O Ponto de encontro dos Verdadeiros!

2003/09/30

Profissões do meu paí­s

Hoje espero aqui inaugurar uma nova secção no Popular Português dedicada às profissões populares do nosso país e que, por força do inevitável "progresso", foram desaparecendo. São agora profissões consideradas extintas e estão remetidas a alguns livros ou meros registos e ao imaginário de alguns mais saudosistas.
Nas minhas pesquisas por aí fora descobri esta referência interessante (no Minho pois, claro!) a algumas profissões já extintas do nosso país e que, infelizmente, também para mim já só fazem parte do meu imaginário literário. É, no entanto, com muito prazer que ainda temos entre nós algumas pessoas que recordam e contam histórias na primeira pessoa de cada uma destas artes: o guarda-soleiro, o latoeiro, o molhelheiro, o colmador e o soqueiro.
E vem esta história toda a propósito de quê? Pois bem, hoje de manhã tive uma pequena surpresa. Cá no meu burgo bracarense ainda continuam a existir guarda-soleiros! Bem, já não são daqueles à antiga com a carroça do burro mas uns mais modernos (os únicos que conheci) com a sua Zundapp ou Famel e com o amolador de facas atrás. Andava eu ainda de olhos entreabertos pela casa quando tive o prazer de ouvir ao longe esse som inconfundível da gaita de beiços de um guarda-soleiro. Quando saí já não o consegui ver mas o som lá continuava ao longe enquanto se afastava para outras paragens.
Todos os anos é assim. Chegam as primeiras chuvas e lá vai ecoando pelas ruas do bairro a música do guarda-soleiro que já ouço desde que me conheço. Quando deixar de a ouvir a minha pequena perda pessoal será grande mas a do país e da cultura e identidade nacional será maior. Enfim, coisas do "progresso".

2003/09/29

Caralhadas e mais caralhadas!

Tenho uma grande alegria para partilhar convosco! Ainda há homens de barba rija que sabem que o uso do calão (vulgo caralhada) é uma das maiores riquezas do nosso léxico. Ainda por cima, e como obviamente não podia deixar de ser, são homens de Braga.
Aqui, no "Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas" podemos ler:

"Acreditamos que as expressões idiomáticas e o calão são uma parte nobre e rica da lí­ngua Portuguesa. Ao mesmo tempo que inclui verdadeiros tesouros, este domíno é frágil e muitas vezes os termos têm um tempo de vida curto."

Ora e o Popular Português não podia concordar mais! É sempre um bom exercício recordar algumas daquelas palavras que tanta cor dão ao nosso carroceiro discurso e que fomos esquecendo com o tempo.
Respondendo ao apelo do Dicionário para a colaboração de todos, o Popular Português não podia deixar de dar uma mãozinha a tão nobre esforço e promete já aqui uma colaboração regular. Para começar, e porque não somos homens de promessas vãs, iniciámos já a nossa modesta contribuição, com o mais bracarense de todos os insultos: "begueiro".

Ó meus gandas begueiros! Tão à espera de quê? Vão até e contribuam com mais umas caralhadas!

2003/09/23

Já temos tabuleta!

Pois é, meus amigos. Finalmente chegou a nova tabuleta da nossa tasca. Já cá fazia falta! E o que é havia de representar melhor cá a casa do que a mais popular de todas as imagens portuguesas? Pois só podia ser mesmo o Zé Povinho, essa criação de Rafael Bordalo Pinheiro, um dos mais nobres artistas lusos e que representa o tuga que há em cada um de nós.

TOMA!

"O" Almanaque!

A "posta" de hoje é dedicada ao Verdadeiro Almanaque (é assim que a editora o intitula - e bem).
O Borda D'Água tem um reportório útil a toda a gente e contém todos os dados astronómicos e religiosos e muitas indicações úteis de interesse geral.
A Editorial Minerva disponibiliza-o pela módica quantia de 1,1€ - lá vai o tempo em que custava 10 tostões.
O Borda D'Água apareceu como a primeira (e talvez única) "revista" que se pode permitir que um homem leia. Tudo o resto são hinos à rabichice e aos bons costumes (exclui-se do lote de revistas referidas a Playboy, Penthouse, Gina, Tânia, etc...).
Curioso é o facto do Borda D'Água manter desde que me lembro a mesma capa. Na realidade, as únicas mudanças são o ano de publicação, o calendário e o preço (infelizmente).
Apesar da sua impressão a preto-e-braco, este almanaque continua a ser um sucesso, principalmente graças aqueles que como os membros do Popular Português se empenham em manter vivas as antigas tradições portuguesas e as malgas de vinho ora cheias ora vazias.
Sai mais um quartilho em honra do Borda D'Água!

Borda D'Água 2004

2003/09/17

São homens do norte, carago!

Hoje li uma notícia no jornal (no JN, pois claro, que é cá do norte!) que muito me alegrou. Finalmente o nosso país vai prestar a homenagem merecida a esses grandes popular portugueses que são os tocadores de concertina. Não resisto a citar este recorte da notícia:

Tocador de concertina que toca com paixão, nem que tenha fome ou sede... não se importa!" Uma máxima seguida à risca em casa da família "Cachadinha", que sempre viveu de roda do instrumento. "Nem que deva dinheiro, porque isto é uma felicidade", garante José, filho de Joaquim Cachadinha, um dos mais emblemáticos tocadores de concertina de que há memória no Alto Minho. Em casa não havia fartura e, "para alimentar os onze filhos, o meu pai pegava na concertina, cantávamos todos e a fome passava", conta, sorrindo.

Onze filhos! Ah, grande homem!

Felizmente para nós, esta grande tradição nortenha vai ser agora imortalizada pela autarquia de Ponte de Lima e pela Comissão de Festas das "Feiras Novas" num monumento em granito, a inaugurar hoje à noite no Largo de S. José, no centro da vila.

O Popular Português não pode também deixar passar em branco o nome de Artur Fernandes, mentor do grupo "Danças Ocultas". Este quinteto de concertinas reconhecido internacionalmente tem levado o som do Alto Minho um pouco por todo o mundo. É de homens destes que se faz a cultura popular do nosso país.

2003/09/16

Minis e rotices do género...

De algum tempo a esta parte que o nosso país (Norte de Portugal) vem sendo inundado com cartazes alusivos áquela que pode ser considerada a nona merdabilha do Mundo.
Obviamente, falo das tão afamadas-no-Sul "Minis". E o que são estas Minis?
Hipótese A:
Trata-se de uma miniatura que pode ser coleccionada. (coisa de rôto)
Hipótese B:
Quantidade de alcoól máximo que um Mouro pode beber sem levar uma carga de porrada da mulher. (se bem que acaba sempre por apanhar)
Hipótese C:
Amostra de mijo de burro para análise. (com gáz)
Hipótese D:
Todas as anteriores.

Pois bem, eu escolho a última hipótese. Para mim Minis são mesmo coisas de rôto. Macho que é macho bebe cerveja! E não incluo a famigerada marca que enche de mijo de burro as Mini-garrafinhas no lote de bebidas-chamadas-de-cerveja... mas adiante! 33cl é que é!

Já estou a ver: entra um estranja (um gaijo de um daqueles bairros de Lisboa) no Tasco do Quinquilhas e pede uma Mini. O Quinquilhas pede para repetir porque não percebeu. O estranja repete e o Quinquilhas também... estão nisto cerca de meia-hora até que o Quinqas manda: "Óh filho da puta, pede o que queres beber ou passa-te ao 'fresco'!".

Isto das Minis (se existisse a Mini Superbock) até tinha piada, mas apenas porque permitia beber mais do que os tradicionais 33 cl de uma vez. Bebendo duas sempre marchavam mais 7 cl do que o costume (é fazer as contas)...

Além do mais não nos podemos que esquecer que a Mini(e) ficou famosa por ser uma rata, de maneira que um gaijo nem tem a certeza de por onde é que as garrafinhas andaram!

Glu... glu... glu... ahhhh!

2003/09/12

Emanuel, és o MAIOR !!!

A emoção ainda me faz tremelicar a mão enquanto escrevo estas linhas... Mas tenho de vos contar os acontecimentos de um dos dias que ficarão para a história do Popular Português !!!
Tudo aconteceu ontem a propósito de um ajuntamento da malta para uma pequena confraternização à volta de um porco bem aviado... Como Populares atentos que somos, chamou-nos a atenção a organização de uma Feira de Artesanato e Gastronomia em Famalicão e resolvemos, por uma vez, sair do Tasco do Quinquilhas e atacar lá para os lados de Famalicão, terra de boas gentes e boas tascas !!!
Após nos reunirmos todos, como é óbvio, junto à primeira bica de cerveja que por lá encontrámos, fomos então à procura de um tasco onde pudéssemos assentar arraiais e desfazer um belo de um porco... Nada melhor que a "Tasca Rasca", que apesar de ostentar este nome, exceptuando o branco e o tinto à jarra (esses sim de acordo com o nome do estabelecimento), realmente era uma tasca de qualidade.
Ora meus amigos, se até aqui a noite já ia bem encaminhada, que dizer então quando começámos a ouvir os primeiros acordes do "Pimba, pimba" desse monstro, dessa figura incontornável da Música Popular Portuguesa que dá pelo nome de Emanuel !!!
Ó meus amigos não tenho palavras para descrever o magnífico e profissionalíssimo concerto dado por este mestre em que revisitou temas tão conhecidos como "Toma, toma", "Vamos a elas", "Romarias de Verão", "Felicidade" e o já referido "Pimba, pimba" entre muitos outros grandes temas...
Mas o melhor (ou como se costuma dizer, a cerveja em cima do bolo) estava reservado para o fim, pois terminado o concerto o grande artista (não o do Sporting que esse é artista é a atirar-se para a piscina) revelou-se uma pessoa acessível e extremamente simpática e esteve bastante tempo a confraternizar e a dar autógrafos aos seus inúmeros fãs. E foi precisamente aí, meus amigos, que EU consegui chegar junto do Homem e dar dois dedos de conversa com ele, enquanto ele me dava um autógrafo DEDICADO AO POPULAR PORTUGUÊS !!!

Ora, depois disto, que mais posso eu dizer, senão louvar este grande Senhor da Música Popular Portuguesa e desejar-lhe as maiores felicidades e sucessos futuros em todos os seus empreendimentos.

Emanuel, obrigado por tudo o que nos tens dado ao longo destes anos e como tu próprio dizes "Felicidade, felicidade" !!!

2003/09/11

Eles andem aí...

Hoje é dia 11 de Setembro! Pois é... este dia ficou para sempre marcado na História devido a um acontecimento que teve repercussões a nível mundial. Poucos esperavam que este acontecimento acontecesse (passo a redundância) neste dia, mas a verdade é que houve um homem capaz de tornar este dia memorável. Falo-vos, obviamente, do Quinito (o nome diz tudo - é dos nossos, carago!). O Quinito "lançou" para a fama no dia 11 de Setembro de 1988 esse grande guardião de seu nome Vitor Baía. Amado por uns (larilas), admirado por outros, tem dados provas de ser um grande jogador e um grande homem (daqueles com "O" grande). Parabéns Vitor!
Mas hoje falo de um outro acontecimento. Falo de algo que me provocou uma revolta imensa. Algo que me virou as tripas do avesso. Que me fez pensar se bebia mais uma bejeca ou se parava nas quinze! Então não é que os gaijos do Chipre agoram estão com a mania que são finos (antes fossem - sempre davam para beber)? Anda aqui um gaijo a divulgar a cultura portuguesa, a querer chamar a atenção dos portugueses para o homem popular que existe dentro de cada um de nós (salvo seja) e chegam-me este cipriotas trólarilas e estragam a vida a um homem? Da-se!
Agora, no Chipre, os taxistas foram "aconselhados" a não mostrar as medalhas que trazem ao peito (sacrilégio), a "tapar" a barriga (sem comentários) e a andar sem calções (querem que andem como? com a fruta à mostra?). Isto requer medidas drásticas! VERDADEIROS, juntem-se a nós nesta luta. Juntos seremos capazes de chamar estes tipos à realidade.
A manifestação terá o seu ponto de partida no Tasco do Quinquilhas. Depois da bejeca e da patanisca, partiremos rumo ao Consulado (gostava de saber quem é que o "consolou"). Lá faremos ouvir a nossa voz. A uma só voz arrotaremos: "Taxistas cipriotas, calem esses idiotas! Mostrem que são populares!".
Companheiros, caralho, juntem-se a nós!

PS: Como é que esta medida é possível? Só mesmo vindo dum país com o nome de Chipre, facilmente confundido com Chifre!

2003/09/10

Voltei, voltei, voltei de lá...

Pois é meus amigos, parafraseando esse nosso grande ídolo da música ligeira portuguesa de cariz popular, ainda ontem estava de férias e hoje já estou cá! Bem... por acaso já cheguei de férias há mais de uma semana mas como o patronato é do caraças pôs logo aqui o proletário a bulir em grande forma! Hoje mandei o trabalho às favas e cá estou eu para vos atirar mais uns bitaites.
De tantos acontecimentos das últimas semanas tinha que escolher só um para falar e tinha que ser um que apelasse ao coração do verdadeiro que habita em todos nós. Algo da maior importância para todos nos populares portugueses. Alguma coisa que nos fizesse parar e ponderar. Foda-se! Tinha que falar da Selecção!
Eu... porra!... Caralho!... Eu nem sei... foda-se! 3-0 dos cabrões dos espanhóis?! Foda-se... mas que... eu ainda nem estou em mim! Chiça! Como se já não bastasse esses caralhos andaram a invadir o nosso Portugal com as Zaras e Cortes Ingleses e mais o caralho a quatro nós ainda os deixámos vir cá, desfalcados e a jogar a feijões, para nos enrabarem. Caralho, eu até sou gajo que nem diz muitas caralhadas mas durante aquele jogo... foda-se lá o caralho, ah puta que os pariu! E andamos nós a pagar 40 mil contos (tou tão atazanado que nem sei quanto é em euros!) aquele pascácio para por a nossa selecção a fazer aquela figurinha! E os pascácios-mor dos nossos jogadores, idem! Ide mas é trabalhar para as obras, malandros! Anda um gajo a moirar toda a semana sabendo que no fim-de-semana vai ter o prazer de poder mandar foder uns espanhóis e vocês fazem-nos uma filhaputice deste calibre? EU ESTOU DOENTE!
Nem sei se hei-de ver hoje mais outro triste espetáculo ou não. Enfim... ser tuga é ter capacidade de sofrimento. Hoje lá estou outra vez em frente à televisão. Vós ganhai, carago! Nem que seja com um golo com a mão como os putos fizeram ontem à Inglaterra... aos 7 minutos de desconto... num lance precedido de falta... e que a bola nem sequer tivesse chegado a entrar mas ganhem carago!

2003/09/02

Rai's Ma Parta

É verdade... rai's ma parta!
Então vai um gajo daqui ao Mónaco ver o clube do coração perder?? Chiça! Porra! Da-se!
Findo o desabafo, resta pensar no que de positivo esta deslocação proporcionou. E passo a citar:

  • Aportuguesámos o Mónaco (arrotos, farpas, bisgas no chão, lixo)
  • Comemos leitão, presunto, queijo e pão em tudo que era estação de serviço de Portugal e do Estrangeiro
  • Bebemos cerveja, vinho branco, vinho tinto e uísque
  • Andámos 3600 kilometros com as mesmas meias e cuecas
  • Deixámos tudo o que era gás espalhado por Espanha, França e Mónaco
  • Vimos belas coisas (mas nada como em Portugal)
  • Tivemos oportunidade de assobiar o Rui Costa
  • <CENSURADO>

Posto isto (e os óculos) que se lixe a bola! O que interessa é que foi um fartote!
E que lindo foi ver o Mónaco "inundado" com "Verdadeiros"... aquilo era migalhas de pão e espuma de cerveja nos bigodes, t-shirts caviadas a cheirar a sebo, gajos vestidos de fato de treino e sapatos... Um outro Mundo... ou o nosso Mundo num Mundo diferente.


PS: Lindo, lindo foi chegar a Portugal e ir comer a uma tasca a sério (que saudades). Mal nos sentámos e pedimos pão, vinho e cerveja as moscas que habitavam naquelas bandas começaram a sobrevoar a mesa, a poisar no pão (que belo sabor deixam) e a cairem dentro das garrafas de tinto.

2003/08/27

Dia de jogo

Sexta-feira, dia 29 de Agosto. Dia de jogo! E que jogo que vai ser...
A “armada” já se organizou e parte já se fez à estrada. Os que ficam partem amanhã rumo à mítica cidade do Mónaco.
Na bagagem segue um presunto, um leitão, pão e duas grades de cerveja. Era só o que faltava um gajo arriscar-se a ter de beber cerveja estrangeira! Até parece mal chamar àquele “mijo de burra” cerveja, mas pronto...
O plano está traçado... a “armada” junta-se a meio da tarde rumo à tasca “monasquina”. Se não houver, abre-se a mala do carro e improvisa-se uma tasca bem à portuguesa mesmo ali.
Depois vem a hora do jogo. Portuga que se preze não deixa que os larilolés dos estranjas se cheguem na hora da fila para entrar para o estádio. Pelo sim pelo não mandam-se dois valentes arrotos (daqueles que cheiram a alho) e uma farpa (com cheiro a couves podres). Posto isto, temos o território marcado!
Começa o jogo. O pessoal espera que o intervalo chegue para beber mais uma buba. Então mas isto nunca mais acaba? Estou a ficar cheio de sede...
Termina o jogo. Espera-se que seja a nossa equipa a ganhar. Se assim for, faz-se grande festarola e bebem-se uns valentes copos... Se não for (toc toc toc) bebe-se para esquecer... ou até esquecer.
Até depois do jogo!

2003/08/25

Agosto

Agosto é o meu mês preferido.
Mais do que nos restantes meses, os encontros com os amigos (leia-se companheiros de copos) são mais frequentes. Há sempre meia dúzia de rapazes do meu tempo que voltam de fora (a maioria de França), o Quinquilhas vem lá do Sul, o Caga-Tacos anda mais animado e aparece mais no jogo e o Grande consegue beber mais ainda que no resto do ano.
Nos ajuntamentos diários o pessoal fala dos tempos passados, discute-se a bola, criticam-se as sogras (raios me partam que não tenho sorte nenhuma na vida), come-se uns ovos cozidos e bebe-se umas cervejolas.
Agosto tem mesmo o seu “quê” de mítico. Todas as grandes músicas dos artistas populares referem este maravilhoso mês. Todo o emigrante tira férias em Agosto. Os grandes Arraiais e festas populares são em Agosto. A praia é melhor em Agosto (praia faz muito bem aos putos... e sempre nos dá a oportunidade de beber uns canecos numa daquelas esplanadas “à beira-mar plantadas”).
No princípio do mês entra Agosto... no fim do mês sai Agosto... Agosto é que se quer! Agosto é quando um homem quiser!

2003/08/19

Férias... Peripécias da viagem !!!

Tenho ainda frescas na memória as imagens que vi nas nossas estradas, este ano, como em qualquer outro e que me deixaram feliz ao perceber que não estou só na tentativa de manter tradições ancestrais que já vêm, pelo menos, desde os tempos dos nossos pais.
Relembro com saudade os meus tempos de meninice e toda a excitação que rodeava o dia da viagem... Hoje sou eu que procuro passar os acontecimentos deste dia tão especial aos meus putos e agora também a todos vocês na esperança de que vos traga as mesmas gratas recordações que a mim me traz.

Tudo começa manhã cedo - de forma não só a fazer-se a viagem pelo "fresquinho" (isso de carros com ar condicionado é para rotos, e mesmo que, por acidente, o tenham instalado é melhor não ligar para não gastar) mas também a partir-se antes dos outros (eu não devia dizer esta parte, pois vocês vão começar a fazer a mesma coisa e fazer-me chegar mais tarde, aliás desconfio que alguns de vocês já o fazem) - com a complicada actividade de fazer caber dentro do carro todo o conteúdo de uma casa de dimensão média, incluíndo, entre outras coisas, televisão, espreguiçadeiras, a cama de rede, um barco de borracha, a cana de pesca e respectivo equipamento, dois ou três putos com demasiadas energias, o cão, o gato, o periquito e o peixinho dourado da miúda mais nova.
Após alguma transpiração e visto que já passa do meio-dia e não queremos cair em fraqueza a meio da viagem nada melhor que fazer uma pausa para descansar um bocadinho, almoçar e seguir viagem (não sem antes ter malhado três ou quatro cervejolas para repôr os líquidos - a desidratação é sempre um perigo a considerar).
Posto isto, fazemo-nos à estrada. É natural que a viagem demore algum tempo, pois os 55 cavalos da viatura terão alguma dificuldade de subir acima dos 160 Km/h devido à carga que deve ser calculada de forma a que o pára-choques traseiro não esteja mais de um palmo acima da estrada, para manter a estabilidade.
Para além deste importante pormenor de segurança faço-vos apenas mais duas recomendações. A primeira é que tapem completamente o vidro traseiro do bólide, de forma a que quem vem atrás não consiga espreitar para dentro do carro e a segunda é que, no caso de apanharem filas, se mantenham sempre bem juntinho ao carro que vai à vossa frente não só para que não percam o vosso lugar na fila para algum espertalhão (claro que sempre que tenham vocês a hipótese de ganhar uma posição não podem hesitar), mas também para que mais rapidamente se apercebam das travagens e acelerações dos restantes pilotos.

Seguindo estas pequenas recomendações acredito que sem dificuldades chegarão ao vosso destino e ficarão também com belas recordações para contar a toda a gente.
Sendo assim, por agora, resta-me apenas desejar-vos Boa Viagem !!!

2003/08/18

Férias...

Ora vivam, caros amigos...
Regressei recentemente de umas pequenas férias e como tal ainda estou um pouco amolecido não só pela canícula (valha-nos a cerveja geladinha) por que temos passado nos últimos dias mas também pela perspectiva de começar de novo a trabalhar no duro, que é algo que nunca se deve exigir a um tuga que se preze depois de um período de férias (por mais breve que seja) ou até de um fim-de-semana ou feriado...

Como ainda estou imbuído pelo espírito da estação resolvi que os proximos posts serão dedicados a descrever algumas das actividades e rituais mais típicos do tuga durante este período mais estival... Mas isso fica para mais logo, porque agora tenho de ir descansar um bocadinho que só de falar em trabalho já fiquei cansado !!!

2003/08/15

Voltou a bola!

É hoje, carago! Começa hoje o nosso campeonato nacional de futebol. Já voltamos a ter motivo para as mais inflamadas discussões na tasca enquanto lemos o jornal e discutimos os resultados da jornada anterior. Para além disso, a bola é sempre uma boa razão para passar a segunda-feira de manhã na treta e não fazer a ponta dum corno no trabalho.
Dêem-nos pão e futebol e somos o povo mais feliz do planeta! Há lá coisa mais popular e portuguesa do que ao domingo pegar na canalhada toda, nas bandeiras e nos cachecóis e rumar ao estádio enquanto a patroa fica em casa a passar a ferro e a preparar um jantar retemperador. Sim, porque isto de ir ao futebol é mesmo coisa só para homem de barba rija.
Tal qual Hércules moderno, o homem português tem que enfrentar duras tarefas numa deslocação domingueira à bola. Senão vejamos:
  • Ir a conduzir até ao estádio com um carro cheio de canalha a berrar aos ouvidos.
  • Achar um lugar para estacionar que não fique a mais de 5Km do estádio.
  • Despachar-se na roulotte das bifanas para comer qualquer coisita e empurrar um fino para o caminho.
  • Ir para fila dos bilhetes. Se a fila for muito grande encontrar o candongueiro mais próximo e regatear o preço dos bilhetes.
  • Ir para fila da porta do estádio.
  • Conforme a antecedência com que se chega ao jogo, passar nunca menos de 90 minutos a relembrar constamente o árbitro e os jogadores da equipa adversária que conhecemos as mães deles e sabemos o que elas fazem na vida.
  • Repetir os pontos anteriores mas por ordem inversa: fila pra sair, mais uma bifana e um fino, confusão para tirar o carro do sítio onde o metemos e viagem de regresso.

Haja homem de ferro para isto tudo!
Bem, só me resta desejar boa sorte à lagartagem e aos lampiões porque se este ano o FÊ-CÊ-PÈ voltar a ganhar tudo isto começa a perder a piada! Eheheh....

Notícia de última hora!
Afinal já não é hoje! Ai c'um carago! Já querem roubar a alegria ao povo! Estes senhores da Liga... valha-nos Deus. Fica aqui já prometido que o Popular Português ainda um dia destes ajusta contas com esses senhores e, claro, também não nos podemos esquecer de falar da nossa Federação!

2003/08/14

Palitinho

De um amigo cá dos Popular Portugueses chegou um texto sobre esse acessório indispensável ao "verdadeiro" que se preze: o palitinho ao canto da boca. Ora sem mais demoras, cá vai disto!

No canto da boca reside este pedaço de madeira sem acabamentos de maior, isento de farpas e sempre de forma variada. Adorno obrigatório para o verdadeiro Popular. Entra no imaginário como momento de descontracção e privacidade relativamente ao mundo. Não raras vezes o verdadeiro Português diz um palavrão carinhoso para a mulher desde que munido do seu palito, que adoça e tempera com a cevada fermentada, pulverizada com odores de uma boa tripinha e amolece com a saliva viciada. Eis pois, um adorno de presença obrigatória num verdadeiro Popular Português!

2003/08/12

A francesinha

A francesinha é invicta.
A francesinha é leal.
A francesinha é do povo.
A francesinha é bairrista. Logo, a francesinha é do Porto
A francesinha é democrática. Portanto, agrada a todos.
O povo respeita a francesinha. Portanto, todos podem ser confrades.

Comida só ou acompanhada, a francesinha é sempre a melhor companhia!

Viva a francesinha!
Viva!

Proclamação, Confraria da Francesinha

Carago... que coisa mais bonita! Estou até com a lágrima no canto do olho. Ou é da emoção ou da porra do molho picante. Vão lá ver a Confraria da Francesinha enquanto eu empurro aqui mais um príncipe para ajudar a acomodar a francesinha.

2003/08/11

Je viens de Paris par l'autoroute...

Ó meus amigos! Em pleno Agosto é imperdoável que ainda não tenhamos abordado o tema do mais popular dos populares portugueses: o «avec». Esse ícone, esse embaixador itinerante do nosso Portugal em terras estrangeiras. E haverá lá «avec» mais famoso do que o verdadeiramente genuíno "importado" directamente de França! É vê-los a chegar nos seus carros de matrículas amarelas ao som do Rancho Folcolórico de Sta. Maria de Três Dias Para Lá do Sol Posto, camisa aberta até a barriga, fio de ouro com o indispensável crucifixo e boné das Construções Nelo Silva e Irmão, Lda.
O que mais me impressiona nesta laboriosa gente é a facilidade com que vêm, e alguns apenas ao fim de um ano, logo a falar francês. Verdade, verdade é que o francês também é muito parecido com a nossa língua. Não raras vezes os ouço a falar em francês e percebo logo o que estão a dizer. Frases do género: "Viens ici Jean-Michel! Vien ici au papa! Anda cá, caralho! Não ouves a falar pra ti meu filha-da-puta?" ou "Arreta Cristine! Arreta Cristine! Cristine... se não arretas vou aí fodo-te já o focinho!"
O que mais me entristece verdadeiramente é que todos os anos vamos perdendo estes nossos compatriotas pelas estradas fora. Assim, emigrantes do meu país, deixo-vos com este lindo pensamento desse grande senhor da música ligeira portuguesa de cariz popular (e motivo concerteza de uma intervenção futura no Popular Português) Graciano Saga:

"Emigrante, vem devagar por favor. Temos muito tempo para lá chegar. E depois... lá diz o velho ditado: mais vale um minuto na vida do que a vida num minuto."
Graciano Saga, Vem devagar emigrante

2003/08/10

A cerveja

Pois é! Com o calor maldito que está não há nada que refresque tão bem a goela como uma cervejinha bem gelada. A origem desta bebida remonta até ao Antigo Egipto e associada a ela encontrei este ditado desse fantástico povo criadores deste néctar tão maravilhoso:

"A boca de um homem perfeitamente feliz está cheia de cerveja."
- Antigo provérbio egípcio, 2200 A.C.

Que eu entorne já aqui o meu fino no chão se os homens que tiveram este pensamento tão profundo não eram já os primeiros popular portugueses! Ora há lá coisa que faça um tuga mais feliz do que a cervejola? Coisa de beber, claro!
Inventivos como só nós os portugueses sabemos ser arranjamos várias maneiras de servir a cerveja. Entre os vários tipos de copos em que se pode ver a cerveja temos:
  • Fino (ou como os murcões lá do sul lhe chamam: imperial) - 20 cl de cerveja num copo alto e fino. Com o calor que está só lá pró quinto é que um homem fica satisfeito e refrescado.
  • Tulipa - Já começamos a chegar a algum lado! 33 cl de cerveja num copo de pé alto e fundo largo.
  • Príncipe - Isto sim é um copo para homem. Meio litro de cerveja num copo alto. Há lá nada melhor do que isto para regar uma francesinha como deve ser!
  • Caneca - É coisa de camone. A caneca quando vai a meio já só lá tenho um líquido quente e choco que mais parece a água de lavar os pratos.

Também nas variedades de misturar a cerveja mais ninguém faz como nós. Ora vamos lá ver... temos então:
  • Panaché - A cervejola misturada com 7UP. Sempre se malha mais uma poucas antes de cair pró lado.
  • Tango - Um clássico em vias de extinção. Já tive muitos olhares preplexos quando pedi um. Para quem não sabe, é uma cerveja com um fundo de groselha.
  • Diesel - Já foi mais popular mas tem vindo a desaparecer. Pudera! Quem foi o artista que achou que misturar Coca-Cola com cerveja era uma boa ideia?

A cerveja é assim mesmo. Aparece-nos desde tenra idade em várias formas e feitios. Sempre fresca, sempre pronta a matar a nossa sede. Posso-vos garantir que a cerveja é, sem dúvida nenhuma, a maior invenção da humanidade. Concordo, é claro, que a roda também foi uma bela invenção mas a roda não marcha tão bem com os tremoços como marcha uma cerveja.

2003/08/07

Que calor!

Está mesmo um daqueles dias em que só se pode sobreviver graças à existência das tascas. Quando digo "tascas" quero mesmo dizer "TASCAS". Obviamente nâo me refiro aos lugares de culto dos (supostos) cultos. Uma tasca é um sítio onde o pessoal porreiraço se encontra, onde se bebe uns copos, se come uma série infindável de petiscos e onde não hà ar condicionado (por outro lado não existe sítio "pipi" que não tenha essa porcaria).
A falta de ar condicionado só traz vantagens. Não temos de levar com mudanças bruscas de temperatura (pretegemos a saúde) e aproveitamos da forma que mais convier a temperatura. Se está calor bebe-se uma ou duas (dúzias) bejecas. Se está frio bebe-se tinto (que se não aquecer mais nada, aquece a alma).
Mas voltando à tasca (que está na hora)... Este calor dá mesmo (ainda mais) vontade de passar pela tasca e dar duas de treta com a rapaziada. Lá para o fim da tarde, depois de passar a tarde na praia com a famelga, vai-se lá, pede-se um príncipe (ou um fino para quem anda a fazer dieta - ainda que dieta não seja coisa de macho), come-se um pratito de tremoços (não esquecer de lamber o sal que sobra no fim), joga-se um dominó ou uma lerpa, discute-se o último jogo da pré-época (é fantástico como os "outros" clubes jogam sempre "que é uma merda") e depois repetimos o ciclo, iniciando-o novamente com o pedido de mais um príncipe (o pessoal da dieta nesta altura já a esqueceu).
Outra vantagem do calor é a possibilidade de utilizar roupas leves. Indumentária do "Verdadeiro" no Verão:
- Óculos de Sol "raibantes" (de preferência com ferrugem nas hastes)
- Chapéu do clube (de uma côr que chame a atenção)
- T-shirt caviada (com uma frase estupida na frente)
- Calções com forro (até aos joelhos)
- Sapatilhas brancas "Mike" ou "Ribuck"
- Meias escuras (ficam sempre bem com as sapatilhas brancas)
- "Volta" de ouro com uma cruz
- Palito (chega um para o Verão inteiro)
- Rádio (Zilips) com auscultadores (para a praia)

Não hà nada melhor que uns calções para dar uma coçadinha na blica ou na plantação tomateira! E bem vistas as coisas aqueles três segundos em que se dá a coçadela sabem melhor do que um prato de iscas de cebolada (quem duvida é porque não sabe coçar como deve ser - também não sou eu que vou ensinar... é pedir ao Eltão Jón)

Boas férias para quem de direito (e de torto).

2003/08/06

O Verdadeiro

De natureza invulgar,
É conhecido no mundo inteiro,
A "bagagem" tem o hábito de coçar,
É conhecido como o "Verdadeiro".

No tasco todos conhecem seu nome,
"Tóne", "Xico", "Cagão" ou "Nando",
Come rojões para matar a fome,
E bebe uns copos... de vez em quando.

Dotado de unhaca e palito,
À cruz ao peito não diz que não,
Diz gostar muito de pito...
Acompanhado de bastante pão.

Seu bigode é indumentária invejada,
E nele guarda o que lhe vai sobrando,
Desde migalhas a restos de dobrada
Cujo molho vai pingando.

Não é um "verdadeiro" vulgar,
Daqueles de quem os "tótós" falam,
Marca o seu espaço ao balcão do bar,
Arrotando alto quando todos calam.

É o "Verdadeiro" verdadeiro,
De casta e pedigree genuíno,
Tem um leve jeito de "begueiro"
E os sovacos cheiram a... suíno.

Bebe tinto carrascão da malga,
Come ovos cozidos e pataniscas,
Se for preciso o balcão galga,
Para apanhar o último prato de iscas.

Tem direito a homenagem sentida
Este ex-libris de Portugal,
Que dedica toda a sua vida
A comer... e coisa e tal...

2003/08/05

O barbeiro

Acabei agora de voltar de uma ida ao barbeiro. Sim, leram bem: do barbeiro! Que me lembre, desde que me conheço que sempre frequentei barbearias para cortar o cabelo. Ir ao barbeiro é coisa de homem. Homem que é homem corta o cabelo, não vai ao cabeleiro.
O barbeiro para alem de ser o sítio por excelência para se falar do tempo, da política e da bola é um sítio exclusivamente frequentado por machos. Todas as conversas e comentários são permitidos enquanto se vai lendo "A Bola" e se espera pela nossa vez. E não há nada melhor que chegar lá, sentar e dizer: "É pra cortar, fachabor!". Não há cá variedades nem merdas apaneleiradas como brushings, lacas ou desfrisagens. É sentar, deixar o barbeiro meter um pente 3 para rapar os lados e o cachaço, lavar o cabelo com sabão rosa e cortar o resto todo à tesourada.
O melhor de tudo é que não há barbeiro nenhum que não seja um respeitado pai de família. São os únicos homens que me podem passar as mãos pelo cabelo. Olha eu deixar que um artista desses dos salões de cabeleireiros me venha fazer festas no cabelo... Dasse!

2003/08/03

Unhaca, sem ti não posso viver...

Já tive unhaca,
De todas as cores,
De várias tonalidades,
Com muitos odores,

Trincadas com dentes,
Que limpam o nariz,
Já estive com elas a coçar o pénis.

Unhacas doentes e todas ratadas,
Unhacas sujas de terra e aguarrás,
Mas nenhuma delas,
Me fez tão feliz,
Como a do mindinho me faz...


Haverá alguma coisa melhor do que “enfiar” a bela da unhaca orelha adentro, naquelas alturas em que a cera começa a dar sinais de si? Sinceramente, considero a unhaca uma das 19 Maravilhas do Mundo (nos próximos posts vou referir as outras 18)!
A unhaca é, meus amigos, um hino à engenharia humana. A sua forma, a sua versatilidade, a sua... beleza! Quem se lembraria de criar um utensílio capaz de penetrar no orifício auditivo com tamanha delicadeza e retirar os quilitos de cera que se vão acumulando? Reparem bem na sua forma... a forma côncava permite que a unhaca funcione com um verdadeiro catrapilo no pavilhão auricular. Entra e sai, entra e sai, entra e sai... e sempre carregada. Lindo!
Claro que a unhaca tem outras funcionalidades que ainda não foram descritas, uma das quais é a que permite ao seu "utilizador" uma snifadela mais eficaz dos cheiros que pululam no corpo do macho. Sim, que unhaca é coisa exclusiva de macho! Como é que funciona? Simples. Depois da coçadela no rabo ou na tomatada é só levar a unhaca ao nariz para efectuar a análise (cheiradela) e ver se está tudo em ordem. Mais uma vez a forma da unhaca é essencial, uma vez que, em vez de ficar às portas do nariz, entra dentro do pavilhão nasal, permitindo um contacto “mais profundo” (e uma cheiradela mais intensa). MEGA vantagem, uma vez que desta forma se pode aproveitar para dar uma limpeza à narigonga...
Ainda falta referir a extrema utilidade da unhaca na limpeza do molho do prato de rojões... aquilo funciona melhor que qualquer colher.
Convencidos? Lembrem-se que ao contrários de outros utensílios é barata! Os acessórios fundamentais já estão incluídos no pacote MACHO e quando se vai estragando é só esperar que volte a crescer. Aviso à malta: qualquer “retoque” deve ser feito com os dentes, porque utilizar corta-unhas (ferramenta malvada) é coisa de rôto!
Tu que és macho, mostra a tua unhaca! Faz dela o simbolo da nova geração!
UNHACADOS VENCEREMOS!

2003/08/02

A tasca

O que haverá de mais português do que a tasca? Aquele sítio mítico do nosso imaginário colectivo onde homens feios de barba rija e pelos no peito acompanham o caldo de feijão, penca e tronchuda com um quartilho de tinto carrascão servido numa malga. Ao canto, e tasca que se preze não os dispensa, a pipa ou tonel de madeira velha e embolorada de onde se tira o vinho à caneca. Isto tudo servido, claro, num balcão de pedra negra e suja atrás do qual se encontra a nossa típica "Maria": uma mulher de meter respeito com um metro e sessenta de altura, um grande par de mamas - que em tamanho até não destoam do resto da figura, buço de fazer inveja a muito jovem imberbe e o avental - que um dia já terá sido branco - atado pela cinta.
Diz-nos o dicionário da língua portuguesa da palavra "tasca": "s.f., casa de pasto ordinária". Mais curioso ainda é o que nos diz de "ordinário": "adj., habitual; que está dentro da ordem natural das coisas". Pois se isto é verdade, o que é feito destes sítios? Se fazem parte da "ordem natural das coisas" porque estão a desaparecer? Pior ainda, juntamente com elas estão a desaparecer estes belos exemplares da raça lusitana!
Homens e mulheres do nosso país, isto é um apelo às armas! Vamos reavivar estes grandes locais, expoentes da nossa cultura popular portuguesa! Vamos exigir aquilo a que temos direito! Vamos deixar de chamar às casas de pasto "snack-bars" (esta violentação da nossa lusa língua-mãe choca-me!) e chamar-lhe aquilo que elas são: TASCAS! Vamos exigir o nosso tinto carrascão na malga, as nossas pataniscas de bacalhau e as nossas sandes de coirato! Vamos exigir as mesas de madeira e os bancos corridos! Vamos exigir o baralho de cartas e os dominós! Vamos exigir as mulher gordas e de buço... bem... pronto, não somos radicais. Também estamos dispostos a fazer algumas concessões numa ou outra coisa.
Tu que te chamas Toino, Zé Manel ou Nelo, tu que tens um filho chamado Nando, Quim ou Toni junta-te a nós! Liberta-te dessa vida que levas! Larga o sofá e a televisão e anda para a tasca com os amigos jogar à sueca e beber um quartilho! Todos não somos demais!

2003/08/01

"Onde bloga um portugues blogam logo dois ou tres"

Meus amigos, sejam muito benvindos a este humilde tasco, que tem como unicos objectivos a vontade de manter vivas e dar a conhecer por esse mundo fora as tradiçoes, habitos e costumes de varias geracoes de portugueses da mais rija tempera...

Como podem ver pelo ditado que da¡ titulo a este post e que passou de geracao em geracao desde os nossos trisavos (que Deus os tenha) ate aos nossos dias, este tasco e frequentado por varios compadres que se foram conhecendo e descobrindo gostos comuns no meio de muitas malgas de tinto carrascaoo e respectivos pratos de moelas... Como acreditamos que nao estamos sozinhos neste imenso Portugal, resolvemos abrir aqui o tasco para divulgar e honrar tudo aquilo que faz de nos Populares Portugueses e para servir de ponto de encontro para todos os outros Populares Portugueses espalhados pelo mundo.

Espero que gostem e que se tornem fregueses habituais... Se nao gostarem tambem nao ha problema... Mais vinho sobra !!!

E agora vou-me embora que a Maria ja deve ter a janta pronta, e o Cozido a Portuguesa frio e uma valente porcaria...

Primeiro Fino...

Este é o primeiro post de muitos que o seguirão...
Se existe coisa mais tradicional do que um Blog, que me caiam já dois pingos de molho de francesinha dos bigodes!
(Caraças... sujei as calças... e logo no único sítio onde estavam "limpas"!)
Apenas serão aceites "bocas" de gajos que provem ter escrito a mensagem com um palito no canto da boca e com a "unhaca" (tema do próximo post) a retirar a cera dos ouvidos.
Aqui as regras fazem-se à sexta... quem está, está! Quem não está...

Bom, vou malhar um finaço e comer uns burriés...