O Ponto de encontro dos Verdadeiros!

2003/08/06

O Verdadeiro

De natureza invulgar,
É conhecido no mundo inteiro,
A "bagagem" tem o hábito de coçar,
É conhecido como o "Verdadeiro".

No tasco todos conhecem seu nome,
"Tóne", "Xico", "Cagão" ou "Nando",
Come rojões para matar a fome,
E bebe uns copos... de vez em quando.

Dotado de unhaca e palito,
À cruz ao peito não diz que não,
Diz gostar muito de pito...
Acompanhado de bastante pão.

Seu bigode é indumentária invejada,
E nele guarda o que lhe vai sobrando,
Desde migalhas a restos de dobrada
Cujo molho vai pingando.

Não é um "verdadeiro" vulgar,
Daqueles de quem os "tótós" falam,
Marca o seu espaço ao balcão do bar,
Arrotando alto quando todos calam.

É o "Verdadeiro" verdadeiro,
De casta e pedigree genuíno,
Tem um leve jeito de "begueiro"
E os sovacos cheiram a... suíno.

Bebe tinto carrascão da malga,
Come ovos cozidos e pataniscas,
Se for preciso o balcão galga,
Para apanhar o último prato de iscas.

Tem direito a homenagem sentida
Este ex-libris de Portugal,
Que dedica toda a sua vida
A comer... e coisa e tal...

2003/08/05

O barbeiro

Acabei agora de voltar de uma ida ao barbeiro. Sim, leram bem: do barbeiro! Que me lembre, desde que me conheço que sempre frequentei barbearias para cortar o cabelo. Ir ao barbeiro é coisa de homem. Homem que é homem corta o cabelo, não vai ao cabeleiro.
O barbeiro para alem de ser o sítio por excelência para se falar do tempo, da política e da bola é um sítio exclusivamente frequentado por machos. Todas as conversas e comentários são permitidos enquanto se vai lendo "A Bola" e se espera pela nossa vez. E não há nada melhor que chegar lá, sentar e dizer: "É pra cortar, fachabor!". Não há cá variedades nem merdas apaneleiradas como brushings, lacas ou desfrisagens. É sentar, deixar o barbeiro meter um pente 3 para rapar os lados e o cachaço, lavar o cabelo com sabão rosa e cortar o resto todo à tesourada.
O melhor de tudo é que não há barbeiro nenhum que não seja um respeitado pai de família. São os únicos homens que me podem passar as mãos pelo cabelo. Olha eu deixar que um artista desses dos salões de cabeleireiros me venha fazer festas no cabelo... Dasse!

2003/08/03

Unhaca, sem ti não posso viver...

Já tive unhaca,
De todas as cores,
De várias tonalidades,
Com muitos odores,

Trincadas com dentes,
Que limpam o nariz,
Já estive com elas a coçar o pénis.

Unhacas doentes e todas ratadas,
Unhacas sujas de terra e aguarrás,
Mas nenhuma delas,
Me fez tão feliz,
Como a do mindinho me faz...


Haverá alguma coisa melhor do que “enfiar” a bela da unhaca orelha adentro, naquelas alturas em que a cera começa a dar sinais de si? Sinceramente, considero a unhaca uma das 19 Maravilhas do Mundo (nos próximos posts vou referir as outras 18)!
A unhaca é, meus amigos, um hino à engenharia humana. A sua forma, a sua versatilidade, a sua... beleza! Quem se lembraria de criar um utensílio capaz de penetrar no orifício auditivo com tamanha delicadeza e retirar os quilitos de cera que se vão acumulando? Reparem bem na sua forma... a forma côncava permite que a unhaca funcione com um verdadeiro catrapilo no pavilhão auricular. Entra e sai, entra e sai, entra e sai... e sempre carregada. Lindo!
Claro que a unhaca tem outras funcionalidades que ainda não foram descritas, uma das quais é a que permite ao seu "utilizador" uma snifadela mais eficaz dos cheiros que pululam no corpo do macho. Sim, que unhaca é coisa exclusiva de macho! Como é que funciona? Simples. Depois da coçadela no rabo ou na tomatada é só levar a unhaca ao nariz para efectuar a análise (cheiradela) e ver se está tudo em ordem. Mais uma vez a forma da unhaca é essencial, uma vez que, em vez de ficar às portas do nariz, entra dentro do pavilhão nasal, permitindo um contacto “mais profundo” (e uma cheiradela mais intensa). MEGA vantagem, uma vez que desta forma se pode aproveitar para dar uma limpeza à narigonga...
Ainda falta referir a extrema utilidade da unhaca na limpeza do molho do prato de rojões... aquilo funciona melhor que qualquer colher.
Convencidos? Lembrem-se que ao contrários de outros utensílios é barata! Os acessórios fundamentais já estão incluídos no pacote MACHO e quando se vai estragando é só esperar que volte a crescer. Aviso à malta: qualquer “retoque” deve ser feito com os dentes, porque utilizar corta-unhas (ferramenta malvada) é coisa de rôto!
Tu que és macho, mostra a tua unhaca! Faz dela o simbolo da nova geração!
UNHACADOS VENCEREMOS!

2003/08/02

A tasca

O que haverá de mais português do que a tasca? Aquele sítio mítico do nosso imaginário colectivo onde homens feios de barba rija e pelos no peito acompanham o caldo de feijão, penca e tronchuda com um quartilho de tinto carrascão servido numa malga. Ao canto, e tasca que se preze não os dispensa, a pipa ou tonel de madeira velha e embolorada de onde se tira o vinho à caneca. Isto tudo servido, claro, num balcão de pedra negra e suja atrás do qual se encontra a nossa típica "Maria": uma mulher de meter respeito com um metro e sessenta de altura, um grande par de mamas - que em tamanho até não destoam do resto da figura, buço de fazer inveja a muito jovem imberbe e o avental - que um dia já terá sido branco - atado pela cinta.
Diz-nos o dicionário da língua portuguesa da palavra "tasca": "s.f., casa de pasto ordinária". Mais curioso ainda é o que nos diz de "ordinário": "adj., habitual; que está dentro da ordem natural das coisas". Pois se isto é verdade, o que é feito destes sítios? Se fazem parte da "ordem natural das coisas" porque estão a desaparecer? Pior ainda, juntamente com elas estão a desaparecer estes belos exemplares da raça lusitana!
Homens e mulheres do nosso país, isto é um apelo às armas! Vamos reavivar estes grandes locais, expoentes da nossa cultura popular portuguesa! Vamos exigir aquilo a que temos direito! Vamos deixar de chamar às casas de pasto "snack-bars" (esta violentação da nossa lusa língua-mãe choca-me!) e chamar-lhe aquilo que elas são: TASCAS! Vamos exigir o nosso tinto carrascão na malga, as nossas pataniscas de bacalhau e as nossas sandes de coirato! Vamos exigir as mesas de madeira e os bancos corridos! Vamos exigir o baralho de cartas e os dominós! Vamos exigir as mulher gordas e de buço... bem... pronto, não somos radicais. Também estamos dispostos a fazer algumas concessões numa ou outra coisa.
Tu que te chamas Toino, Zé Manel ou Nelo, tu que tens um filho chamado Nando, Quim ou Toni junta-te a nós! Liberta-te dessa vida que levas! Larga o sofá e a televisão e anda para a tasca com os amigos jogar à sueca e beber um quartilho! Todos não somos demais!

2003/08/01

"Onde bloga um portugues blogam logo dois ou tres"

Meus amigos, sejam muito benvindos a este humilde tasco, que tem como unicos objectivos a vontade de manter vivas e dar a conhecer por esse mundo fora as tradiçoes, habitos e costumes de varias geracoes de portugueses da mais rija tempera...

Como podem ver pelo ditado que da¡ titulo a este post e que passou de geracao em geracao desde os nossos trisavos (que Deus os tenha) ate aos nossos dias, este tasco e frequentado por varios compadres que se foram conhecendo e descobrindo gostos comuns no meio de muitas malgas de tinto carrascaoo e respectivos pratos de moelas... Como acreditamos que nao estamos sozinhos neste imenso Portugal, resolvemos abrir aqui o tasco para divulgar e honrar tudo aquilo que faz de nos Populares Portugueses e para servir de ponto de encontro para todos os outros Populares Portugueses espalhados pelo mundo.

Espero que gostem e que se tornem fregueses habituais... Se nao gostarem tambem nao ha problema... Mais vinho sobra !!!

E agora vou-me embora que a Maria ja deve ter a janta pronta, e o Cozido a Portuguesa frio e uma valente porcaria...

Primeiro Fino...

Este é o primeiro post de muitos que o seguirão...
Se existe coisa mais tradicional do que um Blog, que me caiam já dois pingos de molho de francesinha dos bigodes!
(Caraças... sujei as calças... e logo no único sítio onde estavam "limpas"!)
Apenas serão aceites "bocas" de gajos que provem ter escrito a mensagem com um palito no canto da boca e com a "unhaca" (tema do próximo post) a retirar a cera dos ouvidos.
Aqui as regras fazem-se à sexta... quem está, está! Quem não está...

Bom, vou malhar um finaço e comer uns burriés...