca da TiMaria em Mataduços. Depois das belas das fanecas fritas, do arroz de feijão e dos três copos de tinto. Não se pode ingerir bebidas alcoólicas em demasia, os andaimes são altos para ca#$"#$. Dei por mim a pensar em algo Português*, e o principal motor da economia nacional ...

A Contrafacção.

A contrafacção, consistindo na reprodução ou imitação de forma fraudulenta de um bem, com prejuízo do autor ou inventor e também com prejuízos evidentes para o Estado, vem justificando uma acção sistemática por parte desta Inspecção-Geral.

Não existe nada mais bonito do que um gajo ao domingo à tarde, pegar na cachopa, e ir por exemplo, à Tocha ver as calcinhas Lewi's Fashiun. O Polozinho Rafael Louren (ou Lourenço), o cinto de couro dos marroquinos, as sapatilhas Retruck (que são contrafeitas por uma marca Amaricana a Reebok!)...etc.

Eu pessoalmente tenho a dizer-vos que sou totalmente a favor da legalização da contrafacção. Não existe nada mais triste do que um Neca estar na feira, e aparecer uma comitiva de policias, e ver os vendedores (gente boa e trabalhadora) a fugir pela feira afora.
Mesmo quando um tipo estava a regatear a camisinha Saccur por 15 Euros. E o coitado do vendedor (gente boa e trabalhadora) desata a correr em frente do GNR Barrigudo! É motivo para um gajo dizer:

Dasse!

* Existem outros países que contrafactuam (palavra bonita), mas meto as minhas unhacas pretas no lume em como os Portugas, foram os primeiros.

Quem paga a próxima rodada??? Nando???

2003/10/14

Lendas do Nosso Portugal Popular - I

Inicio aqui uma nova rubrica do Popular Português. Baptizei-a de "Lendas do Nosso Portugal Popular". Para começar, nada melhor do que escolher um simbolo que representa quase como nenhum a faceta popular deste país à beira-mar plantado: O Galo de Barcelos.

Segundo a lenda do Galo de Barcelos, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.

Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.
Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz.
Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a São Tiago.


PS: Será que não estava toda a gente com um bebedeirão danado e julgaram ouvir o galo cantar, quando na realidade era um puto a dizer que tinha sujado as calças: "cóco.. (fiz) cócó"?

Da casa de quem?

Ando confuso. Das várias tascas que fazem parte do meu curriculo, cerca de três (dúzias) delas têm como "oferta" o "famoso" (ou não) VINHO DA CASA.
Isto cria-me alguma confusão...
Primeiro: O vinho é da casa de quem? É o dono da casa que estabelece o preço do tinto?
Segundo: Se o vinho é da casa, ninguém devia poder "ficar" com ele, certo?
Terceiro: Vinho da casa? Mas o vinho não é das uvas?
Quarto: Porque é que o vinho da casa é diferentes de tasca para tasca? O "Teobar Tinto" é igual em todo o lado, carago!
Quinto: Normalmente é mais barato que os outros, ainda que nem sempre seja pior. (?)
Sexto: Porque é que às vezes é apresentado em garrafas sem rótulo, com uma "rolha" de plástico e vem a pingar água? Será vinho em pó ao qual se adiciona água? Ou será vinho "líquido" ao qual se adiciona água?
...
Oitavo (lugar da Superliga): SLB >:)

São estas dúvidas que atormentam por agora a minha mente... bem, que se lixe! Vou ao Quinquilhas beber mais um copo três.

2003/10/13

A Ressaca durou uma semana...

Caro Povo de Portugal, é com muito orgulho que passo a frequentar A TASCA mais popular e portuguesa do universo. Desde há algum tempo que passo em frente deste estabelecimento comercial e sinto o cheiro a suor misturado com o tinto carrascão das malgas que nunca viram nem Super Pop, nem outro detergente qualquer. Estava ansiosamente à espera de conseguir entrar... mas depois de entrar e da entornização foi tal a bubadeira que durou uma semana para curar. Ainda sinto o sabor na goela do "Casa de Santar", que nos acompanhou neste evento.
Como qualquer homem (ou foneticamente falando, ômme) que se preze, ao entrar numa tasca de elevado nível, a primeira coisa que faz é pagar uma rodada à malta. A meu pedido saíram alguns traçadinhos de ponche para o pessoal. Passo então a apresentar-me:

Nome: António Meireles Pompeu (Meireles do lado pai, e Pompeu do lado da mãe), isto porque o meu pai Inácio Joaquim Meireles, apanhou tamanha bubadeira que quando me foi registrar trocou a ordem.
Profissão: Já tive várias: aos 12 anos era Ardina em Coimbra, aos 18 tocava concertina no banda filarmónica do Entroncamento, já fui empregado de mesa (mais conhecido por OOOOHhhfaxeAvor, fui despedido por coçar os tomates em frente da clientela) e actualmente sou pedreiro a trabalhar no estádio do Euro 2004, em Aveiro. Digamos que sou um jogador polivalente.
Clube de Futebol: Tigres do Zêzere

Um grande abraço,
E até à próxima rodada.

António Meireles Pompeu - "Neca"

Ouvido de passagem

Agora que o Outono já se mostra nas suas verdadeiras cores e que parece que os dias frios chegaram para durar lembrei-me de uma pequena história que já passou há uns anos. Foi daqueles episódios que só no nosso país de coloridos populares portugueses poderia acontecer. Estava um dia de Outono frio e um casal de idosos seguia à minha frente pela rua fora.

Ele: Foda-se! Tá um frio do caralho!
Ela: Tá, tá! Cum filha-da-puta!

Este momento de doce candura trouxe-me uma lágrima ao canto do olho. Ah grandes e populares avós deste país!