Lembrei-me hoje deste enigmático provérbio. Nunca percebi muito bem (nem muito mal, não percebo é nada!) o que porra quer dizer mas o facto de ter "escarro" faz dele um concerteza um provérbio popular português. Há lá coisa mais popular do que ir pela rua fora, puxar meio pulmão e alguns brônquios de arrasto até ao nariz, mistura-los com a substância ranhosa nasal, envolver a garganta no complicado mas bem dominado exercício de passar o produto combinado até a boca e, depois de puxar bem a cabeça atrás, projectar tudo no chão do passeio com violência, precisão e de preferência a mais de 5 metros. Pontuação extra para o popular que depois de examinar o produto de tão intrincado exercício solta um sonoro: "DA-SE!!".
E lembrei-me eu disto a propósito de quê? Ia eu hoje pela rua fora, a pé, diga-se, que o motor do Fiat 128 voltou a berrar, quando vejo passar por mim um dos novos táxis portugueses da cor dos velhos! Então não é que os nossos táxis voltaram a ser verde escarro em cima de preto alcatrão?
"Ora aí está uma bela homenagem aos nossos nossos homens do volante!", pensei eu. A associação lógia é por demais evidente. Portugal/Taxi - Escarro/Alcatrão! Porque é que alguma vez mudamos sequer a cor, pergunto-me eu. É que... carago! Quem foi o abichanado que se lembrou de pintar os nossos taxis pilotados por bons pais de família, portadores de bigode e unhaca do mindinho de meter respeito de bege? Bege! Isso lá é cor sequer? E se é, é cor de José Castelo Branco, porra!
Hoje até vou a Flor dos Congregados beber uma malga em honra do iluminado que voltou a repor a dignidade aos nossos taxis.
2003/11/25
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1 comentário:
"Azul e verde, escarro na parede" tem a ver com a combinação das cores...na gíria popular significa que as cores não combinam e ficam mal quando combinadas, dai a alusão ao "escarro" por ser esverdeado...
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