O Ponto de encontro dos Verdadeiros!

2003/10/21

Estou convocado!

Pronto, eu confesso! Eu não gosto do Scolari! Ou melhor, eu não gostava do Scolari. Rais'ma parta se eu me lembro de alguma vez a selecção ter andado a jogar tão mal como tem jogado ultimamente. Assim de repente só me lembro do Mundial da Coreia... e dos tempos do poeta Jorge Artur... e é melhor ficar por aqui!
Mas perguntam vocês porque eu agora comecei a gostar do Scolari: "Ó Nel, mas porque caralho é que tu agora já gostas do begueiro do Scolari?" E eu digo-vos: "É que eu já percebi qual é a táctica do homem para ganharmos o Euro!" E que grande táctica é esta! Só ao alcance de alguns iluminados. Eu passo a explicar.
O homem anda a fazer estes jogos de preparação com Figos, Ruis Costas, Ricardos e outros cepos do género para enganar a estrangeirada que vem jogar contra nós. A verdade é que a lista dos convocados para o Euro 2004 é outra! Ah, pois é! Posso-vos anunciar aqui em primeira mão que eu sou um dos convocados! Duvidais? Olhem que eu tenho o autocolante colado no vidro de trás do meu Fiat 128 para provar! E o Nando, o Tóne, o Mene, o Neca e o Tó Mané também vão! Já começais a perceber a táctica do homem? Não? Carago! É assim:
  1. A estrangeirada vê aqueles trepos todos a jogar e julga que isto cá vai ser favas contadas contra Portugal.
  2. O Scolari, em vez de os convocar a eles, convocou-me a mim e ao resto dos Populares Portugueses. E também sei que mais malta lá do café do bairro que joga connosco à bola ao sábado a tarde também vai.
  3. Depois no Euro, antes de cada jogo, vamos conviver com as equipas adversárias. Já nos estou a imaginar "Ó camone, anda aqui to eat umas moeles com jeropig!" ou "Ó franciu, vien ici prover este vinho tinto avec presunto!" ou até "Comie mias iuma patianisca, espanhiol. Riega a goelia com um vierde brianco!"
  4. Pomos os gajos a comer tanto petisco e beber tanto vinho que no dia seguinte só conseguem cagar de esguicho!
  5. Como nós somos uns gajos muito mais rijos nisto da petiscada e vinhaça, no dia seguinte só precisamos de aparecer no jogo depois de malhar mais uns finos que até com a pança marcamos golos à estrangeirada que nem arrastar-se pelo campo consegue.
Estais a ver agora como o Scolari percebe mesmo de bola? Por isso já sabeis! Se estiveres convocados aparecei, carago! Isto há petiscos e finaços que cheguem para nós todos.

2003/10/18

Um homem, uma carreira !!!

Ora viva caros amigos !!!
É verdade, estou de volta após uma ausência (demasiado) prolongada...
A verdade é que estive ausente na Alemanha a trabalhar na construção civil. No entanto as saudades do nosso Portugal foram maiores e tive de voltar antes de acabar a minha comissão de serviço. Para além disso toda aquela cerveja que eles lá têm, e que em parte foi um dos motivos que me levou até lá, foi uma grande desilusão... Valeram-me os amigos portugueses que por lá encontrei que através de artimanhas e estratagemas vários (afinal de contas são portugueses) me foram abastecendo o bucho de Super Bock e sandes de orelha de porco e de coiratos.
Pois é, apesar de tudo as saudades bateram mais forte e ainda para mais sabendo dos próximos acontecimentos que se vão realizar por cá (como o campeonato de sueca que se vai realizar na tasca do Quinquilhas e outro grande acontecimento que é o que me leva a escrever este post) não poderia tomar outra atitude...Ainda assim queria aqui deixar a todos os emigrantes um grande abraço de agradecimento e fica já a promessa de um dia aqui aparecer um textozito de homenagem a todos os nossos amigos que andam a ganhar a vida por esse mundo fora...

No entanto o que me leva a escrever hoje não são as peripécias que me aconteceram na Alemanha, mas sim outro acontecimento de grande dimensão que se realiza cá no burgo (mais precisamente nas terras mais a sul). Como é óbvio estou a referir-me ao grande concerto que o enorme Emanuel vai dar amanhã à tarde no Coliseu dos Recreios em Lisboa.
Realizado sobre o tema "Ontem, hoje e sempre", este concerto promete encher o Coliseu e revisitar 10 anos de carreira (e de sucessos) deste nosso amigo e espera-se que seja em todos os aspectos superior ao concerto, já aqui referido num post anterior, que o Emanuel deu em Famalicão e que compreende-se agora, terá servido de preparação para o dia de amanhã.

Sendo assim deixo-vos com esta sugestão para uma tarde de domigo muito bem passada.
Encontramo-nos a partir das 17 horas no Coliseu dos Recreios para este concerto que promete perdurar nas nossas memórias...
Até amanhã e um abraço deste vosso amigo !!!

P.S.: Para todos aqueles que queiram saber ou pouco mais sobre o Emanuel, sobre as suas actividades e tudo o que lhe diga respeito aconselho a visita ao site oficial do artista, que podem encontrar aqui.

O cheiro inconfundível a castanhas (e não só) no ar...

É Outono!
O frio começa a dar mostras de si. Com ele chega meia dúzia de coisas boas que tornam esta estação tão especial. Ainda assim não tão especial como a estação... de serviço da Mealhada (aquelas sandochas de leitão...).
Uma das coisas boas são as castanhas. Vamos na rua em direcção à tasca e sentimos aquele cheiro fantástico no ar. Mandamos vir uma dúzia, que nos são entregues num cone de papel de jornal da semana anterior... Tomando atenção ainda conseguimos distinguir entre as letras o número de telefone da "mulatinha peito 44... muito gostosa". Anota-se o número. As mãos enfarruscadas da velhinha que nos entrega as castanhas mostram também as gretas causadas pelo sal. São a prova de anos e anos passados na assada das castanhas (para todas elas, o meu "muito obrigado").
Comemos as castanhas. Sabem a Outono. Fazem-nos reviver Outonos passados... e histórias que a seu tempo serão aqui contadas. Mais que tudo, vão-nos fazer ganhar o dia! Porquê? Por vários motivos. Passo a citar:
- As mãos enfarruscadas permitem que se pinte a cara alguém lá da tasca sem que dê por isso - risota geral (ou quase - o "enfarruscado" nunca acha muita piada);
- Os gases que as castanhas produzem vão fazer com que se ganhe uns pontos preciosos no concurso "cu arrotador" - o Neca vai à frente, logo seguido do Nando;
- Os putos que levam as cascas das castanhas no capucho dos casacos. Só gostava de ver as caras deles (e das mães) quando chegam a casa e atiram o casaco para o sofá...
- Como toda a gente sabe, com castanhas marcha muito bem a bela da jeropiga! Pois bem, eu gosto muito de castanhas, logo como muitas, logo bebo muita jeropiga (sim, sim... também tenho muitos gases - vou em terceiro no "ranking")!

São Martinho é quando um homem quiser... é que agora já hà castanhas congeladas.
Da-se! Um dia destes inventam torresmos em pó (daqueles que é só juntar água - ainda se fosse vinho). "Óh moço, traz-me aí meio quilo de torresmos em pó, um litro de água, uma colher para mexer, dois pães e um quartilho de tinto!"

PS: Voltar a ler o título...

2003/10/17

A matança, a febra e o chouriço! - Parte I

Cozida manhã de Outono... No horizonte, o fumo da neblina daquele raiar do galo matinal.
A velha, com meias pretas, que suavemente lhe tocam as partes reservadas, temperadas com a astúcia secular de invernos passados no recôndito da sua lareira, deambula graciosamente, em manobras rotineiras, com balde de lavagem na mão direita, couves na esquerda...

Nos currais, os coelhos - recebem com graciosidade a frescura verde... Mais à frente, por entre as portinholas seguidas, o abruto chocalhar dos pitos de feira, já despertos, que se agitam ainda mais, na sua sinfonia irritante de sons anímicos, com o aproximar da comida que parece sempre tardar...

Na última porta, sentença final de um grande calvário, mora a personagem desta prosa.

Nesse dia, passa por abstinência, que assim obriga a matança... É o porco de animal, cozedura ou assado, que motivo melhor para encher de gordura o bom bigode farfalhudo....

Horas passadas, e com sol por nascente, parece surgir alguns suspensórios no meio da vegetação... São os senhores que se preparam. Trazem, debaixo de braços, cuidadosamente enroladas em pano manchado, as várias facas de um ofício de artistas.

Preparam com rigor, o banco de deleite, manchado de carvão preto, fruto de usos passados... Na cozinha, as meninas de avental, cozem panelas de água, sobre o lume de lenha, no chão consumido...

De fora chegam grupos de gente, de idades várias, entre putos curiosos, aos reservados familiares, que nas suas palhotas de cesto, fazem transportar a broa de cozedura fresca, e o melhor das colheitas de vinho do Setembro recente.

Depois do trocar de comprimentos, tempo para anedotas várias... Riso generalizado, enquanto se forma a comitiva. Junta-se o melhor da frescura em cinco homens de corpo avantajado... O mais novo ainda carrega borbulhas várias, que de outra experiência parece necessitar...

Seguem trajecto pelo quintal vasto, por entre couves e tomatais devidamente estacados, carreiros corridos e alinhados, que no bagaço do pequeno almoço, serve de orientação à porta do aido.

Mais duas de treta corrida, enquanto se agrupam na porta... Combinam uma estratégia decorada. Dois entram com cordas em punho... No foucinho o fazem segurar... O animal parece ter muita genica... Talvez tenha passado num mês, a sua altura de matança...

No lombo de presunto, dois são o que o empurram, enquanto os restantes, pelas duas pontas da corda, o tentam encaminhar para o banco.

Coices em seco, o carreiro não os parece enganar, que de perdidos no quintal, só da força do bicho, o parece transmitir...

Chegam por fim ao alinhamento do banco, que sobre ele, o tentam deitar, por força de braços, o animal quase extasiado...

Força nas cordas, que de excesso de confiança, fica remetida a dois homens... Na retaguarda, outros dois abraçam as pernas, que em sofrido movimento lutam para o erguer...

Lá ao perto, as mulheres vão chegando com as panelas quentes e alguidares vários, em fila organizada, na sua ordem combinada...

O ancestral, desvenda, por entre o desenrolar dos panos vários, a faca da matança, que ajuíza a afinidade, e com ela tempera o gume e afia o desejo.

Suados de raiva pelos movimentos do animal, os jovens fazem descair os suspensórios, aglutinam raivas passadas, e juram vencer a batalha... Mas, para o cenário montado, a palha amontoada a um canto, faz escorregar um dos obreiros... A sua penca enfia-se sem hesitação por entre o rabo contorcido do animal.

Enquanto pestaneja a maleita, as cordas ficam pendentes com o espanto, e o animal sai desvairado do cenário... que de adivinha parecia premeditar o seu fado... Corre pela quinteira, derruba a comitiva de senhoras, e enche de pânico as restantes, que no seu desespero largam salpicos de água e louça, pela passagem rápida...

No trote dos cascos, corre pelo quintal, desvairado, levando o alinhamento, e a tomatada, que sem regras, parece o animal possuído... galga meio muro, e segue a destruição...

Lá longe, um dos homens lava a cara em água escaldada na tentativa de tirar o cheiro da ponta da penca... Queima-se, e mais inchado fica, que muita luxação já tinha da bebida...

Os restantes quatro seguem como necas a abanar, para o tentar desviar das plantações organizadas...

Já o bicho se encontrava mais calmo, regalando-se com os nabos que arranca em série do fundo da terra quando, com ares extasiados, chegam os heróis em banda dispersa. Tentam-no cercar... mas os olhos miúdos não se deixam consumir, e de arena se faz o recinto, pois de séries seguidas de fintas, os fazem todos aterrar por terra...

Enraivecidos, os homens reorganizam-se... Sentam-se numa sombra e contemplam o porco à distância. É servida meia côdea a cada um dos presentes, dois pasteis de bacalhau, e uma vintena de malgas de vinho - sob a forma de dois garrafões de tinto.

No cruzar de olhares, a relação criada entre quem não manda, e quem não quer ser mandado...

O sol curtia meia distância entre o amanhecer e o meio-dia. O grupo de valentes interrogava-se sobre a hora, que por altura, já devia ser de limpeza... E sonham com os chispes e dobradas bem cozidas... Pois, se de força era a besta capaz, bom paladar teria de trazer à mesa, por certeza!...

Nova meia hora passou até que, possuídos por uma sorna invulgar, a trupe de matadores se deixa adormecer na sobra da macieira seca...

Nem o gizado do barulho ensurdecedor da matilha de putos que se devertiam em redor do porco os fez acordar...

Na Eira, as mulheres preparam o almoço, enquanto trespassam novamente os paus de marmeleiro, ou "vira-tripas", pela água fresca, que de pó já se fazia notar as suas pontas...

No pasto longícuo, o chefe acorda, com a faca da matança cruzada sobre o peito, com o barulho de mais uma passagem do porco que chiava aguçado, pelo facto de transportar no lombo, um dos miúdos divertidos...

É o alerta geral, que na missão se fazem todos despertar...

Sem regra, seguem o encalço... mas rapidamente se cansam, pois longo parece ser o caminho que, nesta perseguição sem rumo, os fazem abandonar novamente o destino do dia...

Enlameados e humilhados, seguem afiando os bigodes, de reencontro ás mulheres...

Sentam-se refastelados nos bancos de madeira, enquanto são servidas couves e batatas cozidas, que de guarnição parecem eles contentes, pois de mais nada fora o preparo da refeição, a não ser do Porco que não fora morto, juz de carne que falta...

Mas a boa pinga depressa os remeteu ao esquecimento, e à sonolência... E depressa se sentaram em jogos de sueca seguidos por intervalos de sesta animada...

No fim a promessa, de que no termo da semana que começa, a vingança seria realizada... e de tripa lavada se iriam regalar as mulheres, e de rojões quentes se iriam saciar os homens...

2003/10/16

Contrafacção algo realmente interessante.

Ora biba, chegado aqui à obra (Estádio para o euro 2004, em Aveiro) depois de um almoçito na tasca da TiMaria em Mataduços. Depois das belas das fanecas fritas, do arroz de feijão e dos três copos de tinto. Não se pode ingerir bebidas alcoólicas em demasia, os andaimes são altos para ca#$"#$. Dei por mim a pensar em algo Português*, e o principal motor da economia nacional ...

A Contrafacção.

A contrafacção, consistindo na reprodução ou imitação de forma fraudulenta de um bem, com prejuízo do autor ou inventor e também com prejuízos evidentes para o Estado, vem justificando uma acção sistemática por parte desta Inspecção-Geral.

Não existe nada mais bonito do que um gajo ao domingo à tarde, pegar na cachopa, e ir por exemplo, à Tocha ver as calcinhas Lewi's Fashiun. O Polozinho Rafael Louren (ou Lourenço), o cinto de couro dos marroquinos, as sapatilhas Retruck (que são contrafeitas por uma marca Amaricana a Reebok!)...etc.

Eu pessoalmente tenho a dizer-vos que sou totalmente a favor da legalização da contrafacção. Não existe nada mais triste do que um Neca estar na feira, e aparecer uma comitiva de policias, e ver os vendedores (gente boa e trabalhadora) a fugir pela feira afora.
Mesmo quando um tipo estava a regatear a camisinha Saccur por 15 Euros. E o coitado do vendedor (gente boa e trabalhadora) desata a correr em frente do GNR Barrigudo! É motivo para um gajo dizer:

Dasse!

* Existem outros países que contrafactuam (palavra bonita), mas meto as minhas unhacas pretas no lume em como os Portugas, foram os primeiros.

Quem paga a próxima rodada??? Nando???

2003/10/14

Lendas do Nosso Portugal Popular - I

Inicio aqui uma nova rubrica do Popular Português. Baptizei-a de "Lendas do Nosso Portugal Popular". Para começar, nada melhor do que escolher um simbolo que representa quase como nenhum a faceta popular deste país à beira-mar plantado: O Galo de Barcelos.

Segundo a lenda do Galo de Barcelos, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.

Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de São Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.
Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz.
Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a São Tiago.


PS: Será que não estava toda a gente com um bebedeirão danado e julgaram ouvir o galo cantar, quando na realidade era um puto a dizer que tinha sujado as calças: "cóco.. (fiz) cócó"?

Da casa de quem?

Ando confuso. Das várias tascas que fazem parte do meu curriculo, cerca de três (dúzias) delas têm como "oferta" o "famoso" (ou não) VINHO DA CASA.
Isto cria-me alguma confusão...
Primeiro: O vinho é da casa de quem? É o dono da casa que estabelece o preço do tinto?
Segundo: Se o vinho é da casa, ninguém devia poder "ficar" com ele, certo?
Terceiro: Vinho da casa? Mas o vinho não é das uvas?
Quarto: Porque é que o vinho da casa é diferentes de tasca para tasca? O "Teobar Tinto" é igual em todo o lado, carago!
Quinto: Normalmente é mais barato que os outros, ainda que nem sempre seja pior. (?)
Sexto: Porque é que às vezes é apresentado em garrafas sem rótulo, com uma "rolha" de plástico e vem a pingar água? Será vinho em pó ao qual se adiciona água? Ou será vinho "líquido" ao qual se adiciona água?
...
Oitavo (lugar da Superliga): SLB >:)

São estas dúvidas que atormentam por agora a minha mente... bem, que se lixe! Vou ao Quinquilhas beber mais um copo três.

2003/10/13

A Ressaca durou uma semana...

Caro Povo de Portugal, é com muito orgulho que passo a frequentar A TASCA mais popular e portuguesa do universo. Desde há algum tempo que passo em frente deste estabelecimento comercial e sinto o cheiro a suor misturado com o tinto carrascão das malgas que nunca viram nem Super Pop, nem outro detergente qualquer. Estava ansiosamente à espera de conseguir entrar... mas depois de entrar e da entornização foi tal a bubadeira que durou uma semana para curar. Ainda sinto o sabor na goela do "Casa de Santar", que nos acompanhou neste evento.
Como qualquer homem (ou foneticamente falando, ômme) que se preze, ao entrar numa tasca de elevado nível, a primeira coisa que faz é pagar uma rodada à malta. A meu pedido saíram alguns traçadinhos de ponche para o pessoal. Passo então a apresentar-me:

Nome: António Meireles Pompeu (Meireles do lado pai, e Pompeu do lado da mãe), isto porque o meu pai Inácio Joaquim Meireles, apanhou tamanha bubadeira que quando me foi registrar trocou a ordem.
Profissão: Já tive várias: aos 12 anos era Ardina em Coimbra, aos 18 tocava concertina no banda filarmónica do Entroncamento, já fui empregado de mesa (mais conhecido por OOOOHhhfaxeAvor, fui despedido por coçar os tomates em frente da clientela) e actualmente sou pedreiro a trabalhar no estádio do Euro 2004, em Aveiro. Digamos que sou um jogador polivalente.
Clube de Futebol: Tigres do Zêzere

Um grande abraço,
E até à próxima rodada.

António Meireles Pompeu - "Neca"

Ouvido de passagem

Agora que o Outono já se mostra nas suas verdadeiras cores e que parece que os dias frios chegaram para durar lembrei-me de uma pequena história que já passou há uns anos. Foi daqueles episódios que só no nosso país de coloridos populares portugueses poderia acontecer. Estava um dia de Outono frio e um casal de idosos seguia à minha frente pela rua fora.

Ele: Foda-se! Tá um frio do caralho!
Ela: Tá, tá! Cum filha-da-puta!

Este momento de doce candura trouxe-me uma lágrima ao canto do olho. Ah grandes e populares avós deste país!

2003/10/10

As imagens da Primeira Entornização

Amigos populares, já estão disponíveis as imagens da primeira cerimónia de entornização! Agora já podem ver ao vivo e a cores todo o ritual e beleza que envolve esta cerimónia: a "entornização" do vinho tinto na camisola oficial, o molho dos rojões e a entrega do palito.

Entornização do Hermenegildo Baptista
Entornização do "Popular Português Ainda Sem Nome"
Entornização do António Meireles Pompeu
A foto de grupo

O resto da reportagem fotográfica estará nas bancas no número deste mês da revista "Begueiros & Carroceiros"

2003/10/08

Afinal eles também são tugas, carago!

Eu sabia! Eu sabia! Debaixo daquele exterior intelectual de amante apaneleirado dos ingleses, bem lá no fundo, eu sabia que havia um pequeno tuga há espera de soltar o seu grito de revolta. E finalmente hoje aconteceu!
Então não há que o país está todo em polvorosa porque o Rio Ferdinand não foi convocado para a selecção? E tudo isto só porque se "esqueceu" de comparecer a um controlo anti-dopping? E que os coleguinhas também estão todos solidários e querem boicotar o próximo jogo da selecção?
Ah pois é! Não se fala de outra coisa nos jornais e televisão. Quais Guerra do Iraque, quais David Kelly, quais quê! Um cientista inglês ganhou o Prémio Nobel da Física? Eles querem lá saber! O que os ingleses querem saber é porque é que não abrem um excepção (daquelas que só mesmo à tuga!) e deixam o moço ir na mesma ao jogo que ainda por cima é decisivo!
Isto agora, para ser melhor do que cá, só faltava mesmo haver umas pegas à mistura ou um jogador aos murros com o seleccionador. Era perfeito!

2003/10/06

Os "inhos" de Portugal

Aouuuuuuuuuuu! (1)

Há uma coisa que me incomoda neste Portugal: colocamos diminuitivos em quase todas as expressões que utilizamos - "inhos".
O Portuga nunca emprega uma palavra simples quando pode utilizar um diminuitivo. À mesa é o arrozinho, o bifinho com batatinhas, a saladita de pimentos. Vamos a um restaurante mais chique e pôe-se o empregado gay a dizer: "Ora...a especialidade da casa é a vitelinha assada no forno, regada com um molhinho de cogumelos, com umas batatinhas alouradas e uma folhinha de louro para dar aquele soborzinho especial. Ah....para sobremesa uma moussezinha de chocolate, pode ser???" Pode ser o car..... lá pró pane.... Da-se!
Bom!!! Em férias, são as casinhas, o solinho (ou mais para Norte o solzinho), uma suequinha, uma sonecazinha na praia e sobretudo, meus amigos, o tradicional: FININHO. Ahhhhhhhhh (hic). Já agora para os lados de Lisboa dizem Imperialzinha???
Esta bela característica do chamado patriotismo do Portuguesinho consiste em supor convictamente que tudo o que há nos outros países é pior do que em Portugal, ou - sempre na maior das boas intenções e das ignorâncias - melhor, mas pior. O melhor, mas pior é a maneira do Tuga contestar as evidências estrangeiras com o argumento de que está bem, pode ser melhor, mas no fundo o que é isso, sem o nosso tintinho, o nosso calorzinho e a nossa gentinha?
Mas uma coisa é certa.... não há nenhum país no mundo que tenha uma cultura como a nossa!

(1) - Expressão, termo, forma, mania, estupidez do Tuga saudar ou chamar outro Tuga quando o encontra na "bola".

Um novo TUGA!

Ora viva!

É ainda bastante emocionado que passo a fazer parte desta comunidade lusitana, que tem vindo a recriar uma cultura e um espirito nacional próprio.
Ainda está fresco na minha memória, o momento, as palavras ditas, a cara de espanto dos presentes, o cheiro ao vinho (boa pinga por sinal), a côr gordurosa dos rojões e o palito partido ao meio, que fizeram parte dos 5 minutos mais deslumbrantes da minha vida....ou não!! Agora faço parte desta trupe e por vossa sorte (ou azar) irei começar a partir de hoje a mandar os meus bitaites e caralhadas.
Ser portuga é ter a qualidade inegável de poder dizer seja o que for, em qualquer local e de preferência em voz alta para que todos os que se encontram à volta possam ouvir. Se estiver um sociologo por perto irá pensar: “Curioso! Este personagem parece ter um caracter e uma personalidade forte. É extrovertido e parece ser uma pessoa muito confiante. E bla..bla..bla”. Se houver um Tuga dirá para si: “Foda-se pró gajo. Num se cala!! Um gajo aqui a tentar ouvir o relato da bola com um mini-aparelho com auscultadores, com as pilhas nas últimas e ainda tem que levar com este? Se bem que lhe dou um pouco de razão. A mulher num tem nada que lhe dizer que tem que ir ao “marchê” na hora em que o FCP tá a jogar nas Antas uma partida importante para a SuperLiga. Há limites!!”
Seja como for, só tenho a agradecer a minha promoção e prometer ser fiel e ser...Tuga.

Até breve!

Hermenegildo Baptista - “Mene”

Primeira Entornização!

Foi com muito orgulho e com uns pratos de pataniscas e copos de tinto à mistura que o Popular Português acolheu no seu seio três novos membros.
A Entornização consistiu no baptismo com vinho tinto e na entrega do palito oficial.
A todos e a eles em especial um grande abraço e uma malga de tinto carrascão.
Que os posts deles contribuam para a divulgação da cultura popular portuguesa (e para umas risotas à mistura).

2003/10/01

Atentado à moral e bons costumes...

O castigo imposto pela Comissão de Disciplina da Liga ao Costinha atenta contra a moral e os bons costumes do povo português!
Meus amigos, é um BLOGUISTA ultrajado que vos fala.
Então não querem lá ver que agora um gaijo já não pode acomodar ou dar uma coçadela na "fruta" quando bem quer e lhe apetece?!?
O rapaz marca um golo - como alguns artistas da bola dizem: "marcar um golo dá uma tusa do caraças!" - logo, é natural que ele sinta a vontade de dar uma aconchegadela no escroto!
Toda a gente (excluem-se do significado desta palavras alguns "ligueiros") sabe o bem que sabe dar um jeitito ao material. Sendo assim, porque castigar um homem que tem a coragem de o fazer em público, evocando assim uma das mais antigas tradições do macho português?
Qualquer dia um gaijo é multado por coçar o rabo, ou passa a pagar imposto proporcional à quantidade de cera que saia na unhaca depois duma limpadela ao pavilhão auricular. Da-se!... Tou que não posso! Mas compreende-se, os gaijos não têm tomates, logo não sabem o bem que sabe!
Que logo o Costinha possa coçar a fruta ao pé da claque do Real.

Pataniscas a todos.

PS: Pelo menos ficamos a saber que o homem "os" tem no sítio.

2003/09/30

Profissões do meu paí­s

Hoje espero aqui inaugurar uma nova secção no Popular Português dedicada às profissões populares do nosso país e que, por força do inevitável "progresso", foram desaparecendo. São agora profissões consideradas extintas e estão remetidas a alguns livros ou meros registos e ao imaginário de alguns mais saudosistas.
Nas minhas pesquisas por aí fora descobri esta referência interessante (no Minho pois, claro!) a algumas profissões já extintas do nosso país e que, infelizmente, também para mim já só fazem parte do meu imaginário literário. É, no entanto, com muito prazer que ainda temos entre nós algumas pessoas que recordam e contam histórias na primeira pessoa de cada uma destas artes: o guarda-soleiro, o latoeiro, o molhelheiro, o colmador e o soqueiro.
E vem esta história toda a propósito de quê? Pois bem, hoje de manhã tive uma pequena surpresa. Cá no meu burgo bracarense ainda continuam a existir guarda-soleiros! Bem, já não são daqueles à antiga com a carroça do burro mas uns mais modernos (os únicos que conheci) com a sua Zundapp ou Famel e com o amolador de facas atrás. Andava eu ainda de olhos entreabertos pela casa quando tive o prazer de ouvir ao longe esse som inconfundível da gaita de beiços de um guarda-soleiro. Quando saí já não o consegui ver mas o som lá continuava ao longe enquanto se afastava para outras paragens.
Todos os anos é assim. Chegam as primeiras chuvas e lá vai ecoando pelas ruas do bairro a música do guarda-soleiro que já ouço desde que me conheço. Quando deixar de a ouvir a minha pequena perda pessoal será grande mas a do país e da cultura e identidade nacional será maior. Enfim, coisas do "progresso".

2003/09/29

Caralhadas e mais caralhadas!

Tenho uma grande alegria para partilhar convosco! Ainda há homens de barba rija que sabem que o uso do calão (vulgo caralhada) é uma das maiores riquezas do nosso léxico. Ainda por cima, e como obviamente não podia deixar de ser, são homens de Braga.
Aqui, no "Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas" podemos ler:

"Acreditamos que as expressões idiomáticas e o calão são uma parte nobre e rica da lí­ngua Portuguesa. Ao mesmo tempo que inclui verdadeiros tesouros, este domíno é frágil e muitas vezes os termos têm um tempo de vida curto."

Ora e o Popular Português não podia concordar mais! É sempre um bom exercício recordar algumas daquelas palavras que tanta cor dão ao nosso carroceiro discurso e que fomos esquecendo com o tempo.
Respondendo ao apelo do Dicionário para a colaboração de todos, o Popular Português não podia deixar de dar uma mãozinha a tão nobre esforço e promete já aqui uma colaboração regular. Para começar, e porque não somos homens de promessas vãs, iniciámos já a nossa modesta contribuição, com o mais bracarense de todos os insultos: "begueiro".

Ó meus gandas begueiros! Tão à espera de quê? Vão até e contribuam com mais umas caralhadas!

2003/09/23

Já temos tabuleta!

Pois é, meus amigos. Finalmente chegou a nova tabuleta da nossa tasca. Já cá fazia falta! E o que é havia de representar melhor cá a casa do que a mais popular de todas as imagens portuguesas? Pois só podia ser mesmo o Zé Povinho, essa criação de Rafael Bordalo Pinheiro, um dos mais nobres artistas lusos e que representa o tuga que há em cada um de nós.

TOMA!

"O" Almanaque!

A "posta" de hoje é dedicada ao Verdadeiro Almanaque (é assim que a editora o intitula - e bem).
O Borda D'Água tem um reportório útil a toda a gente e contém todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral.
A Editorial Minerva disponibiliza-o pela módica quantia de 1,1€ - lá vai o tempo em que custava 10 tostões.
O Borda D'Água apareceu como a primeira (e talvez única) "revista" que se pode permitir que um homem leia. Tudo o resto são hinos à rabichice e aos bons costumes (exclui-se do lote de revistas referidas a Playboy, Penthouse, Gina, Tânia, etc...).
Curioso é o facto do Borda D'Água manter desde que me lembro a mesma capa. Na realidade, as únicas mudanças são o ano de publicação, o calendário e o preço (infelizmente).
Apesar da sua impressão a preto-e-braco, este almanaque continua a ser um sucesso, principalmente graças aqueles que como os membros do Popular Português se empenham em manter vivas as antigas tradições portuguesas e as malgas de vinho ora cheias ora vazias.
Sai mais um quartilho em honra do Borda D'Água!

Borda D'Água 2004

2003/09/17

São homens do norte, carago!

Hoje li uma notícia no jornal (no JN, pois claro, que é cá do norte!) que muito me alegrou. Finalmente o nosso país vai prestar a homenagem merecida a esses grandes popular portugueses que são os tocadores de concertina. Não resisto a citar este recorte da notícia:

Tocador de concertina que toca com paixão, nem que tenha fome ou sede... não se importa!" Uma máxima seguida à risca em casa da família "Cachadinha", que sempre viveu de roda do instrumento. "Nem que deva dinheiro, porque isto é uma felicidade", garante José, filho de Joaquim Cachadinha, um dos mais emblemáticos tocadores de concertina de que há memória no Alto Minho. Em casa não havia fartura e, "para alimentar os onze filhos, o meu pai pegava na concertina, cantávamos todos e a fome passava", conta, sorrindo.

Onze filhos! Ah, grande homem!

Felizmente para nós, esta grande tradição nortenha vai ser agora imortalizada pela autarquia de Ponte de Lima e pela Comissão de Festas das "Feiras Novas" num monumento em granito, a inaugurar hoje à noite no Largo de S. José, no centro da vila.

O Popular Português não pode também deixar passar em branco o nome de Artur Fernandes, mentor do grupo "Danças Ocultas". Este quinteto de concertinas reconhecido internacionalmente tem levado o som do Alto Minho um pouco por todo o mundo. É de homens destes que se faz a cultura popular do nosso país.